Te pego na hora da saída! – por ninja

Que a Capcom faz games de luta com maestria ninguém duvida, Street Fighter é apenas o rebento de maior destaque, se puxarmos pela memória ainda temos ae Darkstalkers, Marvel Super Heroes, Power Stone, Crossovers em geral (X-Men Vs. Street Fighter, Marvel Vs. Capcom, Capcom Vs. SNK, atualmente Tatsunoko Vs. Capcom) e Star Gladiator…
Pois bem, Star Gladiator lançado em 1996 até então era a única e bem sucedida franquia de fighting games da Capcom que havia se aventurado por terras tridimensionais (lembrando que a série Street Fighter EX, foi inteiramente desenvolvida pela Arika) até que um jogo chamado Rival Schools veio ao mundo. Primeiramente foi um grande sucesso no Japão, chegou até a ganhar um mangá publicado na Shonen Jump, e teve um destaque muito bom no ocidente. O que no inicio era apenas uma cobaia (a ideia inicial era que o jogo fosse uma espécie de teste da engine para o possível lançamento de um Street Fighter 3D desenvolvido pela própria Capcom) logo ganhou notoriedade e rendeu frutos muito além do esperado.
O primeiro jogo da série foi lançado nos arcades e logo depois para o Playstation em 1997 com o nome de Rival Schools: United by Fate ou “Shiritsu Justice Gauken: Legion of Heroes” como é conhecido no Japão. O enredo mirabolante envolvia várias escolas em uma trama que tinha desde sequestros misteriosos a lavagem cerebral feita em alunos por uma instituição de ensino que mais se parece com uma coorporação militar… A mecânica do jogo era bem simples: Cada jogador tem o direito de escolher dois personagens diferentes. Ao contrário de jogos como X-men Vs. Street Fighter ou Marvel Vs. Capcom onde é possível trocar de lutador durante os combates, em Rival Schools isso não é permitido, sendo que a troca só pode ser efetuada entre cada round, independente se seu personagem tenha sido derrotado ou não.
O universo de Rival Schools é bem simples: Imagine que você viva em um mundo onde manifestar energia através das mãos é uma coisa perfeitamente possível, saltar vários metros de altura é moleza, e caras como Ryu e Ken existem de verdade e são ídolos reconhecidos em todo o mundo. Pois bem, é nesse clima fantasioso que vivem os personagens de Rival Schools, alunos “normais” que se inspiram em seus ídolos Street Fighters e fazem o que podem para se parecer com eles, seja imitando golpes, ou seu estilo de luta, basicamente eles tem uma atitude semelhante a dos fãs de Metal que querem ficar parecidos com seus ídolos: (sabe como é, ficam feios, cabeludos e barulhentos, assim como sua fonte de inspiração)…
O elenco do game é bem interessante, são alunos de várias escolas diferentes, mas todos bem estereotipados. Temos o CDF, o playboy, o briguento, a patricinha, o punk, o esportista, professores conservadores, treinadores enérgicos, alunos misteriosos, etc, etc… Ou seja é bem aquilo que vemos nas escolas de verdade só que obviamente, com uma boa dose de exagero.
Tudo isso reforça ainda mais a fama que a Capcom tem de produzir personagens extremamente carismáticos, independente do estilo do jogo. E cada personagem de Rival Schools (embora alguns nem sejam tão originais assim) tem características muito marcantes, por exemplo o exaltado treinador Hayato com seu poderoso shinai sempre pronto para aplicar um corretivo em alunos indisciplinados, Batsu personagem principal do jogo, um típico adolescente com um temperamento bem forte e explosivo, Hinata a meiga amiga de Batsu sempre disposta a ajudar, Roy aluno americano de intercâmbio metido a playboy (prova absoluta de que a Capcom paga um pau enorme para o Terry Bogard), e até mesmo a presença de uma velha conhecida dos jogadores: Sakura Kasugano, a fã Nº 1de Ryu dá o ar de sua graça representando sua escola a Tamagawa Minami High School.
O gameplay é de longe um dos melhores do gênero, a Capcom mandou muito bem neste título, creio que depois do recente Street Fighter IV, Rival Schools talvez seja o game de luta 3D da softhouse japonesa com a melhor jogabilidade possível, pois possuem pontos bem parecidos. O padrão de botões comum a série Street Fighter (soco fraco, médio e forte, chute fraco, médio e forte) não é utilizado, aqui o esquema é mais semelhante aos games da SNK. São dois botôes de socos, dois para os chutes, um botão para agarrões, outro para esquiva e no caso da versão console os botões L1 e L2 serviam como atalhos para a execução dos especiais (não necessitando do uso dos direcionais para executar os comandos), temos também o SELECT que servia para as provocações e com isso dar um boost na barra de especial.
