Crank 2 – por ninja

“Isso ae é filme pra macho!”
Nas décadas de 80 e 90 se alguém perguntasse: “Diga ae o nome de um ator de filmes de ação?” A resposta seria unânime: “Van Damme!” Isso é fato, o bailarino belga moveu com força as engrenagens do cinema hetero nas décadas passadas não há como negar, mesmo que 80% de seus filmes tenham sido um fiasco tremendo, Van Damme foi referência no quesito filmes de ação…
Outros nomes que engrossavam ainda mais o panteão ocidental da porradaria e estavam sempre presentes na grade das emissoras brazucas eram Chuck Norris, o eterno Texas Ranger, Mark “Paranauê” Dacascos, Steven Seagal considerado até hoje o rei das locadoras brasileiras que no melhor estilo Geese Howard quebrava cada osso do corpo de seus adversários, Stallone o possuidor da filmográfia mais viril das últimas décadas, Dolph Lundgren com sua cara robótica foi muito mais que o “simples” Drago em Rocky IV. Schwarzenegger que antes de se tornar o Xogun da Califórnia também fez grandes contribuições ao gênero…
Ainda vale lembrar os vários “genéricos”, que eram aqueles atores que ninguém sabia o nome e normalmente faziam filmes policiais de baixo orçamento,ou tramas envolvendo algum grupo criminoso conhecido ao redor do mundo como Yakuza, Tríade, Cosa Nostra, etc. Nomes como Lorenzo Lamas, Don “The Dragon” Wilson, Michael Dudikoff (para sempre lembrado como o American Ninja, que é talvez a franquia de ação mais trash dos anos 80/90). Esses caras eram figurinhas fáceis na Sessão Da Tarde e Cinema em Casa.
O fato é que com as produções asiáticas (leia-se enlatados de Hong-Kong) ficando cada vez mais populares no ocidente, afinal de contas esse fluxo tinha dado uma freada desde a morte de Bruce Lee em 1973. As acrobacias de Jackie Chan, os filmes fantasiosos do Jet Li que eram verdadeiros beat`em ups live action, onde o herói sozinho ou acompanhado de no máximo dois aliados enfrentava uma horda IMENSA de inimigos até chegar no final boss. Sem contar todas as películas com trocentos clones do velho Lee Jun Fan (não sabe quem é esse?) acabaram tomando o posto dos heróicos, peludos e dramáticos atores ocidentais, e o termo filme de luta (hehe, puta merda, como teve filme de luta nas décadas passadas) passou a vir acompanhado da inscrição “Made In China” na capa do VHS…
Atualmente o cenário é outro: O velho Jackie já não tem mais o mesmo vigor de antes, Jet Li está cada vez mais longe de seus flmes onde interpretava um monge Shaolin, e os astros ocidentais, bem esses não são nada mais que pálidas sombras de suas conquistas passadas (com devidas exceções). O tradicionalismo deu lugar aos efeitos especiais que depois de Matrix parecem ter se tornado regra em Hollywood.
Atualmente para um filme de ação ser considerado bacana tem que ter trocentos efeitos especiais, o heróis deve ser capaz de jogar o inimigo uns 10 metros de distância com um chute fazendo-o rodopiar em um duplo twist carpado antes de cair no chão e tudo isso enquanto troca tiros com um amontoado de robôs gigantes com espadas laser… É, vocês sacaram o que eu quis dizer.
É inquestionável que bons filmes de ação feitos sem muitas firulas com uma boa dose de realismo e regados a muita porrada atualmente são produzidos na Thailândia e ponto final.
OK tudo certo, tudo legal, eu particularmente confesso que me tornei um grande admirador dos discipulos do Sagat mas isso acabou levantando questões como: “Onde estão aqueles filmes descompromissados feitos na gringolândia, com roteiro de gosto duvidoso mas carregados de estilo?” ou “Que fim levou John Woo com suas perseguições automobilísticas que causavam ereções coletivas?” e ainda “Porque diabos a indústria americana não faz mais filmes de porrada sem muitas pretensões que não vão além de oferecer diversão para os cuecas ao redor do mundo?”
