Distrito 9 – Crítica por evilgambit

Quando eu vi o primeiro trailer de Distrito 9, fiquei abobado com a premissa em fazer uma alusão ao Apartheid quando nós, humanos, temos que abrigar refugiados alienígenas. O tom de segregação, o potêncial para crítica social mesclado com a sempre deliciosa ficção científica poderia dar um bom caldo, e bons momentos no cinema.
Terei errado?
Uma gigantesca nave alienígena estaciona acima da cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Os et´s estranhamente indefesos e sofrendo péssimas condições de vida no interior da nave logo são transferidos para uma área fechada da cidade. Após 20 anos de segregação, a intolerância dos nativos e as péssimas condições de vida dadas aos aliens chega a nível explosivo.
Para cuidar do tal distrito 9, uma espécie de secretaria especial é formada e o jovem Wikus Van De Merwe chefia uma equipe fortemente armada (para defender a ordem, claro) com a missão de mudá-los de lá. Coloca-los mais afastados da cidade e quem sabe assim, diminuir as tensões entre as duas raças.
Usar a fantasia da ficção científica para espelharmos nossas próprias falhas como organização social e humanista não é nenhuma novidade no gênero e tinha um potêncial enorme em Distrito 9. O diretor Neill Blomkamp, infeliz porque a Microsoft desistiu de adaptar Halo para o cinema sob sua tutela, resolveu apostar em suas qualidades com explosões e efeitos especiais em Distrito 9.
Não era o que eu esperava do filme. Mas tenho que admitir que Neil fez um bom trabalho. Focou na transformação do homem branco seguro de sua supeoridade, transparecendo na pele do protagonista Wikus, e caminhou deliciosamente para a compreensão do quão maligno pode ser estar do outro lado da cerca que separa condições distintas de vida, ao fazer amizade com o alienígena que visualiza esperança à sua espécie. Com o andar da carruagem ele resolve ajudar o novo amigo com cara de camarão a ajudar seu povo. O tom de amizade pode soar meio forçado, mas convenhamos, de que outra forma o filme funcionaria?
A primeira metade do filme abusa do tom documental. Chega a ser engraçado, você assiste uma cena e logo vem uma voz em off explicar o que está acontecendo. É para ter certeza que qualquer jogador de videogame (até os de Halo) compreeendam tudo. Da metade para o final temos tiroteios com armas alienígenas, aliens e soldados explodindo e até um mecha fortemente armado, é o momento modafucker do filme.
O trailer de Distrito 9 me fisgou, mas eu esperava um peixe completamente diferente. É um filme bacana, com uma premissa e tanto mas com uma execução que reservou-se a agradar o grande público sem dar maiores explicações. Poderia ser tão mais, mas infelizmente o potêncial ficou restrito à algumas referências do nosso passado ingrato no trato com etnías menos favorecidas, diálogos manjados no celular e personagens realmente cativantes. Faltou explicações importantes, por exemplo como uma raça alienígena que tem armas tão poderosas preferia vendê-las em troca de comida de gato.
Porque não usá-las para defender a integridade de seu povo? Fica a dúvida, estamos divagando no tom de Nelson Mandela ou Mahatma Gandhi?
Enfim….
Distrito 9 – direção: Neill Blomkamp – EUA/2009 – Crítica por evilgambit
12 Comentários
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velho…VELHO…
que potencial desperdiçado…
resumiu tudo ^^
Não achei potencial desperdiçado, ainda.
Até porque o filme tem MUITA ponta solta, to esperando ansiosamente por qualquer material extra que venha a sair na internet que explique coisas como a indiferença de uma raça alienigena aparentemente tão evoluída quanto aos maus tratos humanos ou como a criança ET era tão entendida de tecnologia e alguns adultos eram brucutus simplórios.
Aham, o lance de vender as armas que só eles podem usar ficou bem nonsense mesmo.
Mas ainda assim achei um ótimo filme.