Como ia dizendo a jogabilidade é um dos pontos fortes do game, ela adota diretrizes básicas de jogos do gênero pois os comandos praticamente são os mesmos de um Kick and Punch normal, em 2D, entretanto a variedade de ataques dos personagens é bem grande, movimentos como super pulos, recuperação de quedas, guard brakes, esquivas dinâmicas (apertando o botão na hora certa seu personagem se desvia do ataque e se posiciona nas costas do adversário) possibilitam um leque enorme de reações na hora do contra ataque, como desferir combos humilhantes e golpes especiais que detonam o oponente.
Falando em golpes especiais, esse certamente é um dos pontos de destaque. Assim como em X-Men Vs. Street Fighter onde os dois personagens podiam desferir um super ataque especial em conjunto em Rival Schools não é diferente, apertando os botões de soco e chute ao mesmo tempo é possivel engatilhar ataques devastadores e bem divertidos. Existem variações, cada personagem efetua uma ação diferente, alguns usam da covardia e enquanto um imobiliza o inimigo o outro baixa o sarrafo sem dó, outros executam ataques coordenados, e em alguns casos o team attack serve para dar uma moralzinha ao seu lutador e recarregar seja a barra de especiais ou o HP do mesmo.
Já nos aspectos técnicos a balança oscila bastante. Graficamente o game não é lá um motivo de orgulho para a Capcom (OK, se levarmos em conta que é um jogo de 1997, fica fácil tolerar certas coisas) o efeito do fogo por exemplo, é uma vergonha parecem chamas feitas de papel crepon coladas nos personagens, mas o visual estilizado, e a maneira como o próprio game flui durante a jogatina acabam por sanar esses defeitos, tudo é muito rápido, desde os rodopios de câmera aos efeitos luminosos na hora dos especiais que apesar de intensos não causam queda no frame e ver buracos ocasionais na estrutura dos personagens é algo que dá pra suportar perfeitamente.
A sonoridade segue o padrão de qualidade dos jogos da Capcom, músicas que casam muito bem com os cenários, efeitos sonoros dos golpes que fazem justiça a intensidade das ações e vozes marcantes dos personagens com exceção do narrador, que possui uma voz extremamente irritante, fora isso nada para reclamar.
A versão caseira no console da Sony vinha com dois discos. Um normal com o jogo praticamente identico ao Arcade, e o Evolution Disc que além do próprio jogo em sua versão arcade (exceto o fato de terem limado os diálogos entre os personagens antes de cada luta) vinha acompanhado de vários modos extras, e o grande destaque, o modo chamado “Nekketsu Seisyun Nikki” (presente apenas na versão japonesa do jogo). Onde você poderia criar seu próprio personagem, como em um daqueles jogos de relacionamento. Porém o diferencial é que você deve criar seu aluno, primeiro escolhendo ingressar entre uma das instituições de ensino disponíveis e a partir deste ponto passar por todo o ano letivo japonês, se relacionando com os outros personagens do jogo, criando vínculos com os mesmos e dependendo de suas atitudes até angariando alguns inimigos, dentre um minigame e outro existe a possibilidade de treinar seu personagem para que ele aprenda seus próprios golpes, aumentar atributos físicos, e de desempenho para que no final de todo o processo ele possa ser usado como personagem selecionável nos modos tradicionais.
No ano seguinte a Capcom lança o “Shiritsu Justice Gakuen: Nekketsu Seisyun Nikki 2″ exclusivamente para o console da Sony, embora muitos acreditam que este é o segundo título da franquia, na verdade não é. É apenas um “Champion Edition”, ou seja o mesmo game mas com alguns upgrades e tudo em um disco só. Dentre as novidades estão um leve upgrade nos gráficos, músicas remixadas, novos minigames que além do baseball, queimada e cobrança de pênaltis que já estavam presentes na versão anterio,r foram incluidos ainda um de atletismo, e um outro chamado Doki-Waku Dance, que tem um esquema semelhante ao PaRappa The Rapper, onde o jogador deve apertar uma sequência de botões que vai aumentando a dificuldade gradativamente para que assim o personagem dance.
