EVILGAMBIT´S LAIR

desde 1999

O nascimento e fim dos arcades – por evilgambit

Ou a história (a oficial e minha) dos fliperamas, no bom português do Brasil.

 

 

O documentário do canal norte americano G4 é amplo pois começa com o assombroso sucesso comercial de clássicos como Pong, Space Invaders e Asteroides e vai até os estimulantes (e gigantescos) simuladores que Yu Suzuki criava para a SEGA nos anos 80 e 90.

Vale observar que o documentário dá muita ênfase à fase primordial dos arcades, nos arcaicos jogos da década de 80. E deixa de comentar a fase anos 90, muito mais popular dentre os leitores deste blog devido a faixa etária.

 

Mesmo assim vale a pena.

 

 

 

 

Bom, vou aproveitar o texto e comentar rapidamente a minha trajetória nos fliperamas.

Eu era bem novo quando comecei a frequentar esses lugares escusos. Geralmente bares de esquina, algumas padarias e quando fiquei mais velho passei a frenquentar os fliperamas do centro da cidade, nesta fase o foco já eram os jogos de luta da Capcom e SNK.

Os primeiros jogos de arcade que lembro ter posto as mãos foram:

 

 

Isso era final da década de 80, na época nem videogame em casa eu tinha. Era um pivete ranhento que as vezes tinha que puxar uma cadeira de ferro (daquelas dobráveis da Brahma) para poder assistir e pouquíssimas vezes jogar. Uma coisa que adorava era ouvir os samplers das trilhas desses jogos, era algo mágico na minha cabeça. O brilho excessivo das telas, a dificuldade e todo o resto me cativava.

Foi ai que nasceu meu vício maldito pelo jogos eletrônicos.

 

 

Algum tempo depois outros arcades foram chegando (e junto com alguns amigos fui descobrindo outros lugares no bairro com máquinas disponíveis, lembro-me de verdadeiras viagens de bicicleta para conferir um jogo novo).

 

 

Robocop, TMNT e ESWAT foram jogos inesquecíveis para mim e o motivo pode parecer absurdo hoje em dia: eles tinham VOZES DIGITALIZADAS. Sério, isso me impressionou muito.

Tanto que isso me lembra um determinado momento da minha infância. Minha mãe havia pedido ao pequeno aqui ir na padaria mais próxima comprar uma dúzia de pães.

Lá vou eu comprar pão. Quando chego no estabelecimento vejo uma máquina enorme das TMNT com quatro controles e volume no talo. Óbvio que fiquei lá vendo a rapaziada jogar.

Quando voltei para casa:

Eu: MÃE, CHEGOU O FLIPERAMA DAS TARTARUGAS NINJAS E ELA CANTA A MUSICA DO DESENHO! A SENHORA PRECISA VER!!!!!!!!!!!!!!
Minha mãe: Ok, e os pães?
Eu: Que pães?

 

Foi com ESWAT que eu comecei a tomar gosto pela coisa e jogar com seriedade, decorando passagens e colecionando experiência para a infame tarefa de terminar com uma ficha. Robocop eu só fui conseguir fazer isso no MAME em 2003.

Outros jogos da SEGA me marcaram, como Golden Axe que era delicioso de jogar com um amigo e outros jogos de porradaria, em especial os da Capcom como Final Fight e Captain Commando.

 

 

E em 1992 eles chegaram e tomaram o planeta de assalto.

Sim, os 8 “world warriors”.

 

 

 

Ai veio a febre. Todo mundo queria um Super Nintendo, todo dono de Mega Drive lamentava e qualquer tostão sobrando se tornava fichas pois os melhores jogadores do bairro, da cidade e da região começavam a disputar entre si. A Capcom alimentou a sede por novidades com sequências e outras séries até o final da década de 90 e vale ressaltar, a SNK chegou a dividir meu coração como Samurai Spirits, Fatal Fury Real Bout Special e KOF 98.

Eu tenho essas memórias guardadas com carinho e muita pena desta geração Playstation que aprendeu a gostar de jogos piratas e nunca soube e nem saberá valorizar o valor do “coin up” até o “thank you for playing”.

