O Sega CD do evilgambit

É… eu tenho um Sega CD.
No natal de 1993 eu andava meio entendiado. Eu já havia enjogado de jogar Street Fighter II no Snes e queria algo novo. Afinal de contas eu era um adolescente devidamente empregado ( puta que pariu… eu era office boy ) e tinha uma grana para gastar, dentre outros, com meu hobby: os videogames.
Eu lia revistas de videogame esporádicamente. E através delas fiquei sabendo de um videogame lendário: o PC Engine que rodava jogos em CD. Mas nenhuma revista me convenceu que isso poderia converter-se em bons jogos como Super Metroid ou Ghost n´Ghost do Snes. Portanto, nunca dei importância para a tal mídia digital.
Um ano antes eu havia comprado o Mega Drive, modelo japonês vindo da bagagem de um parente que resolveu voltar do Japão. Era bacana pois finalmente estava jogando coisas como Golden Axe, E-Swat, Gaiares e um dos meus favoritos: EX RANZA na comodidade do meu quarto escuro e sujo. Tinha pego gosto pela Sega e resolvi apostar uma pequena fortuna no SEGA CD, que eu já namorava a um tempo na locadora da minha cidade.
Veja bem. Eu escolhi o SEGA CD por dois motivos:
1- Ele era bonito
2- CD´s são o futuro – é o que todos diziam – e eu fui na onda.
Quando fui encomendar meu acessório digital do Mega Drive o dono da locadora (e muambeiro semanal assumido) me recomendou a segunda versão do SEGA CD pois era vergonhosamente mais barata. Para entender melhor tudo isso, vamos explicar porque o SEGA CD nasceu:
O SEGA CD foi concebido pelos engenheiros da SEGA no Japão para fazer frente à ameaça do PC ENGINE CD e Snes. O console da NEC era bastante popular no Japão e a SEGA visualiza como trunfo ser proprietárias de algumas franquias famosas e de ter um relacionamento melhor com as softhouses terceirizadas, então pensaram: vamos fazer um acessório para o Mega Drive, nosso console mais bem sucedido de todos os tempos, e torná-lo mais poderoso que o Super Nintendo e mais barato que o PC ENGINE CD (e ele era caro, um PC ENGINE CD completo não saia por menos de 500 dólares no começo da década de 90 no Japão).
O resultado foi um acessório sofisticado, mais poderoso (mas com severas limitações) que o PC ENGINE CD, tinhas as firulas gráficas (zoom e rotação -aka mode 7) do Super Nintendo, mas era caro pra caramba.
A primeira versão do MEGA CD ( como era chamado no Japão ) custava quase 400 dólares. E você ainda precisava do Mega Drive para joga alguma coisa. Quando a plataforma foi lançado em outros mercados ao redor do mundo, a SEGA resolveu baratear a produção e lançou uma segunda versão da plataforma.


Note que a primeira versão ficava abaixo do Mega Drive e era todo futuristico; cheio de LED´s animadores e uma bandeja de CD mecanizada. A segunda versão já veio formatada e preparada para o MEGA DRIVE “SLIM”, aquele que parecia um waffle, mas também suportava o modelo clássico do console graças à uma desonrosa gambiarra. Ele só tem o LED vermelho que sinaliza a leitura do disco e um botão para abrir a tampa do CD-ROM.
Acabei comprando a segunda versão, a mais popular diga-se de passagem. E junto com ele veio um tal de Sewer Shark…
Chegando em casa com a enorme caixa azul, duas coisas passaram pela minha cabeça.
1- Como aquilo era PESADO.
2- Afinal, o que eu vou jogar nele?
Na verdade existiu um terceiro pensamento: SEWER SHARK?!
Desembalei o aparelho (só eu sinto um prazer inominável fazendo isso?), me virei com as instruções para encaixar meu Mega no SEGA CD e acabei tendo que ir até o supermercado para comprar uma extensão de tomadas, visto que o aparelho usa outra fonte de energia e como tinha apenas uma tomada no quarto liberada para meus consoles não havia maneira de encaixar duas enormes e pretas fontes de energia.
Esta foi minha primeira experiência com jogos em CD-Rom pois na época eu ainda não tinha um computador pessoal em casa e devo admitir que visualizar imagens gravadas com granulação medonha e acompanhar diálogos falados e absurdamente mau escritos demonstrou-se bastante divertido à principio.
Nos meses que se seguiram eu acabei comprando 4 jogos para a plataforma, além do Sewer Shark que infelizmente veio junto com ele.