As pontas soltas, em especial os tais 3 anos (a princípio o tempo para curar o Wikus, e depois para?) geram uma expectativa. Como foi falado no filme, era uma colônia de operários que estava desgarrados de seus superiores (como e a razão disso é outra pergunta). A comida de gato pode ser uma droga que acaba por gerar este comportamento apático, resignado até por parte dos Ets. Mal comparando é o que . ocorreu com a civilização chinesa no período antecedente às Guerras do Ópio.
Enfim, ainda até um bom filme. Já aguardo uma possível continuação.
eu vejo potencial pra uma boa CONTINUAÇÃO, mas o filme como foi apresentado em si, na minha opinião, deixou muito a desejar, até mesmo pela qualidade das idéias jogadas…e outra, essa coisa de explicar tudo que está acontecendo na tela como se quem estiver assistindo for uma ameba tá ficando FODA, todo filme tá assim… PQP!
Que venha a continuação com VIGOR!
Potencial desperdiçado resume pouco do que foi este filme.
Na boa, em muitas cenas parecia que eu tava vendo O jardineiro fiel, ou mesmo um anime com roteiro ruim. A história tá cheia de pontas soltas, os alienígenas principais (pai/mãe e filho) têm relação muito parecido com dos humanos com suas crias, não se dá elementos suficientes para que a história fosse, se não realista, no mínimo crível. Enfim, ele foi pouco pensado.
O personagem principal salva um pouco do filme. Os alienígenas feiosos também, principalmente o principal (que deve ser de uma casta superior à dos operários).
O fato dele pretender ser feito como um documentário me irritou um pouco também, pois no meio do filme ele deixa completamente de ser um (para focar na ação desenfreada) e volta a sê-lo soh no fim, quando a nave vai embora.
Em suma, não gostaria de ver um filme desses tendo continuação.
Pra mim se resume a isso mesmo. Potencial desperdiçado. Um diretor competente, provavelmente teria feito melhor. O melhor do filme é o Mecha.
Preciso ver essa merda…
Só na espera de Distrito 10!
[----- !SPOILERS! -----]
Que aí no D10, deveria mostrar mais evidentemente a traição de Wikus. E que tudo indica haverá guerra. E sobre o caso deles não se rebelarem ou formarem um grupo politico. Teve uma explicação numa suposta entrevista desse diretor dizendo. Dizendo que a sociedade deles é basicamente igual aos das formigas, a função de cada é dada no nascimento, então assim há os operários, intelectuais e militares. E a treta da nave atingiu principalmente a parte de luxo, atingindo os militares e intelectuais, somente ficando um grosso de operários. E sim, o amiguinho de Wikus é o único (?) intelectual. Eu gostei muito do filme. E espero ansiosamente a continuação… E de como eles vão lidar com a superpopulação dos camarões. E na boa, acho que muita gente já vê esse filme com um certo de preconceito, só por ele ter virado POP.
[---- FIM DOS SPOILERS ----]
Excelente análise. E foi triste não ter um filme de Halo… Se não me engano foi substituido por um anime, né? Mas de qualquer forma. Acho que Halo pode dar muito certo como filme, e um dia vai sair, com ctz. Mas por enquanto ficamos com o modafoka filme de KOF! Esse vai ser tão bom qt o da Chun-Li…
Não estreiou na merda da minha cidade de interior.
Pqp.
Mas um detalhe, pelo que li, foi a Fox que embolou o filme do Halo, não a Microsoft.Tanto que Halo 3 e Halo ODST receberam comerciais lives FANTÁSTICOS para TV.
O “museu de armas” do Halo 3, numa fictícia entrevista com dois veteranos de guerra aposentados ficou incrível, e o comercial full do ODST deixou aquele gostinho de filme mesmo.
Assisti, atrasadão.
Confesso que, pra mim, o melhor do filme foram seus primeiros 30 minutos.
A idéia de começar como se fosse um documentário não chegou a me incomodar. Chegou até a passar uma falsa sensação de realismo (que vem bem a calhar).
A falta de explicações sim… isso incomoda. De qualquer maneira, o filme conseguiu de mim o que almejava: eu assisti (ainda que não nos cinemas) e assistiria uma continuação.