The Raid: Redemption – crítica do filme por Ninja

Indonésia manda no gênero porradaria. Quem atesta é o Ninja.
Filmes de ação policial sempre fizeram sucesso por aqui, mas durante muito tempo ficamos limitados aos enlatados americanos sendo que a maioria era repleta de clichês e boa parte deles de qualidade bem duvidosa.
Até que vieram os nossos amigos orientais e deram uma nova cara ao gênero, dois exemplos simples de filmes com qualidade: A série Police Story com o nosso querido Jackie Chan (ao menos os três primeiros), e o clássico “Hard Boiled” obra-prima do mestre da ação John Woo, com Chow Yun-Fat arrebentando no papel principal.
Mas esses são filmes já bem antigos, com mais de 20 anos inclusive. Uma produção do gênero relativamente recente e que realmente é sensacional, é o filme “Flash Point”, lançado em 2007 e com Donnie Yen em uma de suas melhores atuações. Filmão mesmo recomendo com força, mas voltando ao assunto…
“The Raid”, chega para engrossar o caldo do gênero ação policial, e prova que não precisa de nada muito complicado ou orçamento monstruoso, com ações posadas “a la Michael Bay” pra ser um filme impactante, basta dizer que ele foi ovacionado pela crítica em todos os festivais de cinema em que foi exibido ao redor do mundo, e deu ao diretor Gareth Evans todo o reconhecimento que merecia.
Antes de mais nada, por se tratar de um filme de ação com foco em um grupo de elite da polícia não espere um roteiro bacanudo e com boas sacadas como o nosso “Tropa de Elite” (embora ele tenha servido de exemplo para o diretor, como ele mesmo assumiu em entrevista ao dizer que se sentiu “inspirado” com o filme de José Padilha), aqui o foco principal não é aprofundar no enredo ou demasiadamente nos personagens mas sim na ação, crua e direta de modo que nada é suavizado. Gargantas são cortadas, pescoços são quebrados e ossos são partidos na cara do espectador, sem cortes na hora H, tudo ali escancarado pra quem quiser ver. “The Raid” é violento, agressivo, brutal e se orgulha muito disso.
A trama é simples porém mal explicada: Um grupo de vinte homens da força de elite da policia, deve invadir um enorme prédio em um condomínio nos subúrbios de Jacarta na busca de um importante líder criminoso. O único problema é que o sujeito comanda o local inteiro e seu edifício funciona com uma espécie de quartel general do crime, onde tem como “inquilinos” uma variedade imensa de meliantes que vai desde assassinos profissionais a simples viciados em drogas e todos estão sob seu comando, como se não bastasse ele sabe de tudo que se passa no prédio e nos edifícios vizinhos, resumindo; o lugar é uma cova recheada com leões e os policiais são os cordeirinhos presos bem no meio disso tudo…
Desta vez não há introdução dos personagens, suas histórias ou o porque da invasão, com exceção de quem é o vilão e aonde ele está nada mais é explicado. Evans joga quem assiste direto no meio desse caldeirão de acontecimentos e o espectador começa a tirar suas próprias conclusões a respeito do enredo por volta da primeira meia hora do filme, quando se familiariza com os personagens e suas motivações. E no caso do protagonista que novamente é interpretado por Iko Uwais que só mostra suas verdadeiras intenções ao estar ali bem mais adiante na trama.

E chegando ao ponto que interessa: Ação, posso garantir que ela não decepciona.
A equipe que dá suporte ao diretor em “The Raid” é a mesma que trabalhou com ele no divertido “Merantau” que serviu de base para que Evans acumulasse uma certa experiência dirigindo filmes de ação com foco na pancadaria, desta vez ele leva os combates para um outro nível mostrando o lado prático e eficaz do Silat como meio de eliminar ameaças. As cenas são fortes, violentas e cheias de presença, como disse anteriormente ele não tem medo de mostrar as coisas, os policiais são jogados em uma situação onde literalmente a regra é matar ou ser morto e com isso a tensão é constante, já que os “heróis” estão sob pressão o tempo todo.
Destaque para Iko Uwais que mais uma vez se mostra bastante habilidoso, não só no combate corpo a corpo mas também no uso dos mais diversos tipos de armas, e outro que também vale ressaltar é o pequeno Yayan Ruhian, que também esteve em “Merantau” e aqui faz o papel do sinistro “Mad Dog” que apesar de não ter tamanho ou aparência ameaçadora, se mostra um terrível obstáculo no caminho dos políciais.
“The Raid: Redemption” é sem dúvida nenhuma um filme divertido, violento e sem pretensões de soar maior do que realmente é. O ponto interessante é o modo que Evans comanda a coisa toda, deixando sempre uma ponta de tensão no ar, já que o filme inteiro se passa dentro do edifício onde ficamos com aquela sensação de que o caldo pode entornar novamente a qualquer momento e a coisa ficar ainda pior para o grupo de policiais, que se encontram em uma situação realmente complicada.
O filme não traz nenhuma surpresa em seu roteiro, principalmente em seu desfecho, é satisfatório realmente mas não chega a ter assim um “grand finale” no entanto é um filme que vale a pena ser visto, tanto que Hollywood já comprou a ideia e muito em breve teremos uma versão “Made in USA” com rostos famosos no elenco e um orçamento bastante generoso…
Assista, pois recentemente produções assim tão diretas e cruas mas que são divertidas, estão cada vez mais raras de se encontrar.
The Raid: Redemption – Direção: Gareth Evans – Indonésia/2011 – Crítica por Ninja
4 comentários
4 Comentários
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eu nao li a critica por medo de ter algum spoiler. Achei o trailer muito foda e quero ver o filme. Qual o nome dele em portugues? Ou é the raid mesmo? Valeu!
Esse filme é muito loko. Eu recomendo!!!
A culpa de quase ninguem conhecer esse filme que foi ate sucesso em alguns festivais de cinema, é dos americanos que ja estão providenciando um remake por lá…
Ai talves até concorra e ganhe um oscar como no filme Os Infiltrados que é um remake feito em Hollywood do sucesso de Hong Kong Conflitos Internos.
Se não me engano, o nome do filme aqui no Brasil ficou como “Operação Invasão”, e fique sossegado que não tem nenhum spoiler no texto.