 

Os fliperamas agora são apenas história e eu só posso relembrar (e emular).

 

 

Se você quer ler mais sobre os saudosos fliperamas, recomendo clicar aqui e ler o artigo do Ninja.

 

7 comentários

7 Comentários

  1. Postado por Ripclaw em 12/01/2012 21:03

    evil, como vocÊ sabe sou um pouco mais novo que você, mas cresci jogando desde o master system até o super nintendo, realmente foi a época que eu mais guardo boas lembranças em relação a jogos…

    Não que as gerações seguintes não tenham sido boas, só acho que hoje em dia pouco da industria gamistica é feita com o coração e a dedicação da nossa época, tornou-se menos “coisa de criança”, assim como quase tudo nos dias atuais a fase criança anda muito esquecida…

  2. Postado por Rubens DRT em 13/01/2012 04:54

    É por isso que eu leio a EGL.

    Por posts como esse :)

  3. Postado por Flabis em 13/01/2012 07:02

    Meu primeiro contato com os fliperamas também foi com Trojan e não parei mais. Quem nunca gritou: “Ô TIO, TRÁS LOGO A FICHA ‘QUÊ O CONTINUE TÁ ACABANDO”, não sabe o que é desespero.

    Um amigo meu colocou Samurai Shodown 2, Real Bout Special e KoF 97 na garagem e pelo menos duas vezes por mês a galera das antigas se reunem pra gastar uma pequena fortuna em fichas lá.

  4. Postado por Maiquinho em 13/01/2012 13:56

    Se isso fosse facebook eu curtia o comentário acima :p

    Tem razão Evil, época mágica mesmo. O que mais me impressionou até hoje foi um street fighter 2 hackeado que eu vi uma vez em um bar sujo. O Ryu conseguia preencher a tela com hadoukens, aquilo era muito mágico pra mim.

    O rubens tem razão, é por esse tipo de post que a gente continua voltando aqui sempre.

  5. Postado por lightcreation em 13/01/2012 20:51

    Lembra de Vendeta e Knights Of The Round nos arcades ? A rapaziada se agarrava à unica máquina aqui em Cabo Frio até o bolso ficar vazio, isso tudo, só para ninguem pegar o lugar dele na máquina.

    Ah, esqueci de Cadillac & Dinossaurs. Esse também foi uma febre sinistra

  6. Postado por lightcreation em 13/01/2012 21:07

    Meu momento mágico nos arcades se deu em ácidos 8 anos.

    Quando moleque, estava ainda aprendendo a jogar SFII CE, e com Blanka (veja só !?), quando um marmanjo entra Versus sem pedir e me derrota com aquele truque fajuto de rasteirinhas e throws. Óbvio que naquela época eu, com 12 anos, e o cara com um vinte e muitos, não sabia sair daquele “macete” (todo mundo adorava essa expressão). O infeliz ficou rindo da minha cara, zoando, falando “aprende com o papai”, essas porras assim. Terminou perdendo na quarta rodada, acho que para a Chun Li. Mas, eu gravei bem a cara do sujeito, até que …

    8 anos depois, o sujeito tinha a mesma cara feia … e solitariamente jogava numa máquina de X-Men X Street Fighter, quando …

    Pense em um cara que em 8 anos parece ter jogado casualmente, e do outro lado, eu – o pirralho, que passei 8 anos me especializando no Guile/Charlie/Nash. Eu na época era uma negação com Ryu e derivados.

    Bom, vocês devem pensar que eu trucidei o cara … na verdade, eu o estuprei arduamente, sem KY nem cuspe. Wolverine apenas assistiu ao espancamente de Ryu e Ken … literamente sendo dilacerados.

    Bom galera, foi um desabafo legal. Até a proxima aí.

  7. Postado por Mihalski em 14/01/2012 07:44

    Quem tem seus “trinta anos de carreira” sabe o que era guardar uns trocados do pão para se “deliciar” nesses locais obscuros (locais que os pais “adoravam” por sinal).

    Esse foi o 1o game que eu joguei num lugar assim:
    http://www.youtube.com/watch?v=ZejXWYGmTrQ

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