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O Lutador – Crítica por ninja

Saca esses filmes violentos pra cacete, onde um cara é condenado por um crime que não cometeu e acaba indo parar em uma prisão imunda no meio do nada abarrotada de oficiais corruptos e presos da pior espécie? Pois é, eu achava que já tinha visto de tudo nesse gênero, que isso era um roteiro mais que manjado, e que nem valia a pena perder meu tempo com coisas desse tipo…

Mas é aquele papo: “A piada pode ser velha, mas o que te faz rir é a maneira como ela é contada”.

 

Nessa última semana dei uma passadinha na muambalândia aqui em BH atrás de algumas raridades em DVD, e enquanto eu garimpava atrás de coisas interessantes um título em particular chamou minha atenção, era o filme “O Lutador”. Não, não se trata do magnifico drama The Wrestler estrelado por Mickey Rourke e que foi lançado no início do ano…

Conferindo as informações na capa ví que o título original era Undisputed 2: Last Man Standing, então me lembrei que o primeiro Undisputed era aquele filme com o Wesley Snipes lançado em 2002 onde ele interpretava um campeão de boxe que havia sido condenado por estupro e acaba indo parar numa prisão dos Estados Unidos onde tem que lutar com um cara dentro da cadeia, aqui no Brasil esse filme ficou com o nome de “O Imbatível”.

 

Pois bem esse roteiro totalmente manjado que segue a seguinte linha: Aprontam uma armadilha para o protagonista > Ele cai feito um patinho > É condenado injustamente > Vai para a prisão cheia de caras maus > Na prisão rola um torneio de luta > A princípio ele luta contra sua vontade > Ele vence e sai da prisão triunfante > Os inimigos do herói se fodem de alguma maneira > Fim.

Todo mundo aqui já viu um punhado de filmes que seguem mais ou menos por esse caminho, Van Damme, Stallone e Steven Seagal são alguns que já passaram maus bocados no xadrez em histórias bastante similares (alguns mais de duas vezes). No entanto a bola da vez é Michael Jai White, pra quem não sabe quem é, ele foi o Spawn no live-action de 1997 e recentemente ganhou um belo sorriso no rosto pelas mãos do Heath Ledger em Dark Knight interpretando o mafioso Gambol.

 

White está na pele de George “Iceman” Chambers (mesmo nome de um personagem do primeiro filme). Um ex-campeão mundial peso pesado do boxe que está na Rússia tentando levantar sua carreira e ganhar algum dinheiro com merchandising (vai saber o motivo do cara estar logo no berço da vodka, com tanto país na Europa onde um americano negro poderia se dar bem, mas enfim). Chambers tem uma desagradável surpresa ao ser condenado injustamente por tráfico de drogas e acaba indo parar em uma prisão de segurança máxima no cu da Rússia.

Por mera coincidência ou vontade do roteirista, nessa prisão rola um torneio semelhante ao UFC onde os presos trocam sopapos para o deleite dos oficiais malvados e dos seletos apostadores em todo o pais que acompanham os combates via transmissão de TV, fazendo apostas bem altas pra ver qual dos lutadores leva a melhor, tudo convenientemente patrocinado por um chefão da máfia russa.

 

Chambers chega cheio de marra e com seu jeito “Yo dawg nigga mothafucka” Made in USA de ser, acaba percebendo que alí é um lugar bem diferente das prisões americanas e se não dançar conforme a música da terra do Zangief vai se dar mal, muito mal. Logo ele tem contato com seus novos amiguinhos e fica sabendo que o campeão do lugar, o badass Uri Boyka interpretado pelo habilidoso Scott Adkins (que por sinal daria um excelente final boss num game de luta) quer muito socar a cara dele, Boyka é um eximio lutador e não perde tempo, logo dá um jeito de se apresentar ao novato, o único problema é que o primeiro encontro das damas não é lá muito amigável, mas tudo bem o filme tem que ter algum própósito.

 

A partir daí o filme explora a difícil adaptação de Chambers ao novo ambiente, o convívio com os outros presos e seus dilemas pessoais, a constante ameaça de ser morto pela massa carcerária ou ficar engaiolado para o resto de sua vida se não fizer o que lhe pedem e culmina na luta contra Boyka, que primeiramente mostra-se bastante superior em suas técnicas de combate. Tanto que George logo percebe que apenas o boxe não será o suficiente, e para derrotar o camarada russo uma técnica mais abrangente e versátil será necessária.

