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Cinema e videogame – por ninja

Não é de hoje que a sétima arte busca inspirações em outras fontes de entretenimento para poder arrastar pessoas para dentro das salas de cinema com blockbusters cada vez mais sofisticados, afinal de contas é um ramo onde a inovação deve ser constante.

Filmes que deixam a idéia de “cinema tradicional” de lado e se baseiam em livros, quadrinhos, fatos reais e até mesmo jogos de videogame…

 

Roteiros adaptados viraram febre nos últimos anos, atualmente temos muitas produções baseadas em livros, desenhos animados, séries de TV e HQs, principalmente quadrinhos, nas últimas duas décadas a impressão que se tem é que os cartolas de Hollywood perceberam que super-heróis rendem grana, bastante grana, e por fim nunca tivemos tantos filmes de personagens fantasiados com super-poderes quanto temos agora, basta puxar pela memória e olha que nem precisa ir tão longe…

 

Vamos tomar como exemplo Blade – O Caçador de Vampiros, primeiro filme da trilogia do negão chupador de sangue da Marvel com o versátil Wesley Snipes. De lá pra cá (sejam produções americanas, ou não) quantos filmes baseados em HQ você viu? E não me refiro apenas aos tradicionais heróis com roupinha colante de gosto duvidoso, tem muita produção bacana por ai que a grande maioria nem faz idéia que se trata de uma versão Live-Action de alguma HQ.

Por exemplo o excelente e premiado Marcas da Violência que tem Viggo Mortensen no papel principal, um bocado de gente que eu conheço viu esse filme, curtiu horrores e sequer faziam idéia de que se tratava de uma adaptação de HQ.

Outro que não era tão conhecido e chegou ao gosto popular foi Constantine, baseado na estilosa HQ Hellblazer, publicada pelo selo Vertigo um braço da DC Comics responsável por histórias mais adultas e de conteúdo mais pesado.

 

E onde eu quero chegar citando esses exemplos? Bem digamos ae que Hollywood anda um pouquinho “saturada” disso tudo, funcionar funciona, mas certamente não será assim para sempre. A solução? Procurar outra fonte de inspiração, é claro!

 

A industria de games tem um relacionamento estreito com o cinema desde que jogos de videogame deixaram de ser simples formas geométricas que se moviam de maneira limitada em uma tela emitindo um *bip *bip de vez em quando. Embora o êxito de uma sobre a outra seja quase nulo, faz tempo que os jogos pegam carona nos maiores sucessos de Hollywood, vale como exemplo o jogo E.T. lançado para o Atari em 1982 que seguia o rastro do alienígena favorito do Spielberg, entretanto o jogo ao contrário do filme, foi um fracasso total e por muito pouco não levou seus desenvolvedores para o buraco.

Isso passou a ser comum, qualquer filme que fizesse sucesso cedo ou tarde ganhava um game, mas eram raros aqueles que se tornavam jogos realmente bons, talvez pelas limitações técnicas da indústria, descaso ou falta de criatividade dos produtores.

E para nosso azar, o inverso também acontece…

 

Qualquer fã de videogame que se preze, tem uma ou outra série favorita, aquela que ele tem todo um carinho especial, sabe o ano de lançamento, quem foram os designers da coisa, os dubladores e talvez até a cor da cueca do diretor de motion capture. E o que este mesmo fã detestaria que ocorresse com sua amada saga gamística? A resposta é óbvia: Ver ela sendo totalmente desfigurada pelas mãos abusadas de alguém que não faz nenhuma questão de respeitar o conceito original por trás da obra. Seja por uma sequência equivocada, uma alteração porca da engine, mudanças drásticas no estilo ou a famigerada adaptação cinematográfica…

É, já imagino que muitos estão com a cena do Van Damme atingindo Raul Julia com o seu glorioso somersault na mente, ou quem sabe Goombas de sobretudo dançando pra lá e pra cá num elevador… É macacada, Hollywood tem o incrível dom de pegar nossos ícones da juventude e transformá-los numa verdadeira porcaria no intuito de arrancar alguns trocados dos nossos bolsos.

 

 

Quando um game faz sucesso é natural que o material original seja usado em outros áreas, eu por exemplo tinha uma lancheira do Street Fighter II, era falsificada, comprada em camelô mas DANE-SE!!! Tinha o Sagat e o Bison no adesivo da tampa… Se tomarmos Super Mario como exemplo: São vários jogos de estilos diferentes, o personagem já teve sua própria série animada, foi licenciado para HQs, brinquedos, roupas, acessórios infantis, já ví o bigodudo em vários lugares de capas de caderno e xampu infantil até em calçinhas, e é sério.

