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Dragon Quest III – análise por evilgambit

Enix ensinando como se faz um remake em 1996.

 

 

Dragon Quest III foi lançado originalmente em 1988 para o Famicom e apenas em 1992 no Nes nomeado como Dragon Warrior III. Trata-se do terceiro jogo da série que fecha a saga do lendário guerreiro Loto mas que cronologicamente antecede o primeiro jogo, narrando a aventura do lendário herói que salva não apenas um mundo mas dois!

Como filho (ou filha) do grande Ortega, com apenas 15 anos, deve deixar a cidade acompanhado de 3 outros guerreiros cuidadosamente recrutados para uma campanha que tem como missão livrar o mundo do grande demônio Baramos. O mapa mundi é vasto e notadamente muito semelhante geograficamente ao nosso com claras referências à povos indígenas norte-americanos, à expansão naval portuguesa (é onde consegues um navio para explorar outros continentes), ao Japão medieval, dentre outros.

O sistema de jogo é bastante similar aos antecessores com a típica exploração sob perspectiva aérea ao perambular pelas cidades e ao explorar os “dungeons”, com batalhas rápidas e incessantes que acontecem aleatoriamente e em primeira pessoa.

 

Com personagens e monstros criados por Akira Toriyama (Dragon Ball), trilha sonora de Koichi Sugiyama e história e planejamento arquitetada pelo “pai” da série, Yuji Horii, Dragon Quest III é sem dúvidas um dos melhores RPG´s de sua geração, tendo grande influência sob todos os seus concorrentes com uma trama melhor elaborada que os antecessores, o até então inédito (nos consoles) sistema de classes que permite ao jogador explorar diversas possibilidade adiante da evolução de sua equipe, sistema de dia e noite que alimenta pequenas alterações na sistemática de exploração nas cidades e muitos, MUITOS segredos escondidos pelo mundo que irão deixar o jogador mais curioso bastante entretido durante a aventura.

Considerado pelos fãs japoneses como um dos melhores da série foi o mais vendido da geração 8-bits alcançando a soma de 3.8 milhões de unidades. O alvoroço foi tamanho que o governo japonês solicitou à Nintendo e Enix que futuros jogos da série fossem lançados aos finais de semana, para evitar balburdia e evasões escolares.

 

Abaixo, um arquivo em vídeo que retrata o lançamento do jogo, em 1988;

 

 

Tamanho sucesso não poderia ficar restrito apenas ao Famicom (e Nes) e assim Dragon Quest III teve um relançamento no Super Famicom em dezembro de 1996, quando a geração 32-bits (leia-se Playstation e Sega Saturn) já estava estabelecida no mercado. No entanto o remake teve o merecido sucesso de crítica e público angariando 1.4 milhões de unidades vendidas, apenas no Japão.

Dragon Quest III Remake, como ficou conhecido entre os fãs, nunca ganhou uma versão oficial no ocidente por parte da Square Enix, porém ganhou uma tradução não oficial por parte do grupo “DQ Translations“. A tradução é muito boa, completa e permite uma experiência plena desta que é sem dúvidas a melhor versão do jogo disponível atualmente.

A versão 16-bits foi construída sob os alicerces de Dragon Quest VI, também lançado para o Super Famicom um ano antes. Os gráficos são espetaculares, estabelecendo um novo padrão para a série, com cenários vívidos, monstros com animações elaboradas e com um visual e sonoridade que faz jus à geração 16-bits. Novidades bem vindas foram acrescentadas ao jogo, como:

– Uma nova classe, o Ladrão (além disso as classes originais ganharam novas magias e habilidades)
– Muitas armas e armaduras novas
– Um “dungeon” novo após terminar o jogo: o “Sky World”
– Os jogos em tabuleiro “Pachisi”
– Um elaborado sistema de personalidades que se “aprende” ao ler livros (e que podem influenciar a evolução dependendo da classe utilizada)
– O sistema de medalhas, que estão escondidas pelo jogo e podem ser trocadas por valiosos itens
– O “bag” que permite acumular itens, a possibilidade de explorar poços e outras funcionalidades dos jogos mais recentes da série

 

Dragon Quest III no Super Famicom tornou a experiência do jogo mais completa e divertida. A trilha sonora completamente refeita é um deleite aos ouvidos, o sistema de evolução de classes ainda é desafiador e detém novidades, as novas armas e “sidequests” tornam a aventura mais fácil (e prazerosa, vale ressaltar), além do jogo contar com a abertura de Dragon Warrior III (até então exclusiva desta versão) com visual soberbo e que agrega muito à trama original. É gratificante constatar ao avançar na aventura que você está seguindo os passos do grande Ortega até o clímax sensacional perto do final do jogo.