A resposta a essas perguntas parece ser um inglês branquelo e carrancudo, de passado conturbado que sabe brigar e parece ter saído da escola de dramaturgia Quentin Jerome Tarantino. O sujeito em questão atende pelo nome de Jason Statham…
Jason que teve sua estréia em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, filme de Guy Ritchie produzido em 1998. Chegou como um estranho no mundo do cinema e não parou mais. Já trabalhou com Jet Li e outros grandes nomes do cinema americano, firmando seu nome na indústria, e aos poucso deixando sua marca relacionada a filmes de ação.
Seu personagem de maior sucesso é Frank Martin, o habilidoso, rígido e sempre elegante transportador de mercadorias de origem duvidosa em The Transporter ou como ficou conhecido aqui, Carga Explosiva. O filme foi um suceso enorme que rendeu mais duas sequências, trilogia muito boa diga-se de passagem.
Outra produção estrelada por Statham é Crank de 2006, ou Adrenalina. No filme Jason é Chev Chelios, um perigoso assassino que foi pego de surpresa pela máfia chinesa, e acaba com uma substãncia nociva no organismo que aos poucos vai levando-o para a morte, sendo que a única maneira de manter-se vivo é deixando o nível de adrenalina sempre alto para que o coraçào continue funcionando. Como ele faz isso? Das maneiras mais inusitadas pssíveis.
O filme é bem trash, tem um roteiro dos mais furados mas é EXTREMAMENTE divertido, vale a pena ver Chelios tendo que se desdobrar pra manter o coração batendo, seja afundando a cara em epinefrina, enfiando a mão numa máquina de waffles ligada ou transando em meio a uma movimentada feira em Chinatown.
No meio disso ainda tem que enfrentar gangues, tiroteios, perseguições insanas e dar explicações sobre suas atitudes para a namorada, tudo com muito humor negro enquanto tenta descobrir uma solução para seu problema e de quebra enfiar uma arma na bunda dos reponsáveis pela sua situação. O filme com uma narrativa bastante peculiar termina de uma maneira bem estranha, dando a entender que já era para o até então indestrutível Chelios…
Pois é exatamente do ponto final do primeiro filme que Crank 2: High Voltage tem início, não é obrigatório porém é mais que recomendado que você assista ao primeiro filme antes, pois sem isso mais da metade das piadas e desvios do roteiro vão passar em branco pra quem não viu e deixar o espectador com um enorme WTF? escrito na testa.
Dessa vez a coisa complica para o velho Chev, tendo passado ileso pelo poderoso veneno chinês que até então era considerado letal para qualquer ser vivo. Chelios ganha fama no submundo, é considerado um super-homem, fato este que atrai a cobiça de um moribundo e poderoso chefão da máfia chinesa que passa a ter grande interesse pelo coraçào do assassino pseudo-indestrutível, dando assim a ordem ao seus capangas para que tirem o coraçào de Chev e implatem nele, colocando no lugar um coração artificial que manterá Chev vivo tempo o suficiente para que os outros órgãos (e uma coisinha a mais) sejam retirados mais tarde.
Três meses após a cirurgia que mais parece coisa do nosso SUS, Chelios recupera as forças e foge de seu cativeiro só que desta vez com uma pequena bateria acoplada ao corpo, sem entender muito bem o que se passa ele vai em busca de repostas, mas faz as perguntas daquele jeitinho bem peculiar, e em uma de suas investidas acaba se ferrando feio e a bateria que mantinha o coração artificial em funcionamento é destruida. A solução para o problema? Levar descargas elétricas de tempos em tempos para que o dispositivo continue funcionando e assim ele possa ir atrás dos responsáveis e pegar sua “torta de morango”de volta.
A partir deste ponto o filme segue a mesma linha frenética do primeiro, com Chev perseguindo bandidos, se envolvendo em tiroteios, arranjando problemas com prostitutas entre outras coisas. Tudo é muito escrachado, afinal de contas a graça do filme é que ele não se leva a sério, muito pelo contrário.