Partindo daí o passo seguinte é simples: Cinema! Seria lindo se não fosse trágico, todos aqui lembram da lambança que foi a primeira adaptação genuína de um jogo de videogame para o cinema, o “fabuloso” Super Mario Bros. lançado em 1993. Aquilo fez brotar uma interrogação de uma tonelada na cabeça dos fãs espalhados pelo globo: “Porque diabos alguém faria isso, estragar uma fórmula que é sucesso garantido? Porque não manter como era?” Essa meus queridos, é a pergunta de um milhão de dólares…

 

 

Para adaptar uma obra para o cinema independente de qual seja é necessário algumas alterações, algo que funciona muito bem em um game pode não ser viável de se fazer em um filme, e isso envolve muitas questões que vão desde orçamento a prazos apertados, classificação etária, acordos com grandes estúdios, boa vontade do diretor, adaptação de roteiro, etc…

Eu iria citar Street Fighter que mesmo com um elenco repleto de estrelas acabou por nadar e morrer na praia e Double Dragon, até hoje considerado uma das maiores cagadas do gênero, essas duas adaptações de séries clássicas que ganharam “vida” (se é que posso dizer isso) em 1994, mas vou poupar você de más recordações.

Se levarmos em conta Mortal Kombat que chegou as telas em 1995 e que vendo hoje em dia chegamos a conclusão que não era lá grande coisa…

 

Dirigido por Paul W. S. Anderson famoso por seu envolvimento em adaptações de games e refilmagens de antigos clássicos trash e foi o produtor responsável por Dead or Alive e os três filmes da série Resident Evil. O filme é considerado o primeiro grande sucesso do gênero pois custou US$ 20 milhões de dólares (na época um valor considerável para um filme que até então era apenas uma aposta) e arrecadou US$ 23 milhões apenas na sua estréia e estima-se que no total o filme tenha arrecadado um valor próximo aos US$ 125 milhões, gerando um largo sorriso nos cartolas da New Line e rendendo uma continuação meia-boca, Mortal Kombat: Annihilation de 1997 e no ano seguinte uma série para a TV chamada Mortal Kombat: Conquest que se esticou até 1999.

 

Outro caso raro de sucesso foi Lara Croft: Tomb Raider, com a suculenta Angelina Jolie. Comercialmente foi a adaptação de um jogo mais bem sucedida da história. O filme que custou cerca de US$ 82 milhões, rendeu nada menos que US$ 275 milhões, o bastante para garantir uma continuação que embora não tenha tido o mesmo êxito financeiro da primeira, mesmo com um orçamento maior, garantiu boas cifras para os estúdios responsáveis.

 

 

Filmes como Tomb Raider são excessões, pois se baseiam em jogos com enredo muito semelhante a produções cinematográficas, vejamos Hitman por exemplo, embora eu não seja um profundo conhecedor da saga do assassino 47 achei o filme bem interessante e até divertido. E Max Payne que também teve sua versão para o cinema recentemente, no entanto esse último ficou meio que em cima do muro, alguns fãs gostaram, outros não.

 

Títulos como Resident Evil, Silent Hill e Doom que originalmente beberam muito na fonte do cinema, quando são convertidos em filmes acabam agradando pois no original são muito parecidos com filmes do gênero (vide qualquer filme do Romero, títulos genéricos de terror e filmes da série Alien) o que os torna mais fáceis de se adaptar e isso acaba agradando ao público, seja conhecedor dos jogos ou não pois de certa forma é algo ao qual já estão acostumados.

Mas como todos aqui estão carecas de saber, isso tudo não é esse mar de rosas, a palavra FRACASSO, isso mesmo fracasso, com letras maíusculas e de preferência em negrito acompanham a grande maioria das produções que tem por base games de sucesso.

Uwe Boll, esse nome é familiar para você?

 

O indivíduo em questão é o “cineasta” alemão famoso por suas tenebrosas adaptações de séries clássicas como Alone in the Dark e House of the Dead, o currículo deste gênio cinematográfico conta ainda com Postal, In the Name of the King (Dungeon Siege), BloodRayne 1 e 2, (preparem-se pois o 3 está a caminho) e FarCry.

Geralmente os fãs dos jogos preferem ignorar tais filmes, mas Boll chega a ser tão irritante se declarando um diretor “visionário, que vê nos jogos de videogame o futuro do cinema moderno”, e isso acaba gerando protestos de nerds que insistem em defender seus heróis poligonais das atrocidades do alemão sádico.

