Little Big Soldier – Crítica por Sharingan

Assisti esse fim de semana o filme “Da bing xiao jiang”, também conhecido como “Little Big Soldier”.
Fui atraído por se tratar da mais recente película do titio Jackie Chan, com elenco e produção chinesa. Jackie mais uma vez acena na produção, no enredo e atua como protagonista. Ela se passa em 223 AC, época em que a China ainda não era unificada, mas um conglomerado de vários clãs guerreando entre si.
O filme conta a história de um soldado medroso (Chan) que destesta guerras e sonha um dia em ver a China unida para que finalmente possa ter sua fazenda ao pé da montanha e viver em paz. Porém, como vive em um período constante de conflitos, se vê obrigado a participar delas defendendo o seu clã natal, Liang.
A cena inicial começa com Chan desarmando uma de suas inúmeras artimanhas que possui para se fingir de morto. Ao se levantar e avistar o campo de batalha, percebe que não restou vencedores, apenas corpos dos dois clãs que ali guerrearam, Wei e Liang. Ao começar a pilhar os corpos dos mortos, o covarde soldado de Liang encontra o jovem general de Wei ferido e não pensa duas vezes. Trata logo de capturá-lo planejando conduzi-lo a sua terra natal para reclamar a recompensa da captura.
Claro que a tarefa não será nada fácil. Durante o caminho, além da insistente resitência do jovem grande general, o pequeno soldado enfrenta saqueadores, clãs bárbaros sanguinolentos, bem como a perseguição implacável de traidores do general, que o querem morto a qualquer custo.
O filme é muito, MUITO BOM. Eu apontaria como um dos melhores filmes do Jackie Chan sem medo de queimar a língua. Você pode estar pensando neste exato momento “WOW, Uncle Jackie voltou a fazer suas macaquices mirabolantes em grande estilo?”. Já lhe corto dizendo que o tempo passa para todos, inclusive para o bom e velho Jackie Chan, que alías, há tempos vivia na amargura de não ser mais tão bom, seja por seu corpo não aguenta fazer nem 10% das coisas que ele fazia, seja pela insistência em participar de filmes americanos em que tem ou um nigga ou um loirinho como parceiro.
Claro que isso é uma pena, pois todos crescemos assistindo e vibrando com cada maluquice perpetruada pelo pequeno carismático chinês de borracha. Acontece que Jackie, nesse filme, finalmente encontrou a receita de como continuar a fazer filmes de forma decente, sem apelar para humor retardado americano entre cenas de pancadaria bobas.
Em Little Big Soldier, apesar de ser um filme épico de época, há sim espaço para malabarismos e luta, mas isso fica em segundo plano, pois vem acoplado a um enredo instigante e um humor delicioso, daquele em que durante as cenas, o divertimento começa com um pequeno sorriso e termina numa gargalhada larga e gostosa, que faz lembrar a época dourada dos filmes de Honk Kong do Chan da década de 80. Por várias vezes durante o filme, me peguei acenando positivamente e recitando baixinho “Caramba, muito bom!”
Acredito que o filme só funcionou bem por ter o Jackie Chan no elenco. Quando li a sinopse concluí antecipadamente que o Chan seria o general e o pequeno soldado um ator chinês qualquer. O engraçado é que consigo imaginar plenamente a inversão dos papéis. Jackie funcionaria tão bem quanto se estivesse na pele do General capturado, mas optou acertadamente em interpretar o apaixonante soldado com aspirações simples mas que acaba por se meter no meio de uma trama muito maior que ele.
Durante a viagem, é incrível o contraste entre ambos, onde o Pequeno Soldado sonha em ter sua fazenda e seguir uma vida simples e pacífica, enquanto o Grande General sonha em viver no calor da batalha, anexando mais e mais terras ao seu reino até que um dia, possa finalmente encontrar uma morte glorisosa em batalha. Com o amadurecimento da relação entre os dois, é cativante ver como o velho soldado covarde aprende a valorizar a honra e coragem e o jovem arrogante general ao observar o pequeno soldado, ve que as pequenas coisas da vida às vezes são tão boas quanto a glória eterna da conquista.
O filme tem aquele baita humor família, que consegue divertir qualquer um. Em várias cenas me lembrou da áurea época dos Trapalhões, em que onde muitas vezes, você começa a rir antes mesmo das piadas, só por ver a expressão facial do ator em meio a situações em que ele se mete. E Jackie fez isso com maestria. Você enxerga claramente o soldado matuto que não gosta de guerras querendo sobreviver, o camponês ingênuo feliz com a possibilidade de conseguir establidade na vida e no final, o seu amadurecimento na cena final do filme.
Jackie Chan finalmente quebrou as correntes que o prendiam a seu passado glorioso e encontrou a direção certa a seguir para prosseguimento digno de carreira. Apesar de ser um legítimo filme do Jackie Chan, deve ser visto por todos!
Da bing xiao jiang (Little Big Soldier) – Direção: Sheng Ding – China/2010 – Crítica por sharingan
8 Comentários
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Bela dica, verei neste final de semana.
valew pela dica, acho q vou ver ele amanhã.
baixando, valeu a dica. Jackie chan é sempre bem vindo no dvd, ainda mais se o filme for bom.
Acabei de ver e é realmente um filmaço.
Jackie Chan em sua melhor forma, não só fisicamente, mas artisticamente. Como Sharigan disse, suas macaquices diminuiram, mas quando acontecem enchem nossos olhos, isso junto ao humor (a luta entre ele e o general foi épica de tão engraçada), drama (so não derramei lágrimas no final pq sou macho pra caraleo) e a fotografia lindíssima fazem desse filme um must see.
O que me incomodou um pouco foram os cortes rápidos no início, uma cena mal durava 5 segundos, mas ficou claro a necessidade de explicar a história de forma rápida para que o filme pudesse se concentrar nos dois protagonistas. Tanto que depois do encontro, a história flui perfeitamente bem.
Excelente filme.
Valeu, verei imediatamente…
acabei de ver.
Nostalgia cara.
maravilha! XD
vi esses dias, muito bom mesmo
achei que teve otimas coreografias tambem, na medida, não ficou as macaquices dos filmes gringos =)
Muito bom mesmo o filme…me surpreendeu…recomendo