Dragon Quest III ainda foi relançado para o Game Boy Color em 2001, nomeado como Dragon Warrior III nos EUA e detém elementos exclusivos como o sistema de “medal monsters” e mais um “dungeon” secreta, o “Ice Cave”.

 

Abaixo uma ilustrativa comparação entre as versões NES, SFC e GBC:

 

Em 2009 uma versão para celulares japoneses foi lançada e a versão do Super Famicom foi agregada à coletânea Dragon Quest I-II-II para o Nintendo Wii, em 2011 e novamente apenas no mercado japonês. Em 2014 uma versão para IOS e Android foi lançada no ocidente com o subtitulo “Dragon Quest III: The Seeds of Salvation”, porém sem alguns extras presentes no Super Famicom e com menos quadros de animação.

 

 

Indubitavelmente o jogador terá a melhor experiência na versão para o Super Famicom, ainda é a mais bonita de todas e onde o jogador irá saborear horas e horas de aventura, se possível grudado em um sofá com uma boa televisão. Eu terminei esse remake pela primeira vez nesta última semana jogando no Nintendo Wii através de emulador e posso dizer que recomendo a experiência; Dragon Quest III talvez não seja o mais bonito da série ou o mais acessível já que a série evoluiu bastante nos últimos anos, mas sem dúvidas deflaga uma aventura e tanto. Poucos jogos atuais permitem tamanho grau de abstração e comprometimento pois cada arma conquistada, segredo esclarecido ou uma nova magia habilitada faz toda a diferença para a experiência do jogador e o sentimento de recompensa é nada menos que cativante!

 

 

E lembre-se, se quiser saber como continua a aventura da dinastia Loto não deixe de jogar Dragon Quest I&II traduzidos para o português do Brasil pela evilteam clicando aqui.

 

 

 

 

4 comentários

4 Comentários

  1. Postado por Alexandre Guandalini em 17/07/2017 12:15

    Muito bacana.
    Bom saber que a versão do SNES é ainda melhor que a de Android.
    Não vou conseguir jogar no conforto do sofá, mas a tela do celular vai resolver.

    Valeu por mais essa ótima análise.

  2. Postado por katuyba em 20/07/2017 05:04

    Acabei zerando o remake alguns anos atrás, mas me baseando na minha experiência com o Dragon Warrior III. O jogo está mais balanceado e a adição dos equipamentos que se ganha nos jogos de tabuleiro realmente agilizam as batalhas sem facilitar muito, corrigindo os aspectos datados do sistema antigo.

    E obrigado pela análise, pouca gente publica algo a respeito. Eu acabei zerando só usando um guia de medalhas, se não fosse essa postagem, nem saberia que existe o Sky World, vou ter que jogar novamente agora felizmente.

  3. Postado por katuyba em 20/07/2017 05:32

    Apesar de pouco acessível, também recomendo jogar o Dragon Warrior I para NES. Sem revelar muita coisa, existe uma puta surpresa no III para quem já conhece o primeiro.

  4. Postado por evilgambit em 20/07/2017 20:12

    katuyba, antes de enfrentar o último chefe, faça um save.

    Termine o jogo e lote a denominação “LOTO” no seu save. Assim, use return e vá ao mundo “normal”, procure o castelo onde existia o dragão que lhe deu a Orbe de Luz.

    Nesse castelo tem um local que brilha o sol por uma janela, bem ao norte do interior do castelo. Lá está a entrada para o Sky World.

    Nesse extra, vc enfrentará uma espécie de Sheng Long, se derrotar ele num determinado número de turnos poderá pedir que ele realize desejos, em um deles é possível ressuscitar uma pessoa muito querida (!!!).

    Eu pretendo fazer um detonado para esse jogo, enquanto joguei fiz umas anotações, duro é arranjar tempo para escrever agora…

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