KOF 2006 – Análise por ninja

Pois é, as lembranças de um jogo da SNK em três dimensões não eram das melhores, e isso foi o bastante para deixar todo mundo com um pé atrás pois afinal de contas, querendo ou não KOF é a cereja do bolo da empresa, fã nenhum gostaria de ver sua série favorita afundando em merda no formato de polígonos.
Após o susto veio o lançamento, e como era de se esperar o jogo sofreu profundas mudanças naquilo que costumava ser KOF. O sistema de combate era o popular mano-a-mano, abandonando o clássico sistema de times de 3 lutadores, que para muitos é o conceito e onde está toda a graça da série. Um novo enredo e novos personagens, dessa vez a trama gira em torno dos irmãos Alba e Soiree Meira, a assassina de melões gigantes Lien Neville (acreditem, são maiores que os da Mai) e um novo vilão, o brutamontes Duke. Além desses quatro personagens temos ainda mais duas caras novas: Chae Lim, que é aluna de Kim Kap Hwan, e Mignon Beart uma espécie de bruxa adolescente, com uma voz irritante e dona de um figurino medonho…
Por se tratar de um jogo tridimensional a jogabilidade mudou bastante, quem estava acostumado com os títulos anteriores logo percebeu que era um game totalmente novo. O título recebeu notas razoáveis e foi considerado mediano, embora os fãs mais xiitas batessem o pé dizendo que aquilo não era KOF, mas só uma tentativa fracassada da Playmore de levar a franquia até a geração mais recente que era doutrinada à base de Tekken, Soul Calibur e Virtua Fighter, sabe como é, garotinhos criados com “ovomaltino e leite com pêra” (salve Gil Brother!)… No fim das contas quando a poeira baixou o jogo acabou passando batido.
Até que dois anos depois é lançado The King Of Fighters 2006/Maximum Impact 2.
Em relação ao jogo anterior desta vez a SNK parece ter pago todos os seus pecados e lavou a alma neste título, as melhorias técnicas são vísiveis. Gráficos, animações, mecânica de jogo, jogabilidade, enfim, por mais que digam que não, os caras fizeram progressos mostrando uma certa evolução e com isso acabaram lançando um dos mais divertidos games de luta do ano (notem que eu digo “do ano” e não da franquia e só pra lembrar, 2006 não foi um ano muito bom no que se refere a games de luta no mercado).
O título conta com 24 personagens iniciais sendo que é possível liberar mais 16, num total de 38 lutadores para deleite dos amantes da pancadaria. Dentre as novidades temos os personagens já conhecidos da SNK que deram as caras em 3D que são: Kula Diamond, Billy Kane, B. Jenet, Richard Meyer, Mr. Karate, Wild Wolf (Terry Bogard em sua versão de Garou: Mark of the Wolves), Armor Ralf (uma versão Chuck Norris e EXTREMAMENTE apelona do Ralf Jones), Nightmare Geese (é, ele voltou mas dessa vez como um “fantasma”), Classic Kyo (a versão do KOF 94 de Kyo Kusanagi), Fio (a garota de boné e óculos de Metal Slug 2) e por fim diretamente do Japão feudal temos Hanzo Hattori.
Já os novatos são: Nagase (a ninja meio clubber), Luise Mayrink (a misteriosa garota que tem uma ligação com os irmãos Meira), Ninon Beart (a depressiva irmã de Mignon), Hyena (o personagem mais escroto do jogo), Lily Kane (irmã de Billy) e por fim o bizarríssímo e apelativo Jivatma com um visual que parece coisa de vocalista de banda de Glam Rock, ele que é ninguém menos que o final boss do jogo.
Com esse vasto elenco as possibilidades são bem variadas. O leque de movimentos de cada lutador é enorme, ver os personagens mais antigos executando seus ataques característicos de maneira fluída e bem feita é algo até gratificante, a adaptação nesse sentido foi bem executada. Além dos golpes tradicionais dos personagens que você já conhece, eles ganharam ainda um bocado de novos movimentos e em alguns casos novos e devastadores golpes especiais.
Visualmente o jogo é muito bonito, gráficos coloridos, bem definidos, expressões faciais, ótimas texturas, distorções, efeitos de luzes e explosões com direitos a flashes coloridos e muitas faíscas rodopiando por todos os lados, com destaque para os golpes especiais que fazem a câmera girar em slow motion captando cada ângulo da cena.