Sewer Shark
Confesso que fiquei impressionado em ver um FILME GRAVADO rodando no videogame. Mas até para mim, que não tinha lá um senso crítico muito amadurecido, ficava meio óbvio que a direção, diálogos e principalmente a história era completamente idiota!
A jogabilidade limita-se a controlar uma mira para atirar e exterminar ratos mutantes que vivem no esgoto pós-apocaliptico de uma metrópolo gringa e em alguns momentos é preciso pressionar botões na ordem correta para “controlar” uma nave escrota e seu co-piloto mais escroto ainda. O filha da puta passa o jogo todo te chamando de “DOG MEAT”, valeu pelo brinde SEGA!
Final Fight CD
Final Fight fez história no Super Nintendo mas convenhamos, era uma versão bem limitada. A Sega negociou os direitos do jogo e programou uma versão para o SEGA CD completinha e quase que idêntica ao arcade.
A trilha sonora foi refeita para usufruir da qualidade digital do disco, todas as fases e personagens do arcade estavam presentes, havia um inédito modo Time Attack e uma nova abertura com cenas inéditas e completamente dublada agraciava os fãs. Talvez tenha sido o jogo que mais joguei no SEGA CD. Principalmente quando algum amigo ia jogar lá na casa dos meus pais.
Tomcat Alley
O SEGA CD inaugurou a moda do FULL MOTION VIDEO. Animações e live action que rolavam na TV e você controlava de forma simplória apertando alguns botões para avançar ou não no jogo. Era legal à principio mas depois de pouco tempo ficava bem evidente que a jogabilidade era baseada em erro e acerto e que os filmes e animações em 90% dos casos eram bem passáveis.
Eu aluguei Tomcat Alley pensando que seria mais um full motion video, e era mesmo. A diferença é a temática fodástica com F-14´s cortando um céu azulado e rolando em fullscreen no meu tubão de 20´. Eu lembro que meu pai assistia eu jogar e ficava embasbacado ao me ver derrubar aeronaves inimigas em um jato norte americano altamente cultuado na década de 80.
Ele acabou me dando de presente.
4 in 1 Sega Classics
Acho que foi a primeira coletânea da minha vida, o disco vem com 4 jogos do Mega Drive: Golden Axe, Revenge of Shinobi, Columms e Streets of Rage.
Graficamente são todos idênticos aos originais em cartucho e a única diferença estão nas musicas, efeitos sonoros e vozes digitalizadas, tudo melhorado e límpido graças ao maravilhoso CD. Não vou dizer que me sinto o ser humano mais inteligente do mundo ao ter gasto uma grana nesta coletânea, mas tenho que lembrar que foi através dela que conheci duas séries fantásticas: Streets of Rage e Shinobi.
Streets of Rage é muito divertido, bem mais light se comparado à porradaria de Final Fight e com uma trilha sonora eletrônicamente ÉPICA. E Revenge of Shinobi, na minha opinião, só rivaliza com a série Ninja Gaiden do Nes, é ação plataforma de primeira linha, o ápice do gênero que fez muita gente gostar de videogames na época de seu lançamento.
O 4 in 1 da Sega demonstrava bem como o hardware do SEGA CD era mal aproveitado. Boa parte da biblioteca da plataforma consiste em jogos que poderiam muito bem ter sido lançados como cartucho para o Mega. Muitos jogos de aventura, ação e plataforma tinham o visual e jogabilidade típicos do Mega Drive e as softhouses davam-se ao trabalho apenas de colocar uma introdução animada e algumas vozes digitalizadas no pacote. Pronto, estava pronto mais um jogo de SEGA CD…
A maioria das empresas, na época, não sabiam como utilizar os mais de 500 megas disponíveis na mídia pois estavam habituadas a desenvolvem em cartuchos de 4 e 8 megas. Melhor dizendo, a maioria das empresas ainda não tinha capital para investir em produções que fizessem jus à plataforma.
Silpheed
Me lembro até hoje. Aluguei Silpheed sem qualquer conhecimento prévio pois apenas tinha gosto pelo gênero. Quando cheguei em casa e coloquei o disco no SEGA CD quase infartei com a fantástica abertura composta por gráficos poligonais que até então eram exclusividade daqueles arcades de 1 tonelada disponíveis nos shopping centers da época.
Trata-se de um shooter vertical, bem simples, com a velha temática bélica “você é a unica salvação da terra contra inimigos alienígenas asquerosos”. Os cenários eram belíssimos e com alto grau de detalhamento e variedade. Você sobrevoava um interessante planeta cibernético para em seguida combater frotas de naves espaciais colossais que degladiavam no espaço infinito.
