O Reino dos Malditos – Crítica da HQ por BeatsMe
Como vão vocês meus amigos da EGL? Lendo muitas HQs? Pois bem, estamos aqui com o segundo post sobre histórias em quadrinhos do Tio BeatsMe. E hoje apresentarei a vocês uma revista excelente e desconhecida da cultura pop em geral, chamada Reino dos Malditos. Preparados?
Mas antes de começar a falar sobre a revista em si eu preciso perguntar: você sabe o que é metalinguagem?
Por definição, a palavra metalinguagem, formada com prefixo grego meta (que expressa as idéias de comunidade ou participação, mistura ou intermediação e sucessão), designa a linguagem que se debruça sobre si mesma.
Porra, aula de literatura é foda hein Beats? Chato para caralho né? Em teoria sim, porém temos vários exemplos de metalinguagem no mundo do cinema dos games e quadrinhos. Dentre os inúmeros os que eu melhor me lembro são:
Por exemplo, você lembra que em Pokemon Red/Blue você poderia jogar num NES em um jogo para GBA? Isto é metalinguagem.
No filme Halloween III, clássico slasher film da década de 80 , temos uma cena onde os protagonistas do filme atual assistem em um noticiário da TV o massacre que o filme anterior mostrou.
Isto é metalinguagem: Um jogo falando sobre o jogo ou um filme falando sobre outro filme.
Mas porque diabos estamos discutindo sobre este tema?
A revista de hoje me chamou atenção justamente pelo fato é de apresentar um dos mais curiosos casos de metalinguagem no mundo dos quadrinhos. Vamos então a sua sinopse?
Em Reina dos Malditos temos o personagem principal, chamado Chris Grahame, que na história é um renomado escritor infantil. A mistura é tanta entre o mundo real e o fictício que nos quadrinhos ele é chamado de o “sucessor natural de Rowling” ( autora da saga Harry Potter), e “de cotado para trabalhar com Spielberg”. O sucesso de Chris vêem de sua primeira e principal obra: um mundo fantástico de Castrovalva. Que ele escreveu em sua infância e publicou quando era ainda jovem.
O que ocorre é que devido ao caótico cronograma de Chris ele sente severas dores de cabeça e acaba desmaiando frequentemente. Em um destes desmaios ele acorda e se vê dentro do mundo criado por ele, mas dessa vez como um personagem.
O mais delicioso com tudo é perceber como o mundo criado por Chris quando criança mudou desde a última vez que ele o imaginou. Como na atual vida adulta, a sua Castrovalva agora vive em guerra e cabe a Chris sobreviver e desvendar o que ocorreu em seu mundo fantástico.
Em resumo temos aqui uma história que fala sobre uma história contada dentro de uma história quadrinhos. Isto é o mais rico caso de metalinguagem no mundo dos quadrinhos que já tive a oportunidade de ler. Uma salva de palmas para a história de Ian Edginton, em seu melhor trabalho.
A arte da revista também é sensacional: os traços e arte de D’Israeli casam muito com o conteúdo da revista. Temos um desenho simples, caricato e infantil em um mundo de guerras em um universo fantástico. Onde mais você poderia vez ursos de pelúcia em uma trincheira sendo explodidos e decapitados diante de um exército cruel?
A narração é conduzida de forma maestral. Temos o contraste do mundo fantástico em que Chris se encontra e ao mesmo tempo a luta no mundo real de seus familiares para descobrir o problema de saúde de Chris. Durante seus ataques de alucinação o mundo real se mistura com o imaginário de Castrovalva, nos instigando para saber o que ocorrerá tanto no mundo da fantasia quanto no mundo real.
Reino dos Malditos é uma revista para quem já tentou, tenta, ou planeja se arriscar no mundo da literatura. É uma revista que fala sobre a imaginação, sobre o ato de escrever. Reino dos Malditos é uma revista fundamental para aqueles que se interessam no processo criativo, além de ser deliciosa de ser lida para aqueles que sempre adoraram aventuras em um universo fantástico.
Fica aqui a recomendação e até a próxima!
Reino dos Malditos (Kingdom of the Wicked/2006) foi publicada pela Media Pixel (orginalmente pela Dark Horse Comics) no formato de Album de Luxo Americano (17 x 26 cm) Colorido/Lombada quadrada. Preço de capa: R$ 32,90.
Crítica por BeatsMe.
4 Comentários
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Boa dica Beats!
Eu curto muito esses quadrinhos alternativos!
Vou procurar na internet algo a mais. É provavel que aqui em salvador só esteja vendendo na Saraiva MegaStore, porque o mercado é muito pequeno e por um preço exorbitante.
Me interessei muito!
muito boa a resenha, fiquei realmente interessado no quadrinho em questão…
mas só um adendo: “Onde mais você poderia vez ursos de pelúcia em uma trincheira sendo explodidos e decapitados diante de um exército cruel?”; qualquer um que tenha jogado “conker’s bad fur day” do N64 já viu isso…
indiscutivelmente, como trabalho com esse meio (quadrinho), vou atras desse.
Boa crítica.
Fest Comix, venha logo!