HAO! Shokoken! – por evilgambit

Uma garota é sequestrada em South Town e dois rapazes adentram no submundo do crime com o honrado intuíto de resgatá-la. Não, não estou falando de Double Dragon.
Trata-se de outro clássico.
Art of Fighting pode pecar pelo plágio seja no roteiro ou no visual de alguns personagens, mas inegávelmente trouxe inovações assustadoras para os arcades no início dos anos 90. Quem viveu esse período com certeza vai se lembrar do assombro que foi visualizar personagens com sprites enormes, mesmo para um jogo de luta, com efeitos de zoom, vozes sintetizadas muito bem feitas e uma trilha sonora impactante.
Se comparado aos seis botões de Street Fighter II, Art of Fighting parecia bem menos complexo. Ledo engano, o jogo esconde um sistema amplo, diferenciado e mais direto. O foco da jogabilidade não reside no uso de combinações de golpes, mas do bom uso do espaço no cenário e das magias, que são realmente devastadoras.
São apenas 4 botões. A é Soco, B é Chute, C é Arremesso e D fica como provocação. O botão de arremesso se pressionado longe do oponente executa um golpe forte, se o botão pressionado anteriormente for chute, será chute forte, se for soco, soco forte. A + C executa um gancho e B + C uma rasteira.
O maior diferencial no entanto está no fato das magias serem limitadas por uma barra de “KI”. Cada golpe especial gasta determinada quantidade de KI, e quanto menor a barra, mais fracas as magias são. Isso impossibilita ataques maciços de “hadoukens”, torna as partidas mais estratégicas e possibilita viradas surpreendentes visto que algums golpes especiais realizam MUITO dano.
E em Art of Fighting nem a provocação é inútil, visto que ela abala o oponente e faz a barra de “KI” diminuir.
Outro aspecto interessante de Art of Fighting é que ele é claramente focado no modo história, nele você só poderá selecionar dois personagens: Ryo Sakazaki e seu amigo Robert Garcia. Cada oponente vai dando pistas sobre o paradeiro da irmã de Ryo, sempre com cutscenes bem bacanas entre as lutas.
O modo história ainda guarda boas surpresas como a possilidade de aumentar sua barra de energia e KI nas fases bônus e a possibilidade de aprender um golpe secreto, extremamente poderoso.
No VS é possível jogar com todos os personagens. A maioria deles no entanto tem poucos especiais e alguns nem arremesso tem.
Visualmente o jogo era impressionante em 1992. Sprites enormes e detalhados para os lutadores, boa animação, efeito de ZOOM nos personagens e nos cenários, estes lindos, cheio de detalhes e o mais importante: com personalidade. Cada cenário remete diretamente ao seu personagem.
Outro detalhe interessante, e raro até hoje, é que os personagens sofrem hematomas e outros ferimentos no decorrer da partida, esses machucados ficam bem evidentes durante os embates.
A trilha sonora obedece a cartilha da antiga SNK, ou seja, é fuderosa. Ela é rica, diversificada, indo do hard rock, passeia pelo house e caminha até o jazz. Os samplers são muito bacanas, levando em conta o hardware de 1990. As vozes digitalizadas são excelentes, bem altas e com atuação empolgada, típica dos japoneses.
At of Fighting ganhou port para consoles caseiros, tradição dos jogos da SNK nos anos 90. A versão para Snes é muito boa (veja vídeos), emulando de forma decente até o efeito de zoom e tem quase todos os detalhes da versão original. O port para o Mega Drive não tem efeito de zoom, tem mais detalhes nos cenários, porém as musicas e vozes digitalizadas são HORRÍVEIS. O port para PC Engine CD foi o mais fiel nessa época, se assemelhando muito ao original dos arcades. A versão do NEO CD é um pouco mais pixelada que a versão arcade, parece rodar em uma resolução menor. Recentemente a SNK Playmore lançou uma coletânea da série para o Playstation 2 e como opção de download no VC do Nintendo Wii, se você não tem um NEO GEO em casa, essas são as versões mais fieis ao arcade.
Art of Fighting mostrou em 1992 a força da SNK no ramo dos jogos de luta. Indo contra a vertente, inovou na jogabilidade ao trazer um esquema completamente novo (porém, nem de longe era unanimidade entre os jogadores), com um visual arrebatador. Até hoje é um dos meus jogos de luta preferidos, não pela consistência na jogabilidade, mas pelo charme. Os personagens tem muita personalidade, a trilha sonora é belíssima e conta com um modo história bem divertido, praticamente um filme pé na cara dos anos 80.
Art of Fighting – SNK – Neo Geo – Análise por evilgambit
Arcade:
Snes:
Mega:
PC-Engine:
12 Comentários
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Excelente análise!
E dava pra ver as roupas íntimas da King.
@churrumino
com certeza o que a galera mais gostava era isso ^^
na hora de lutar contra ela sempre ficavam uns 5 em volta falando pra tirar a blusa dela =D
Eu terminei esse jogo usando 300 fichas via emulação só pelo enredo bobão e legal. O jogo mesmo é maluco de difícil, acho que por isso nunca virou uma das febres de arcade pro pessoal jogar Vs.
A versão do Mega chupa bolas MESMO…
E eu senti falta de mais algumas fotos no meio do texto como no formato anterior.
Parabéns pela análise, muito bem redigida. Joguei muito esse clássico. O último mestre é foda demais de matar.
Jogo tr00 tem que ser dificil, pra definir a personalidade do adolescente em formacao como ela realmente deve ser. YEAHR
concordo. Life is a game, and no continues left.
Não acaba sendo bem essa a mentalidade apanhando feio na primeira luta do jogo e perdendo a porcaria da ficha.
Eu não peguei a febre dos flipers… Mas o Ryo Sakazaki é meu personagem preferido no KOF.
Eu acho meio complicado falar de falta de originalidade, especialmente quando comparam o Ryo com o Ryu. Como é que faz pra não ser clone do Ryu? Um karateka com um gi branco e uma faixa na cabeça. Pqp…
Eu diria que o Ryu é que é estereotipado demais. E não estou dizendo que isso é ruim, nem que com o Ryo o caso seja diferente.
Anyway, bela análise.
A Capcom até gostou do plágio, o personagem Dan da série Zero é uma “homenagem” aos excessos de trejeitos e com o design de Art of Fighting.
[...] Para ler sobre Art of Fighting (o primeiro da série), clique aqui. [...]