Além dos modos de jogo presentes no Evolution Disc anterior, nessa nova versão como o próprio nome já diz o Nekketsu Seisyun Nikki mode ganhou upgrades e se tornou ainda mais amplo que o primeiro (entretanto assim como na primeira versão, esse modo de jogo só existe na versão japonesa) e ainda um sistema de pontos foi incluso em que o jogador ganha créditos a medida que completa o game. Esses créditos podem ser trocados por itens na lojinha Omake, é possível adquirir cards, artworks, vídeos, músicas, telas de loading e ilustrações de personagens em geral (detalhe importante: O Artwork do game é de ninguém menos que Edayan, principal artista da Capcom que faz um trabalho incrível!). Também o título é compatível com o Pocket Station (um antigo acessório da Sony, algo similar a um Tamagotchi que você conectava no Playstation).
Além disso os personagens tradicionais ganharam novos golpes e ouve a inclusão de mais dois lutadores: Ran Hibiki a animada fotógrafa que comanda o jornal interno da Taiyo High School e se não me engano é irmã mais nova ou prima de um outro cara que vocês conhecem bem. E Nagare Namikawa, aluno do terceiro ano e nadador que defende as cores da Gorin High School.
E no finalzinho de 2000 chega ao mercado Projest Justice ou “Moero! Justice Gakuen, Burning! Justice Academy”, a verdadeira sequência de Rival Schools lançado para os arcades e logo depois no Dreamcast, aqui as diferenças em relação ao primeiro título são bem visíveis, nova plataforma, gráficos infinitamente melhores, novos personagens e um modo de jogo modificado onde cada jogador pode escolher não só dois, mas três personagens e quebrar o pau!
Embora tenha sido um sucesso enorme, muitas pessoas sequer ouviram falar desse jogo o que é uma pena, pois ele oferece um desafio excelente e partidas multiplayer que quando são entre dois jogadores experientes são garantia de um quebra-pau da melhor qualidade. Então é isso ae, tá afim de uma boa porradaria? Vai fundo mané, aqui pelo menso você pode voltar aos tempos de escola e até peitar seu amigo dizendo: “Te pego na saída!”
Rival Schools – Capcom – Arcade/Playstation – Análise por Ninja
9 Comentários
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Esse jogo foi um dos melhores de ps1 que eu ja joguei, o esquema do especial em dupla, as cenas em anime, o artwork, os mini games, a historia cliche, tudo extremamente bem encaixado e aproveitado.
Recomendo pra quem nunca jogou.
eu cheguei a jogar uma demo dele uns anos atras ( era uma demo que vinha junto com o pocket fighter se não me engano) lembro de ter gostado bastante do jogo mas não o achava pra comprar…vou ver se acho “por ai” pra dar uma conferida melhor, pois foi um titulo que passou meio batido na epoca do ps1…
nunca ouvi falar desse jogo, mas acho que já li esse mangá Oo
qual o nome dele evil?
o nome dele é juvenal.
Eu pensei que ninguém mais por aqui tinha visto o quanto a engine desse jogo é boa.
Joguei muito o Juvenal, rolava altas tretas na locadora. Campeonatos que duravam o dia inteiro. Era Rox.
Mas não conhecia o Juvenal 2, que por um lado é bom, ja que não tive muito contato com dreamcast, iria ficar com agua na boca.
Belo review Ninja.
Campeonatos de Juvenal ownam! Costumava rolar um com a galera lá da rua tbm, torneios valendo caixas de cerveja HEHEHEHE.
Foda…
Um dos melhores jogos de luta do Dreamcast. Bem que a Capcom podia lançar sequências ou um remake.
Sou apaixonado por Rival Schools!Bela review ninja!
Faltou citar apenas que as versões americanas são bem censuradas no quesito diálogo (Roy por exemplo é racista pacas com os japas no início do primeiro jogo e seu companheiro niggah é MUITO religioso) e falar mais do Moero!Justice Gakuen no geral, com sua story mode excelentemente contada em estilo diálogo de quadrinhos e com direito a guerra de gangues escolares (fuck yeah Zaki!) e ataques em equipe MAIS adoidados (competições de encarar, nado sincronizado, brincar de pilão com o oponente, entrevistá-lo…), incluindo ataques em trio.
Aproveito também pra ressaltar a qualidade das artworks e do character design pra quem não conhece a série, são fodasticos MESMO.Aliás, se não me engano o character designer é o mesmo da série Gyakuten Saiban (aka Ace Attorney) pro DS.