Por outro lado os cenários não são lá algo extraordinário, todos bem simples e sem muitas frescuras. Embora alguns tenham um visual mais trabalhado que os outros, no geral são bem simples.
Como já é de costume nos games da SNK a qualidade do som é muito boa. Trilha sonora que apesar de não ser do mesmo nível dos títulos anteriores da série como KOF 94, ainda assim agrada, com músicas bem diferentes e arranjos originais. O jogo ainda oferece ao jogador a opção de escolher entre o áudio original japonês e a versão dublada em inglês (que é bem fraquinha), não faz muita diferença pois o jogo conta com legendas, e portanto durante os diálogos quem souber inglês não terá muitos problemas, mas é o bastante pra notar uma certa preocupação em manter o game ao gosto de cada jogador…
Já os efeitos sonoros dos golpes podem incomodar um pouco pois o game é MUITO barulhento, o som das pancadas é meio estranho, cada soco soa como se você batesse um porrete num tambor de plástico, já os golpes especiais tem uma sonoridade mais legal, como fogo, eletricidade etc, e as vozes dos personagens durante os ataques são um destaque, o Terry grita pra caralho pqp…
Se tem uma coisa que incomodou aos fãs mais fervorosos da série foi a jogabilidade. Por ser um game tridimensional era óbvio que muita coisa teria que ser alterada, e assim como os outros aspectos nessa versão a jogabilidade é uma versão mais refinada daquela apresentada no primeiro Maximum Impact.
É o velho esquema da SNK, dois botões de soco, dois de chutes, um para esquiva e outro para provoções. Temos ainda um botão que serve como atalho para o “break move”, um golpe bem forte que lança o oponente quase que do outro lado da arena e outro botão para o “Sabaki” que é nada mais que um movimento evasivo disponível para todos os personagens que serve para desviar os ataques físicos, independente da altura do ataque, basta apertá-lo no momento exato.
Outra coisa que mudou bastante em relação aos demais títulos da série foram os combos. São muitos fácéis de se executar o que incomodou muita gente pois o argumento é que isso tornou o game um “smash button” sem sentido. De certa forma isso tem um fundo de verdade pois não é raro ocorrer de jogadores experientes levarem um baita cacete de novatos que esmagam o joystick aleatoriamente, sem contar que existe uma certa desigualdade de forças com alguns personagens que são fortes demais e causam uma tremenda falta de equilíbrio durante as partidas.
Além de disponibilizar o perfil completo com todas as informações de cada personagem, o jogo conta ainda com o Mission Mode que nada mais é que uma série de mini-games para destravar extras presentes no game. Tem de tudo, como vencer lutas usando determinados movimentos, destruir pedras como num Bonus Game, uma série de coisinhas meio absurdas como enfrentar o próprio Metal Slug (é o tanque mesmo) num combate mano-a-mano. Além de novos cenários, a grande maioria dos prêmios que você consegue cumprindo essas missões são roupas alternativas para os personagens, que vão desde modelos extremamente cafonas e sem sentido até homenagens a personagens clássicos da SNK. Por exemplo Ryo usando o kimono do Haohmaru, Mr. Karatê com a roupa de Robert Garcia, coisas desse tipo…
No ano seguinte a SNK jogou no mercado The King Of Fighters: Maximum Impact Regulation A.
Não se tratava de um jogo novo mas sim de um remake do título anterior, entre as novidades estavam a volta do esquema de times de três contra três, e a ausência de um Arcade Mode, é isso mesmo o jogo é focado apenas nas partidas entre dois jogadores e para quem mora no Japão, disputas Online. Contando apenas com um Time Attack e Pratice Mode pra quem optasse por jogar sozinho.
O título teve alterações muito bem vindas na jogabilidade, os personagens ficaram bem mais balanceados o que aumentou e muito a competitividade, o apelão Armor Ralf ficou de fora e quatro novos lutadores entraram no torneio, dos quatro, três personagens já são velhos conhecidos dos gamers: Blue Mary está de volta, Ash Crimson que em sua versão tridimensional conseguiu fcar ainda mais gay do que já era. Na boa, o designer responsável por esse personagem deve ter feito um curso intensivo com o Nomura em matéria de viadagem pois NÃO TEM LÓGICA, ele é um cara extremamente boiolesco, embora seja um excelente personagem para se jogar com golpes bem efetivos.