Os estúdios atualmente querem algo que dê dinheiro, se surgir ae um jogo sobre um chimpanzé roxo que enfrenta robôs alienígenas usando espadas de mussarela e se isso for sucesso rendendo grana, pode ter certeza que por mais idiota que seja cedo ou tarde se tornará um filme. Independente se na tela o macaco for um gorila verde que luta usando tonfas de vidro no lugar das espadas de queijo, o lançe é pegar algo que chame atenção, principalmente da mídia e fazer render lucro mesmo que não fique “muito parecido” com a obra original.

 

Levante a mão aquele que curtiu Street Fighter: A Lenda de Chun-Li e em algum momento viu uma semelhança plausível com algum jogo da série Street Fighter…

Eu imagino os produtores se reunindo numa sala pra decidir sobre o filme:
“Olha é Street Fighter né?”
“É, meu filho joga isso, muita gente curte pode render uma boa grana.”
“Deixa ver aqui no roteiro… Hmmm, conta sobre uma chinesa que quer vingar a morte do pai por um líder de uma organização criminosa.”
“Chinesa é? Podemos por a Ziyi Zhang no elenco?”
“Não, é muito caro…”
“Ah cara, poe qualquer mina nisso ae, chinesa ou não o público nem vai notar a diferença, vamos acabar a reunião logo pois eu tenho uma partida de críquete!”

A incoerência com a obra original é sem dúvida alguma aquilo que mais irrita os fãs, creio que quando se faz um filme sobre uma obra já conhecida, o mínimo que deve ser feito é uma pesquisa, ver o que pode e o que não pode entrar e ter o máximo de fidelidade possível. Imagine se rolasse um filme da série God of War, e no lugar do Kratos como conhecemos houvesse um sujeito cabeludo e de barba que usa dois machados para atacar, OK poderia ser violento, poderia ter criaturas mitológicas, mas não seria God of War.

 

Essa descaracterização exagerada que me dá nos nervos, e não sou o único a sofrer desse mal…

 

Recentemente assisti ao trailer do filme The King of Fighters que vai estrear esse ano. Na boa, confesso que desde que anunciaram que seria feito um filme inspirado na série da SNK eu nunca, em momento algum tive esperança de que saisse algo decente (levando em conta as experiências anteriores com jogos de luta no cinema).
Quando a coisa foi realmente divulgada, aí sim tive certeza que daria em merda.

É medonho, a começar pela escalação de atores, OK devo admitir que dentre os escolhidos existem aqueles que realmente sabem lutar como é o caso de Ray Park que estará na pele de Rugal, um dos vilões mais classudos da série, mas levando em conta a semelhança do cara com o personagem que todos estão carecas de saber como é, chega a ser broxante. Sem contar os outros personagens como Kyo, que sequer é um ator oriental, e Terry Bogard que no trailer do filme parece mais um bêbado de meia idade com um colete salva-vidas e o roteiro então? É melhor eu parar por aqui..

 

Outro que está por vir ainda este ano e empolgou muita gente (admito que até certo ponto eu me incluia nesse meio) foi Tekken. Nas poucas e borradas fotos que circulavam na rede mostravam atores caracterizados de maneira bem coerente com os personagens do game, um visual que respeitava a mitologia por trás da coisa e o roteiro que explorava bem aquilo que acontecia no jogo dando destaque para o plot principal da série que é a maldição da família Mishima. Mas quando o trailer foi finalmente divulgado, a coisa mudou de figura, ao menos pra mim…

Mas para a nossa sorte a coisa parece que está mudando, aos poucos mas está.

 

 

Mesmo com anúncios que causam arrepios na espinha de qualquer gamer de bom gosto, como o boato que rola vez ou outra de um possível filme da série Metal Gear Solid ou um Castlevania Movie que realmente está por vir, esse namorico dos videogames com o cinema já rendeu e ainda pode render bons frutos.

Filmes que seguem claramente uma narrativa de videogame como Matrix por exemplo revolucionaram a indústria e a cada dia que passa as produções estão ficando mais semelhantes com jogos eletrônicos, que por sua vez possuem uma carga dramática que vai aproximando-os ainda mais ao cinema.

 

Do uso de tecnologia de um beneficiando o outro até a narrativa, esses dois mundos estão se fundindo cada vez mais, e de que maneira isso vai evoluir? Não sabemos talvez de maneira positiva, talvez não, o fato é que é melhor ir se acostumando caro jogador pois cedo ou tarde aquele jogo que você tanto gosta pode acabar indo parar na sala de cinema mais próxima da sua casa.