A trilha sonora fazia juz à mídia digital trazendo composições fortes e inspiradas.
A produção do jogo fez uso inteligente da mídia: socou filmes renderizados que passavam no cenário, musicas pomposas e interlúdios cinematográficos soberbos. Mas sendo sincero, Silpheed nada mais é que um shooter mediano. Se você tirar a casca gráfica temos um jogo que perde em jogabilidade para Aleste ou Axelay, por exemplo.
Além dos jogos acima citados e jogados à exaustão por mim, eu poderia ainda citar:
Lunar – série de J-RPG que conta com seguidores até hoje.
Sonic CD, adorado pelos fãs da série.
Snatcher, o adventure cyber punk de Hideo Kojima que foi lançado oficialmente no mercado norte americano (e devidademente censurado).
Mansion of Hidden Souls, adventure bacana para a plataforma.
Mortal Kombat, um pouco mais bonito que a versão do Mega e com trilha sonora renovada.
Já que estamos falando do MK do SEGA CD, para matar a saudade confira abaixo a famosa introdução da versão, que estranhamente, tinha cenas do MK do Super Nintendo…
A sorte é que as locadoras de jogos da época deram suporte interessante para o SEGA CD e eu sempre tinha um jogo novo para alugar nos finais de semana.
Eu me diverti muito com o SEGA CD, mas admito que ele foi subutilizado pelas produtoras e não valeu a grana que desembolsei nele. A plataforma adicionava poder à CPU do Mega Drive, coloca mais memória RAM e melhorava consideravelmente a qualidade sonora mas não aumentava o número de cores simultâneas disponíveis na tela. Não era raro notar que um jogo de PC ENGINE ou Super Nintendo parecia melhor e mais colorido que um jogo de SEGA CD graças à esse pequeno detalhe.
Sinceramente… o PC ENGINE de 1988 conseguia dispor mais cores simultâneas na tela que o SEGA CD e o Mega juntos.
A modinha FULL MOTION VIDEO nasceu no SEGA CD e morreu com uma resolução um pouco melhor no 3DO.
Depois do SEGA CD ficou claro que comprar add-ons para console é uma grande furada…
Eu tenho meu SEGA CD até hoje e nas últimas férias de janeiro (de 2010) eu acabei ligando-o na sala para boas partidas de Silpheed e Final Figh CD. É bacana relembrar os bons tempos, o princípio da era digital nos videogames e visualizar hoje os tropeços e acertos das empresas que ousaram inovar na indústria gamística.
Pode-se dizer que o SEGA CD tenha sido o começo do fim da Sega. Pois na sequência tivemos o 32X, em seguida o Sega Saturn e finalmente o Dreamcast. Todos eles foram marcados por erros no gerenciamento perante o que o mercado esperava ou como foram afetados pela concorrência cada vez mais acirrada.
Não me arrependo de ter comprado o SEGA CD, admito que ter comprado uma plataforma sem pensar antes nos jogos disponíveis consagra-se como um dos maiores erros que um gamer possa cometer, mas também não dá para esquecer as boas risadas jogando Time Gal ou o embasbacamento com o final cinematográfico de Silpheed.
Tem gente que aprende com o erro – eu me diverti com o meu.
14 Comentários
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Manly tears Evil, manly tears…
Impressionante CD’s com mais de 15 anos ainda funcionando.
Acho difícil isso acontecer com as mídias que temos hoje em dia. Bluray por exemplo, por melhor que você cuide, sempre vai acabar tendo um risquinho ou outro só no manuseio, e um risquinho numa mídia que comporta 25, 50GB é um monte, num CD nem tanto.
Belo texto evil. Você realmente passou a sensação que quase todo mundo que comprou o Sega CD teve (inclusive eu): “O que vou jogar agora?”
Eu gosto muito do Sega CD, e dois jogos dele entram na minha lista de favoritos: Lunar 2 Eternal Blue e Popful Mail, que nada mais é que um WonderBoy “disfarçado” e mais bonito, sem contar Snatcher e Silphed que também são bons jogos.
Ainda me lembro quando meu pai apareceu com aquele trambolho na caixa. O meu veio com o Tomcat Alley e nunca consegui zerar aquela porra!
Lembro de outros FMVs que faziam sucesso nas locadoras fedidas de bairro como o Space Ace e o classico Dragon’s Lair (com animações épicas feitas pelo Sr. Bluth). Tinham os dois jogos do batman (revenge e o Adventures of Batman and Robin), os quais só tinham uma fases de corrida estranhas a mais e animações durante o jogo… Realmente foi um hardware desperdiçado.