Temos ainda uma pequena surpresa: Vocês devem se lembrar de um game de luta feito pela Data East lançado para o SNES nos meados de 93/94 chamado Fighter`s History. Era um game meio bizarro, seguindo a linha traçada por Street Fighter II (Data East inclusive foi processada pela Capcom, acusada de plágio) Mas enfim, o lançe é que dentre os personagens do jogo tinha um cara muito parecido com o Ryu chamado Makoto Mizoguchi. Eis que o divertido lutador de karate foi incluido nesse remake.
E por fim temos Xiao Lon, uma chinesa com visual bem legal que tem golpes semelhante aos da Lei Lei de Darkstalkers e aparentemente é irmã mais nova de Duo Lon do KOF 2003.
Enfim, eu particularmente acho esse jogo bem legal, já me diverti bastante socando meus amigos nele. Pode não ser um “legítimo representante” da série The King Of Fighters, mas nem por iso é um jogo ruim, vale a pena.
The King of Fighters 2006 (Maximum Impact 2) – Arcade/PS2- SNK Playmore – Análise por Ninja
Abertura do KOF 2006/Maximum Impact 2:
Gameplay do remake Regulation A:
10 Comentários
Deixe um comentário (construtivo)
Na hora que vi a imagem do post pensei “wha- review de Dead or Alive na EGL!?”
boing boing
24+16=38?
Esses kofs faltaram algo. Sei la, parece muito preso.
falta carisma nesses KOF´s.
A jogabilidade ficou bem adaptada até. Mas dada a falta de intimidade dos designers e programadores da SNK Playmore pra fazer algo carismático e com personalidade, coisa que a ANTIGA SNK fez com louvor na década de 90, esses KOF´s soam sem alma. Sem charme. Sem personalidade.
Olha o naipe desses personagens novos…
E isso vale pra tudo que a SNK Playmore por ela mesma. É triste, coreanos malditos.
Pequena correção de última hora:
São 14 personagens disponíveis para liberar no decorrer ndo jogo, e não 16.
Ninja, excelente review. Mas realmente concordo com o Evil: falta carisma nesses kof. Eu até gosto da jogabilidade de Maximum Impact 2, mas alguns problemas são evidentes, como a falta de equilíbrio entre personagens e o sistema de combos.
Agora, só pra constar: colocar o ultra-técnico-só-para-hiper-hardcores Virtua Fighter na mesma linha que a m*&% do Tekken não dá!!! Hehe!
Excelente Review Ninjaw, mas da próxima vez faz um maior, esse ficou minúsculo, hehehe.
Eu joguei e ainda jogo muito KoF porém fico só no 97 e 98, do 99 em diante saco quase nada, 3D então, nunca vi.
No boteco onde jogo, sabado passado, teve horas em que tinha mais de 5 fichas esperando na 97 e 98 ao mesmo tempo, muita gente foda pra jogar e cerva com coxinha….sinceramente, não quero mais nada de KoF, nenhuma novidade me atiça mais, diferente de SF por exemplo.
Destaque pros modelos da B. Jenet, Leona e Blue Mary… Puta que pariu, eu achava que elas não poderiam ficar mais gostosas, já a Mai ficou meio quadrada (seria a idade chegando?).
E por falar em gostosa, essa Luise Mayrink… só ela já valeu o jogo pra mim.
Uma coisa que eu achei muito relevante (e paia) foi a facilidade em combar. Como o disse o Takuma, o jogo parece muito preso, isso porque qualquer troglodita que descasque o controle (como aquela sua irmãzinha fazia ao jogar street fighter com você) consegue emendar na cagada uma sequencia de ataques apelões. Alguém que jogue bem KOF98 simplesmente destrói nesse jogo, porque o timing entre os ataques é bem fácil de pegar, e praticamente qualquer coisa comba com qualquer coisa. E isso sem comentar os ataques roubados que dão margem pra uma repetição apelativa e chata (por exemplo, o shoryuken da Luise Mayrink).
Então, como eu ia dizendo, é bom, mas eu ainda prefiro o KOF98.
E olha só, eu escrevi tudo isso acima antes de ver que o ninja falou a mesma coisa sobre os combos.
KOF 2006 é um bom jogo, não considero ruim… o que incomoda mesmo são os bugs e um maior equilibrio entre os personagens. Duke é muito apelão.
A mignon é umas das melhores personagens do jogo adorei ela e ela é linda e fofa e o mais importante luta pra caramba tbm e é uma garota super animada e tem uma voz fofa ^^