Outrage – Crítica do DVD por evilgambit

Escrito, dirigido e editado por Takeshi Kitano.
Autoreiji (Outrage no resto do mundo) é o último filme de Takeshi Kitano, mas não o primeiro dele a retratar a máfia japonesa. Em Brother (de 2000, lançado em DVD por aqui) a temática foi visitada, porém de forma bastante romantizada ao introduzir exilados da Yakuza no crime organizado da cidade de Los Angeles.
Enquanto Brother focava em caracteristicas bastante exaltadas na tradição cinematográfica quanto ao tema como as rígidas formalidades da máfia japonesa tendo quase sempre a exaltação da lealdade absoluta à organização e seus apadrinhados, Outrage mostra uma realidade mais tangível, mais focado na atual formatação da Yakuza dos dias de hoje.
A afamada organização criminosa japonesa nasceu como uma milícia que defendia os interesses das pessoas numa época onde o governo não queria ou não podia fazê-lo. A organização ganhou força no pós guerra com o Japão em frangalhos após duas bombas atômicas e uma economia praticamente dizimada, foram as famílias e clans organizados que eliminaram bolsões de crimes menores e impediram a inserção de criminosos de países vizinhos que tentaram em vão parasitar a sociedade japonesa, bastante vulnerável à época.
Hoje eles estão inseridos na política e bolsões econômicos como a prostituição, jogo e trabalhos de extorção e chantagem sobre comércios, instituições e pessoas com influência social. A linha tênua entre o que é considerado crime na a e a corrupção institucional de fato é o que faz a Yakuza sobreviver como economia de mercado atualmente, mais interessante é que eles só se sobressaem perante a pacata sociedade japonesa quando estão em guerra, pelo domínio do controle da arrecadação e influência local, é exatamente neste ponto que Outrage se sobressai.
Takeshi Kitano é Otomo, um soldado leal pertencente a uma família dentre várias que compõe o clan Yakuza local, é através dele e de outros personagens menores que fica notável elementos interessantes como o funcionamento da arrecadação criminosas e sobre como as divergências são resolvidas, muitas vezes à bala.
Porém são meros marionetes, devidamente articulados pelos líderes das famílias que disputam o controle do clan, que dançam o velho balé pela disputa do poder como uma versão nipônica para O Poderoso Chefão de Francis Ford Coppola.
Kitano como diretor não economiza na violência plástica, no silêncio quase constrangedor e na fotografia bem executada (a cena inicial particularmente é belíssima), qualidades reconhecidas em seus filmes. E não deixa de inovar ao retratar a Yakuza com maior realismo pois acabou sendo um dos melhores filmes que já vi retratando o tema e curiosamente é o que menos precisou florear ou cortar dedos mindinhos só para impressionar a platéia.
A realidade no caso é mais interessante. E porque não dizer, mais relevante.
Outrage – Japão/2010 – Direção: Takeshi Kitano – Crítica por evilgambit
1 comentários
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Quando começam as revelações desse filme… Foda!
Plot twists, mal posso ver seus movimentos.