Mas anime-se! A coisa tende a melhorar esse ano temos a primeira adaptação bancada por um estúdio realmente grande. Quando Prince of Persia estrear, aquele que dá sinais de ser a adaptação mais bem feita do gênero pode mostrar ao mundo que uma idéia bem trabalhada, vale a pena o investimento.

 

Para finalizar, alguns trailers épicos.

 

 

 

 

 

10 comentários

10 Comentários

  1. Postado por Flabis em 2/02/2010 21:48

    Cara, Prince of Persia tá bonito, mas só vou dizer se é bom depois de vé-lo, devido a experiências não muito boas que você citou.

    Pra mim, a melhor adaptação de um game até hoje foi a primeira metade de Silent Hill. Gostei da ambientação, sensação de isolamento, e pirei na primeira transformação da cidade. Pena que tiveram que estragar o final.

    Depois de Speed Racer eu tive a certeza que os diretores certos para adaptar um game com respeito são os irmão Wachxoxotovisk. Eles fazem filmes de fã para fã (quem viu Speed Racer e conhece o desenho sabe disso), não se apegam ao grande público e tem bolas para sair do convencional. Se eles forem fãs de algum game e decidir adaptá-lo, eu assistiria com gosto.

  2. Postado por MFL em 3/02/2010 00:04

    Será q veremos Devil Jim?

  3. Postado por Yugo em 3/02/2010 17:02

    Podia ter um filme do Devil May Cry.
    Ia ser massa, bem feito claro…

  4. Postado por Flabis em 3/02/2010 19:39

    Realmente, Devil May Cry é bem fácil de adaptar. Bota um loirinho com espada, efeitos bacanas, coreografias bem feitas e temos um sucesso garantido. E o melhor, nem precisa de cérebro.

  5. Postado por Diego Nunes em 4/02/2010 14:50

    É Devil May Cry seria basicamente um filme de Blade com demônios.

  6. Postado por Renato em 5/02/2010 17:15

    Cara, esse filme do Tekken parece ser muito bom mesmo, com uma história bem legal.
    Já The King of Fighters… podia ser um pouco melhor… vamu espera sair no cinema pra ver se é melhor, porque pelo trailer…

  7. Postado por RAFAEL em 8/02/2010 04:10

    o tekken deve ser bomzim , pelo menos da pra saber quem ´´e quem no trailer. ja o the king of fighters nao consegui saber quem é niguem?? pra mim melhor filme sobre games foi MK. pelo mens na epoca que assitia adorava. vc sentia que era realmente sobre o jogo.
    pareci que prince of persia esse ano vai ser bem parecido com o game..

  8. Postado por gusta em 9/02/2010 06:26

    Eu lembro de pegar uma fila imensa pra assistir street fighter pq me disseram que tinha até hadouken no filme!
    Um flashzim mto do porcalhão e foi isso..Até hj guardo a frustração daquele dia.
    Adaptações em geral não tendem a me agradar. Único que realmente gostei, foi homem de ferro, mas como não lia muita coisa dos quadrinhos nem faço ideia se está fiel ou não.
    Mas como tudo na vida, não tem alternativa. É esperar pra conferir =)

  9. Postado por RAFAEL em 9/02/2010 15:13

    homem de ferro ?? Game???

  10. Postado por Jonas em 13/02/2010 06:14

    Porra. Eu não devia ter clicado nesse negócio de Mario aí.

    Quando eu li no blog do evil que ia ter mesmo essa bosta que foi Dragon Ball, eu tentei até ser otimista… ” Vamo lá galera, adaptar DB não pode ser tão difícil assim, um guri – podia ser mesmo até um pré-adolescente carismático – descendo a porrada nuns carinhas e procurando as esferas com uma menina super inteligente. “, pensei com meus botões.

    Até que eu vi o trailer. Caguei.

    Alguns meses atrás, cliquei num link pra uma foto do casting de KOF. Fui me preparando pro pior… sei lá, a Angelina Jolie de Mai, ou o Tarcísio Meira de Rugal. E o que eu vi não chegou nem mesmo aos pés do que eu temia. Ray Park? Antes o Tarcisão, falando sério.

    Só falta o Hugh Laurie não ser o Gordon Freeman no futuro Half Life, que eu sei (porfavorporfavorporfavor) que um dia vai acontecer.

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