Quanto aos Add ons Evil, realmente o 32x foi um tiro no pé. A unica coisa legal dele era jogar o Virtua Fighter em casa (eu alugava o 32x e os jogos) sendo que todo mundo só via aquilo no arcade, uma vez que o Saturn só foi começar a aparecer por aqui em idos de 2006.
Eu tive um MEGA, e quando saiu o Sega CD eu salivei de vontade – e ganhei um.
Anos depois eu o vendi e comprei um Saturn. Depois fui pros PCs e (antes de existirem emuladores de SCD) me vi dando lances no Mercado Livre por um CDX – que tenho até hoje, mas está guardado.
Atualmente rodo os jogos de Sega CD no meu PSP, e devo dizer que titulos como Sonic CD e Silpheed me divertem até hoje da mesma forma. Silpheed, inclusive, é um dos meus shooters favoritos junto a série Gradius – considero a versão do Sega CD superior a versão do PS2 e poderia apontar varios motivos pra isso.
Snatcher eu só tive a oportunidade de jogar quando eu ja tinha o CDX. Baixei o jogo na net, gravei a ISO e devo dizer que fiquei muito impressionado com ele – tornei-me fan instantaneamente e torço até hoje por um remake na PSN ou um full remake do jogo. Provavelmente é um jogo que eu não saberia apreciar se eu o tivesse jogado da primeira vez em que tive o SCD (até pq tinha uns 11 ou 12 anos e nao saberia lidar com o ingles e a quantidade de textos).
Quanto aos FMV, é verdade que eram meio toscos, mesmo assim bastante divertidos. Muita gente os odeia, mas eu gosto de Sewer Shark, gosto muito de Tomcat Alley (que teve uma bela de uma produção pra época – inclusive me lembro de assistir na TV um especial de “A MAGIA DO CINEMA”, serie que mostravam os efeitos hollywoodianos, inteiramente dedicado a produçao do Tomcat) e me amarro muito em Road Avenger (cuja introduçao no SCD tem uma trilha sonora muito, MUITO cool – bem mais legal que as das versoes pra PSX e Saturn).
Spiderman vs Kingpin também foi um bom exemplo de como turbinar um jogo ja lançado pra MEGA: trilha sonora espetacular (sério, quem gosta de um rock instrumental a la Satriani deve pesquisar no You Tube pela trilha sonora), varios cinematics (cheap, mas pra época era bem feitos), e mudanças drasticas na propria forma de jogar (vc tinha o mapa da cidade e jogava os levels da forma e na ordem que quisesse).
Foram poucos jogos, mas experiencias totalmente válidas que todo gamer deveria ter experimentado na época.
Poxa, qualquer dia desses preciso jogar no ar o meu site dedicado a Silpheed… LOL.
Acrescentaria nesta lista mais alguns jogos,
o excelente popful mail já citado pelo gillian e para os fans de estratégia shining force cd, dark wizard e dune
Estranho… eu jurava que tinha deixado um comment aqui. Desculpa, se eu disse algo que não devia.
BP, os comentários precisam ser autorizados por mim para serem postados.
Fique tranquilo, seu depoimento esta ai para ser prestigiado.
É, como eu já disse lá no orkut, o Sega CD foi o inicio do fim pra Sega, nisso concordamos.
Era deprimente saber que tinha-se pago uma nota no bagulho e não havia games em quantidade aceitavel pra jogar. E os que tinham eram como você disse, um game como qualquer outro de cartucho com uma apresentação e final bacanudos, um puta desperdício!
Um ótimo texto, informação e humor na medida certa, parabéns! Vou começar a frequentar seu blog sempre!