As cenas de luta não tem a mesma pegada daquelas vistas nos filmes tailandeses por exemplo, mas são boas. Adkins manda muito bem no ringue e faz o vilão de maneira decente, do tipo que surra os oponentes sem dó nem piedade e fica muito puto quando o infeliz insiste em se levantar. Porra, o cara tem até um ataque “especial” nos moldes do Somersalt do Guile! É mole ou quer mais? E olha que ele o faz com mais desenvoltura que o Van Damme em Street Fighter – O Filme, não sei não mas acho que deve ser nele que os outros presos pensam enquanto comem a bunda de outro cara… Assim eu nunca estive numa cadeia, mas assistia O.Z.

 

Chambers também não fica atrás e bate forte quando necessário. Enfim, o filme em sí não chega a ser espetacular, tem várias falhas como é de se estranhar que em uma prisão do leste russo todos falem um inglês bem fluente, os clichês são empurrados goela abaixo do espectador a todo momento, e termina com um meloso final feliz.

 

Mas tudo bem, eu não esperava nada além disso quando paguei 9,90 no DVD…

No mais é aquela diversão descompromissada de domingo, quando não se tem nada a fazer, sua namorada não está em casa e rola aquela preguiça de ligar o videogame, pois bem vou parando por aqui para evitar chacotas posteriores pois esse texto já está ficando maior do que o esperado….

 

O Lutador (Undisputed 2: Last Man Standing) – Direção: Isaac Florentine – EUA/2005 – Crítica por Ninja

 

7 comentários

7 Comentários

  1. Postado por Takuma em 26/10/2009 13:49

    Eu vi esse filme na tv, e achei muito bom. Bem nessas da diversao por diverti mesmo.

    Agora, q essa parte do oz ai ficou gay, ficou.

  2. Postado por Falci em 26/10/2009 14:30

    Eu já vi este filme (e grande parte do primeiro) há tempos e achei muito bom também.

    Vale notar que o personagem do White, Iceman, é interpretado pelo Ving Rhames e que é ele quem vai para a cadeia por causa de estupro. O Wesley Snipes é o campeão da cadeia que ele enfrenta e, tecnicamente o vilão do filme é ele e não o personagem do Snipes.

    Outro filme do Michael Jay White que quero ver é o Black Dynamite, que traz de volta do mundo dos mortos o blaxploitation com muito humor e porradaria. Afinal, “He’s super cool and he knows kung fu!”

  3. Postado por Falci em 26/10/2009 14:31

    Correção:

    Vale notar que NO PRIMEIRO FILME o personagem do White, Iceman, é interpretado pelo Ving Rhames e que é ele quem vai para a cadeia por causa de estupro. O Wesley Snipes é o campeão da cadeia que ele enfrenta e, tecnicamente o vilão do filme é ele e não o personagem do Snipes.

  4. Postado por Ninja em 27/10/2009 07:14

    Vero, de fato eu tropecei nessa. Thanks dude!
    A propósito, o filme está disponível no EGL Share, lá no INN…

  5. Postado por maverick_hunter em 27/10/2009 23:32

    “não sei não mas acho que deve ser nele que os outros presos pensam enquanto comem a bunda de outro cara… Assim eu nunca estive numa cadeia, mas assistia O.Z.”

    hmmmmmmmmm

  6. Postado por Rockman em 5/11/2009 18:51

    Michael Jay White realmente é fodão, e REALMENTE Black Dynamite é do cacete, recomendado! Ainda mais com todos os clichês do blackspoitation com direito à mestre shaolin do mal…

  7. Postado por r rto em 5/09/2010 00:34

    fiquei impressionado com as cenas de luta: me pareceu que fizeram umas trucagens misturando filmagem com video game dos próprios atores; tinha algo diferente e o resultado achei acima da média de quealquer outro filme no genero; não pago pau para nenhum destes lutadores de filmes do genero mas estes ai impressionaram; maneira de filmar tb: muito bom o resultado; tudo é clichê na história mas o resultado é muito bom.

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