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Streets of Rage – Análise por evilgambit

No princípio da década de 90 o reinado de 16-bits do Mega Drive foi ameaçado com o lançamento do Super Nintendo e o port de Final Fight nas lojas japonesas. A Sega não se fez de boba (coisa que ela faz, hoje) e tratou de mexer os pauzinhos.

Streets of Rage foi a resposta, mas estava à altura?

 

O Super Nintendo sem dúvida nenhuma tinha um hardware superior. Lembro bem, no princípio da década de 90, os primeiros jogos do Snes eram mais coloridos, abusavam de efeitos de zoom e rotação e surpreendeu tamanha qualidade nos ports da geração Nes com Contra III e Super Castlevania IV.

Um jogo, em especial no Japão, ajudou a alavancar os primeiros meses do console, o port de Final Fight da sempre querida Capcom. Os gráficos chegavam BEM perto do arcade, a jogabilidade idem, mas tinha lá seus problemas.

 

A Sega se mexeu bem rápido e tratou de propor um concorrente à altura de Haggar e cia. O resultado é Streets of Rage, lançado em 1991 para o Mega Drive.

 

 

Streets of Rage (Bare Knuckle no Japão) não tinha gráficos tão bons quanto Final Fight para o Snes, isso era bem evidente. Os bonecos eram menores, menos definidos, os cenários tinham resolução bem inferior com detalhes que lembravam bastantes jogos para o PC Engine. De certo, à primeira vista soaria como uma vitória da Nintendo na guerra dos 16 bits, ledo engano.

Streets of Rage detém qualidades importantíssimas em jogos de porradaria. Se não tem gráficos superiores, tem uma trilha sonora fantástica que anima o jogador a continar dando socos, a simplicidade na jogabilidade que faz com que o jogo seja acessível a todos e não apenas aos ratos de fliperama e esconde um carisma ímpar, típica nos bons tempos da Sega.

 

Você opta por 3 personagens. O negro Adam é o fortão, o loiro Axel é equilibrado e a bela Blaze além de pernas torneadas tem agilidade de sobra. E veja só, ao contrário do port de Final Fight para o Snes, em Streets of Rage é possível jogar com duas pessoas ao mesmo tempo. Melhor que isso, existem ataques combinados entre os jogadores! Além disso, Streets of Rage tem um dos ataques especiais mais absurdos da história dos jogos de porradaria, pressione o botão A e um amigo policial aparece com um carro (da polícia), coloca uma bazuca para fora e dispara contra os meliantes.

 

Isso que é amigo.

 

 

São 8 estágios, em cada um deles você enfrentará uma horda de marginais até chegar ao tal do Mister X, um desordeiro que quer controlar sua cidade através do medo e corrupção. Os chefes de fase são legais, os inimigos nos estágios pecam pela pouca variedade, mas a jogabilidade em si é bem simplificada, não tem segredo, é só usar o botão de porrada, saber se posicionar nos estágios, usar armas brancas deixadas pelos inimigos e comer frangos e maças para carregar a energia vital. Streets of Rage não é manhoso como Final Fight, não exige um vício no gênero típico de quem passava boa parte do tempo livre naqueles arcades fedorentos, era mais light e casava bem com a proposta de um jogo para consoles.

 

Jogabilidade boa e cadenciada, o que falta para prender o jogador? Uma trilha sonora poderosa composta por Yuzo Koshiro é a resposta definitiva. O cara fez um trabalho excelente, Koshiro já era famoso por compor as lindas trilhas para a série Y´s em outros consoles e por trabalhar com a Sega em Revenge of Shinobi para o Mega. O compositor é talentoso não só por compor melodias perfeitas para a proposta dos jogos, mas também por tirar leite de pedra em hardwares consideralmente limitados.

 

Sejamos francos, o audio do Mega Drive é uma bosta. Mas existem excelentes composições para o console, tudo graças a talentos como Yuzo Koshiro, que consegue burlar as limitações do console e esbanjar personalidade em suas composições. As musicas eletrônicas de Streets of Rage são dancantes, coisa fina mesmo. E eu adoro a musica dos chefes de fase, aquilo lá engrandecia os embates com eles de uma forma soberba.

 

 

Streets of Rage ganhou duas sequências para o Mega Drive, ambas com severo upgrade gráfico (no audio nem tanto) com melhorias e novidades na jogabilidade. O jogo ainda apareceu em diversas coletâneas para consoles como o Sega CD e o Playstation 3 e é vendido na rede online do Nintendo Wii e ganhou versões simplificadas para o Master System e Game Gear. Trata-se de um clássico, o feio dançante e com boa jogabilidade que bateu o bonitão da Nintendo, com limitações no multiplayer e severos slowndowns.

Streets of Rage é um bom exemplo do que já foi a Sega, uma empresa competente e empenhada em produzir bons jogos para seus consumidores.