Pô, queria ter visto isso naquela época, com certeza ia ficar maluco! hahaha
E essa propaganda é TRUE COMEÇO DOS ANOS 90! uahuahuauhuah
Belo texto, falou quase tudo que eu pensava a respeito do Sega CD, tb tive um em 94, mas confesso que com o tempo fui ficando decepcionado com a baixa paleta de cores dele, limitava muito o visual dos games, pessoalmente acredito que o conceito do Sega CD era muito sofisticado para a época em que ele foi lançado… o que não deu em outra; um equipamento caro com limitações (nesse caso a paleta de cores baixa) e a falta de suporte adequado das softwarehouses das época (projetos de jogos que realmente explorassem o potencial da tecnologia do console). Talvez o Sega CD tivesse dado certo se a SEGA tivesse optado pela versão mais barata dele (o Design feito para o Megadrive slim), alem de uma paleta de cores maior (32 mil cores para cima), e tb investido em uma forte politica de suporte aos desenvolvedores da época exaltando as capacidades tecnologicas do equipamento, titulos que realmente explorassem a tecnologia do CD-ROM, e claro jamais ter feito aquele cogumelo medonho chamado 32X! talvez assim a SEGA tivesse tido um destino diferente… Bom o resto da estória todo mundo aqui conhece, veio o Saturn com uma arquitetura de programação complexa e complicada para os desenvolvedores de jogos que optaram por dar suporte ao Playstation da Sony, depois a SEGA insistiu com o Dreamcast que tinha um design acessivel em termos de custo de produção, além de uma arquitetura de facil suporte para desenvolvedoras de softwares porém lançado em um periodo em que a Sony praticamente dominou o mercado de 32-bits deixando consumidores na expectativa para o Playstation 2, sem contar que o Dreamcast foi lançado em uma época que o DVD ainda não era difundido o que fez a empresa a optar pelo GD-ROM que claramente não conseguiria concorrer com o sistema de DVD do Playstation 2 lançado senão me engano 18 meses depois… É uma pena mas temos de admitir que a SEGA cometeu muitos erros no fim da era 16-bits, como o brother do texto falou o Sega CD foi o começo do fim da Sega.
Só vendo o triste fim da SEGA como empresa competitiva no mercado de consoles pra dar o devido valor à genialidade dos caras da Nintendo e, por que não, da Sony também.
Eu era muito guri, e não me dei ao trabalho de pesquisar depois de velho, mas a sensação que eu tinha era que o Playstation tinha uma força estúpida em relação aos outros consoles. A Sony investiu pesado em franquias, e investiu certo, enquanto a Nintendo perdia grandes títulos como Final Fantasies, Megamans, etc… Já o Dreamcast… bem, o rapaz aí em cima já disse tudo.
Arrisco dizer que a Nintendo demorou pra acompanhar a evolução do mercado. Enquanto a Sony apostava no amadurecimento dos jogos (e do perfil do jogador), a Big N ainda mantia uma visão muito infantil da parada. Basta ver os principais títulos para o N64. (como em todo caso há exceções… Resident Evil, por exemplo)
Tem até aquela parada da cartilha da Nintendo, contendo as rigidas regras morais e éticas que seus jogos tinham que seguir. Não me lembro se foi aqui na EGL que eu vi essa bagaça, mas só pra citar com mais propriedade, lembro que, por exemplo, o manual de jogos como Mario nunca usavam termos ofensivos como ” matar o inimigo “, ou ” perder uma vida “, preferindo os amenos ” derrotar ” e ” perder uma chance “. A Nintendo lutou bastante pra mudar um pouco esse rótulo (embora até hoje essa característica mais ” ingenua ” possa ser percebida nos jogos ícones da empresa, como Mario, Kirby, Star Fox, etc).
Essa foi uma lição dura pros marketeiros dos consoles. Nessa ” seleção natural “, a SEGA não passou. O Saturn tinha o pior dos dois mundos: não tinha uma lista tão ” presença ” de franquias, usava uma arquitetura bizonha, não oferecia suporte para os desenvolvedores, e o hardware e o seu preço não eram lá grandes coisas, pelo menos não o suficiente pra justificar uma preferência sobre os concorrentes.
Ah, e eu tive um Saturn. Usado. Vendido, à preço de banana, no desespero mesmo, por um vendedor de porta. Não vou negar que até me divertia com ele, mas o bixinho foi devidamente aposentado com a chegada do PSX lá em casa, meses depois.
E a Nintendo, como aguentou as pontas? Bom, eu acho que os portáteis foram a grande mão na roda que a empresa precisava pra voltar pro páreo. Tanto que outras empresas procuraram a salvação pelo mesmo caminho.
E um dia desses eu vi o video de um maluco que ” portabilizou ” um PS3. (será que foi aqui… ?)
Street of Rage foi épico.
Cara eu comprei um Sega CD americano de gaveta usado numa locadora em 1993… Fiquei louco com os vídeos e o som em CD! Mas concordo com os demais. O Sega CD foi sub-utilizado! Se tivesse mais cores… Esperei ansioso pelo Mortal Kombat CD. Esperava que usando o poder do CD a versão fosse quase igual ao Arcade. Tive que aguentar um amigo meu que tinha SNES rindo da medíocre versão do Sega CD. Contudo tenho boas lembranças com Sonic CD, Final Fight CD e Spiderman.