Aberturas dos jogos de Neo Geo – por evilgambit

Eu adorava jogar KOF nos anos 90.
No auge do gênero, a série The King of Fighter´s foi a única que realmente brigou de igual para igual com Street Fighter e suas lendárias ramificações nos arcades e disputadas conversões para os consoles da época.
Enquanto a Capcom apostava nos louros do genial SFII, de 1991, trazendo apenas sensíveis novidades aos jogadores, a SNK trouxe quantidade e qualidade ao seu acervo de propriedades intelectuais para rivalizar com a concorrente. KOF é um bom resumo desta capacidade e dentre tantas qualidades, a série (e a produtora) tem um ponto a ser destacado: ela sempre soube trazer vida aos seus personagens.
O enredo desses jogos nunca precisou ser uma maravilha, mas a personalidade criada para eles era fundamental para criar um vínculo com o jogador. Iori Yagami é inimigo mortal de Kyo Kusagani, Andy Bogard tem a felicidade de ter Mai Shiranui como namorada e por aí vai, e esse apelo com os jogadores se dava nas belas introduções aos personagens, com animações que hoje eu considero como “sprite art”.
Inesquecível.
Além disso os jogos da SNK sempre tiveram excelentes aberturas. Aproveitando-se de um hardware superior e com bom estoque de memória para gastar, a empresa sempre caprichou neste aspecto.
Vejamos as minhas preferidas:
Série KOF
Todas são bacanas. Note como a de KOF94 tem vozes digitalizadas sem qualquer sentido lógico. Fora o “OKAY” e “ORA ORAA”, clássico!
A minha preferida é a de KOF97 pois acho ela muito bem “editada”. De KOF2001 em diante a série não foi mais a mesma, porque a SNK como conhecemos tinha ido para o buraco.
Samurai Shodown 1 e 2
A introdução do primeiro Samurai é verdadeiramente épica. Haohmaru cortando as luminárias xintoístas e a àrvore reflete a supremacia visual do Neo Geo em 1993. SF2 CE dava para jogar com Sagat e em MK era possível arrancar cabeças. Mas ninguém superou o sangue novo que a série SS trouxe para o gênero.
Samurai Shodown 2 é a evolução natural e é considerado por muitos como o melhor e mais bem acabado jogo da plataforma. A introdução apresenta velhos e novos personagens como se fosse uma propaganda de peça de teatro Kabuki no centro velho de Tókio.
Série Fatal Fury
Fatal Fury 3 foi completamente redesenhado em sua terceira edição. A SNK caprichou nas animações, interlúdios com diálogos entre os personagens e um enredo bem amarrado. Um jogo feito para os fãs e com um potêncial tão bom que foi otimizado em Real Bout: Fatal Fury e Real Bout: Fatal Fury Special.
A introdução é fantástica, com direito à vozes digitalizadas e uma animação decente.
Já Real Bout 2 tem uma abertura bem curta, mas muito bem animada – tudo para apresentar dois novos personagens. O cartucho foi um dos primeiros “GIGA POWER SHOCK”, os jogos da plataforma tinham chegado à casa dos gigabytes.
E Garou – Mark of the Wolfes foi o último da série Fatal Fury e tinha DUAS aberturas. A segunda você confere clicando aqui. O jogo teve a dura missão de abandonar boa parte do elenco clássico, mais ou menos como SFIII, mas sofreu de severos bugs na jogabilidade. O jogo passou batido nos arcades japoneses pois tinha bugs toscos que possibilitavam combos infinitos e merdas do tipo.
Mas mesmo assim, Garou tem fãs ardorosos até hoje. Em muito pela excelente animação dos personagens e cenários belíssimos.
Série Art of Fighting
Eu lembro até hoje, jogar Art of Fighting pela primeira vez no bar ao lado de casa foi um choque. Personagens detalhados e gigantes, trilha sonora caprichada, vozes digitalizadas, hematomas e efeitos de zoom em cenários fotorealistas (bom, na época eu achava bem realista…).
À época as locadoras de VHS serem abarrotadas de filmes de luta. Foi o auge do baixinho Van Damme e similares, Art of Fighting era a digitalização da modinha dos filmes de porrada e alongamentos de pernas exacerbados nos videogames. Hoje em dia eu não consigo me acostumar à jogabilidade da série, acho quebrada demais, mas adoro a direção artística e a tradição da SNK de focar no enredo dos personagens, tudo isso com composições musicais sublimes.
Jogos de Neo Geo analisados na EGL:
KOF94
Art of Fighting 2
Art of Fighting
5 comentários
5 Comentários
Deixe um comentário (construtivo)
[...] This post was mentioned on Twitter by Laerte Peotta. Laerte Peotta said: RT @evilgambit Aberturas dos jogos de Neo Geo – por evilgambit – http://j.mp/e8tfWK [...]
tenho que dizer que minha geracao teve uma das melhores epocas
ainda se pudia vadiar na rua, brincar de taco, fazer estilingue
viver escondido em bares jogando arcade
os jogos acredito que por toda limitacao da epoca eram bem mais criativos
mulecada de hoje em dia nao tem nada disso
apesar de ainda sairem jogos muito bons
parece que eh soh mais do mesmo
passo mais tempo jogando classico do que os jogos novos
e dificilmente vou ter tantas horas de jogo em novos jogos qto os antigos
Era uma época diferente… Aqueles bares sujos com arcades, que vinham com um cinzeiro no meio hahaha. E pensar que uma das coisas que me chamou a atenção pro cigarro foi esse maldito cinzeiro.
Enfim, ótimo post. Acho que dessa época você só esqueceu de citar um outro clássico (que no fundo é uma cópia barata de SF2): World Heroes! Ao menos aqui na minha cidade era bastante jogado.
Fui pra Porto Velho e lá tinha um boteco com uma máquina onde dava pra ESCOLHER AS PLACAS DOS ARCADES. Poutz, acho que passei por todas as décadas… os jogos desse post foram todos ownados enquanto eu esperava pra tocar.
E a King só de sutiã na imagem da chamada nem foi proposital, né..