 


Streets of Rage – Sega – Mega Drive – Análise por evilgambit

 

 

11 comentários

11 Comentários

  1. Postado por Falci em 18/11/2009 14:30

    Cara, eu lembro quando meu pai me deu o Streets of Rage de Master… eu todo empolgado achando que seria possível jogar a dois… na hora do vamos ver, era para 1 jogador apenas! WTF!?

    Ainda bem que eu costumava jogar sozinho em casa de toda forma. Mas eu adorava esse jogo.

  2. Postado por Cerv em 18/11/2009 21:06

    Belo review, Evil. Eu joguei Streets bem antes de conhecer Final Fight, e depois que enfim tive a chance de pegar um SNES, escolher Hagar e descer a porrada… Larguei o jogo e voltei pra Streets of Rage. O que matou o primeiro Final Fight do SNES, pra mim, foi a falta de um multiplayer: jogar sozinho um beat’em up é quase deprimente; fica repetitivo demais, sem estratégia nenhuma. Com dois jogadores, é outra coisa. Mesmo depois que venci Streets jogando com um primo que era viciado em Beat’em ups, a gente ainda alugou o jogo algumas vezes.

    Agora, com emuladores de arcade, dá pra jogar (online, inclusive) o Final Fight original, e realmente dá pra ver como ele é superior a Streets (mas também, rodando na CPS1, era de se esperar), e realmente um jogaço. Mas minha escolha pessoal, atualmente, é o quase-desconhecido Sengoku 3, um dos últimos jogos da MVS. Uma seleção legal de personagens (cinco ou seis, agora não lembro), estágios e inimigos bem variados, gráficos lindos… enfim.

    Pena que a tentativa de ressuscitar o gênero com Godhand (jogaço!) não fez muito sucesso. Eu queria muito ver como uma continuação de Final Fight ou Cadillacs seria desenvolvida nos consoles atuais.

  3. Postado por leo_miranda em 18/11/2009 22:37

    ta ai uma série de respeito que ao contrario de final fight foi evoluindo com o tempo ( meu preferido é o 2 o terceiro achei médio), gosto muito do final fight 1, esta pau a pau com o SoR 1, mas despois so deu a serie da Sega, até hoje ela rende ( graças ao tmb fodástico SoR Remake que esta para ganhar sua versão final), ouvi falar muito mal do final Fight street wise, mas nao cheguei a jogar…

  4. Postado por Ninja em 19/11/2009 07:39

    Ruas Da Raiva OWNA!!

    É, fica bem idiota quando se traduz o nome do negócio, mais primoroso ainda foi Streets of Rage 2, obra prima aquilo!

  5. Postado por coffeejoerx em 19/11/2009 11:34

    Do baralho seu review evilgambit. O melhor jogo da série. O áudio decaiu muito no terceiro episódio.

    O fato de não poder usar a ajuda do bazuqueiro na última fase só tornava o jogo ainda melhor. Poder escolher o final ao se deparar com Mr. X.

    Blaze, ah Blaze… ai ai ai ui ui.

  6. Postado por Cerv em 19/11/2009 20:41

    Ninja: não seria melhor “Ruas de Fúria”? ;-)

    Pequena e desinteressante história pessoal: meu tio me levou numa daquelas locadoras bem furrecas (R$1,00 a hora, sabe?) pra jogar Streets of Rage (foi a primeira vez que eu joguei). TODO MUNDO chamava o jogo de “Briga de Rua”, e eu, criança besta, passei anos pensando que essa era mesmo a tradução do nome do jogo. Até hoje ainda gosto de chamar de “Briga de Rua”, acho o nome legal!

  7. Postado por Flabis em 19/11/2009 23:44

    SoR fodão. Sem mais.

  8. Postado por Falci em 20/11/2009 08:34

    Cerv, você em lembrou de quando eu vi, numa locadora similar na cidade em que meus avós moram o jogo YuYu Hakushô Final de SNES. Na época ninguém conhecia a série no Brasil e eu só sabia o nome do jogo porque tinha visto em uma SuperGamePower.

    Toda vez que eu voltava lá era dureza ouvir os moleques chamando o jogo de YôYô Final… só acabaram com essa mania esdrúxula depois que o anime fez sucesso por essas bandas.

    Outra coisa, sobre SoR, lembrei-me agora que a versão de Mega que mais joguei foi o 3, novamente, em uma locadora.

  9. Postado por JG em 20/11/2009 13:09

    Pô, mas até hoje quando eu vou jogar Final Fight ou Streets of Rage com meus primos não-gamers, eu chamo de “Briga de Rua”, se não eles não sabem do que se trata.

  10. Postado por Jonas em 25/11/2009 00:39

    Pois é JG. Pra mim também, Briga De Rua virou foi o nome do gênero, hehe

  11. Postado por Jonas em 25/11/2009 00:48

    Opa… Briga de Rua… Street Fighter…

    Da tradução porca, já dá pra imaginar o caminho que o termo ” briga de rua ” percorreu até chegar na gente.

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