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Conan o Bárbaro – crítica de cinema por evilgambit

Conan, o que é melhor nesta vida?

- Esmagar meus inimigos, vê-los cair diante de mim e ouvir a lamentações de suas mulheres.

 

 

Conan é considerado o precursor do gênero espada & fantasia, criado por Robert E. Howard nos anos 1930 sob a forma de contos, posteriormente capitulados em livros e adaptado para as HQ´s (em especial a MARVEL) à partir dos anos 70. Muita gente acabou conhecendo o personagem graças à maravilhosa arte de John Buscema nas lendárias edições de a ESPADA SELVAGEM DE CONAN e eu me encontro nesta categoria.

O personagem é forte, carismático e sempre pronto para esmagar crânios mas além disso o que sempre me fascinou em suas história é o pano de fundo, os personagens que tornam seu universo tão interessante e o misto de fantasia e fiel base com a realidade na geografia da era Hiboriana. Existem muitas similaridades geográficas e étnicas no universo de Conan com o nosso mundo real, tornando-o mais crível e ao mesmo tempo fantástico pois trata-se de um mundo visionário e fonte de inspiração para muitas obras posteriores.

 

Após um excelente filme com misto de idéias do diretor John Milius e o escritor Oliver Stone em 1982 e algumas seqüências fatalmente esquecíveis, eis que finalmente o cimério retorna à tela grande.

Por CROM, será que a espera valeu a pena?

 

 

Depende muito das suas expectativas (e exigências). Como um filme de espada e fantasia e direcionado a um público que pretende descompromissadamente curtir duas horas acéfalas na sala escura do shopping, devo admitir que o Conan de 2011 não deve falhar. A receita é seguida à risca, sangue, mortes, cavalos, um vilão montado com frases de efeito e um protagonista bastante esforçado no papel. O problema esta na direção deste macarrão instântaneo.

 

O Conan de 2011 tem nímias qualidades que merecem destaque: Jason Momoa teve a dura missão de substituir Schwarzenegger no imaginário do grande público mas o porte físico e carisma lhe conferem uma abordagem diferente para o personagem, sem diminuí-lo. Outra coisa que destaco nesta versão é a ambientação e caracterização da era Hiboriana, partindo dos magníficos uniformes dos soldados, na grandiosidade das pelejas e na sujeira das tavernas umedecidas com hidromel e cerveja Zamoriana.

 

Os pontos positivos ficam por aí, a premissa do filme é a mesma do original de 1982; novamente Conan busca vingança contra um tirano que assassinou seu progenitor e todo o vilarejo cimério. Porém a regência da película despenca assim que o antagonista mais patético do cinema moderno começa a ganhar destaque, convenhamos que um tirano conquistador que precisa da filhinha feiticeira para realizar absolutamente tudo é patético num filme do gabarito de Conan…ou de qualquer outro espada & fantasia que se preze.

 

 

A falta de coerência é uma constante, um exemplo consistente é quando a discípula de um templo que preza a vida (par do cimério e insonsa o tempo inteiro) demanda a morte de um sujeito logo após conseguir alguma informação, com a mesma naturalidade de quem rejeita uma pizza erroneamente solicitada.

A ação constante e violência implacável tentam a todo momento cobrir as falhas no roteiro e os diálogos lamentáveis e até que seria uma boa saída se o diretor Marcus Nispel tivesse algum talento no assunto, sujeitinho ainda acostumado a reviver franquias de terceira categoria como “Friday the 13th” e “The Texas Chainsaw Massacre”, Nispel aposta na violência sem qualquer qualidade cinematográfica, de forma totalmente gratuíta e enfadonha, como num plágio de God of War.

 

 

E as decepções só aumentam se você for um autêntico fã dos personagens de Robert E. Howard pois não adianta apenas citar o “Conto da Torre do Elefante” ou vestir a tal sacerdotisa de puro sangue como a corsária” Valéria” na vã tentativa de tentar agradar quem conhece o personagem, quem vai ao cinema sendo fã ou não espera acima de tudo um bom filme, porém o que fica nítido é que provavelmente o único que realmente levou a sério toda a coisa foi Jason Momoa.