Com direção de Mark Neveldine e Brian Taylor que foram os mesmos que comandaram Statham no primeiro filme, você pode ficar tranquilo quanto a fidelidade ao primeiro, sem aquele medo de que “o primeiro é bom, mas a sequência sempre é uma merda!” Aqui isso não existe.
Dessa vez os personagens coadjuvantes do primeiro filme tem destaque maior, incluindo a deliciosa Amy Smart que retorna no papel de Eve, a fútil e obtusa namorada de Chelios. Existem algumas caras novas que acabam recheando ainda mais a divertida trama, (um pacote de Doritos pra quem adivinhar logo na primeira quem é o chefão Poon Dong)
Assim como no primeiro, neste aqui existem várias participaçòes especiais de famosos sejam atores ou cantores fazendo pequenas pontas, quem é ligado na industria pornô americana vai reconhecer um bocado de gente…
As cenas de ação são bem legais, tiroteios, perseguições desastrosas, muita briga e bastante gore, tripas voando e sangue espirrando pela tela passam a ser um ótimo atrativo com o passar do tempo. A cada descarga elétrica Chev fica ainda mais puto o que faz com que a maneira que ele cuida dos inimigos seja cada vez mais divertida. Com referências aos filmes do Tarantino até os icônicos combates do Godzilla.
Na boa, esse é de longe um dos melhores “cueca movie” que eu já ví, daqueles que você chama os amigos para assistir enquanto enche a cara de cerveja e salgadinhos abarrotados de gordura trans.
Se você assistiu o primeiro filme e curtiu, não pense duas vezes pois Crank 2: High Voltage segue a mesma receita, só que com mais fermento e alguns ampères a mais. Caso o primeiro não tenha te agradado, ver mamilos sendo decepados e altas doses de humor negro não seja algo do seu gosto passe bem longe desse filme, sugiro algo mais leve, vá assistir algum filme do Woody Allen…
Crank 2: High Voltage (Adrenalina 2: Alta Tensão) – Direção: Mark Neveldine e Brian Taylor- EUA/2009 – Crítica por Ninja
12 Comentários
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NINJA TU É O CARA DAS RESENHAS DE FILMES!
vô assistir esse filme mais dúvido que eu vá rir mais do que eu ri com o texto HEOAHEUAHEUOAHE
recomendo!
Obtusa? Ninja aprendendo novas palavras. Review tb é cultura. LOL
Zuera, bela resenha como sempre. Quem sobreviveu a Sessão da Tarde 80′s, entende completamente a falta que um filme desses faz para heteros com 90 minutos livres.
Boa Ninjaw
Muito boa a resenha, pontua com bastante argumento as
características desta pérola cinematográfica.
Recomendo assistirem também um outro filme, no qual Statham estrela, chamado “Snatch: porcos e diamantes”. Não é tão tosco como este, mas é engraçado pracarai.
A propósito vale a pena ver Corrida Mortal, é com o Statham também.
O filme é praticamente uma versão live action de Twisted Metal e Vigilante 8.
Divertido o negócio…
Crank é foda bagaraio!
E você Ninja pouto me trouxe más memórias quando me forçou eu ler Mark “Adenauê” Dacascos
Eu ri de você Sharingan na hora que li isso.
^^
Este filme já estreou ou saiu em DVD nas locadoras?
Caralho, Ninja, que texto comprido pra porra, velho! Devia ter dividido em dois, sei lá.
Mas ficou muito bom, cara!
É que eu sou exagerado… Minhas coisas são grandes, fazer o que?
…putz, tô louco para ver esse filme! Só comprova a minha teoria de que agora é a vez do que eu chamo de “o careca da ação”, é só analizar: os filmes mais viris e transbordando testosterona recentemente são praticamente todos com carecas!
…e quanto ao Corrida Mortal, é um puta filmão, remake do clássico de mesmo nome com o Stallone (…muito trash por sinal…)…
Boa resenha, mas “ereções coletivas”?! Coé…