 

Lamentável. Tinha tudo para ser um bom filme e um boost para um universo que tem tanto a ser explorado na grande tela. O Conan desta geração corajosamente eu afirmo que já encontraram, agora só falta valorizarem melhor a franquia contratando um diretor que entenda de cinema.

 


Conan o Bárbaro – EUA/2011 – Direção: Marcus Nispel – crítica por evilgambit

 

6 comentários

6 Comentários

  1. Postado por Ninja em 28/09/2011 22:00

    É… Minhas expectativas já diminuiram um pouco no quesito fidelidade a obra original.

  2. Postado por Flabis em 29/09/2011 08:23

    Cara, não sei porque pegaram tanto no pé desse Momoa. Ok que ele não é um primor de ator, mas se saiu muito bem e como você bem disse, parecia o único a levar aquilo a sério.

    Eu curti do prólogo até quando ele mata mercadores de escravas e leva as escravas peitudas para comer. Realmente achei que seria bom, mas daí a incompetência do diretor mostrou sua cara. Uma pena.

    Vi em algum lugar que Momoa ja está escrevendo o roteiro da sequencia. Na hora eu ri, mas levando em consideração que ele é fã, e já mostrou que é bom no papel, eu boto fé. Só falta achar um bom diretor agora.

  3. Postado por Rockman em 29/09/2011 10:56

    …fico aliviado em saber que ao menos Jason Momoa está digno como Conan, uma vez que o grande problema de muitas boas “franquias” do passado contendo o Schwarza é exatamente a impossibilidade imediata de se pensar em alguém para vestir o manto…

  4. Postado por JG em 1/10/2011 00:26

    Vi hoje e me surpreendi. Provavelmente pq ouvi tanto falar mal do filme que fiquei anestesiado. O Momoa não compremeteu, os outros atores estavam no modo automatico, mas eu curti a bruxinha lá. A produção do filme ficou bacana, os cenários, o figurino e etc. Não passaram vergonha, pelo menos nesses quesitos. A trilha também dá pra engolir.

    Mas de fato, o diretor cagou no pau. Ele deve ter editado essa merda em 2 horas pra ter ficado tão avacalhado assim. Aposto que eles gravaram material suficiente pra fazer um filme bem melhor do que essa versão final.

    E cara, melhor definição desse filme que eu vi até agora “provavelmente o único que realmente levou a sério toda a coisa foi Jason Momoa.”

    Tomara que haja uma continuação e que seja legal.

  5. Postado por Gorin em 2/10/2011 00:58

    Concordo com a maioria das coisas, mas acho que o Conan de 2011 sofre de um problema que já existia no 1o filme do Schwarza, mas em um grau muito menor. Os dois filmes são mal editados, algumas transições de cenas são engasgadas, mas o filme desse ano é exponencialmente pior nisso.

    Claro que o aspecto visual melhora MUITO, mas tem problemas de atuação e direção que acabam com o filme. O Thulsa Doom é patetico visualmente, mas a atuação do James Earl Jone (incluindo seu porte e impostação de voz) me deixavam cagado quando era criança. O Khalar Zym no entanto tem até um visual bacana, mas não assusta nem minha prima de 4 anos!

  6. Postado por evilgambit em 2/10/2011 01:41

    Eu já acho um erro comparar o Conan de 82 com o atual, são filmes diferentes e para platéias MAIS ainda.

    Como cinéfilo eu prefiro o original de 1982, até pq o John Milius manja de cinema. A trilha sonora é espetacular e o crescimento/surgimento do personagem é fabuloso, além de ter personagens cativantes como Subotai e a Guerreira linda e atlética.

    Como vc mesmo disse, visualmente o filme envelheceu mal, mas as boas atuações são para sempre. Eu o tenho em BR e sempre dou risada dos cortes de cabelo a ala Bruce Dickison….

    Nos filmes de ação/épico/pipoca de hj em dia nem dá mais para se exigir boas atuações, mas não seria impossível colocar um vilão decente e um diretor q tivesse ao menos um filme de responsa no curriculum.

    Por CROM, o cimério merecia ao menos isso.

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