| Silent Hill 4 - Konami - Playstation 2 - Análise por Vinícius "Femto" |
Medo, um
sentimento obscuro, uma sensação profunda de insegurança, mas o que faz
sentirmos medo? Talvez a solidão total ou vermos filmes apavorantes de Jigsaw e
seus “jogos mortais”. Mas quem disse que os games de terror não nos despertam
esse sentimento? Talvez a série mais famosa dentre o clima de terror psicológico
seja a franquia da Konami, Silent Hill, atormentando nossos sonhos com suas
bizarras e grotescas criaturas pra lá de esquisitas e seu clima tenso, pronto
para fazer o jogador pular da poltrona, e não é diferente em Silent Hill 4: The
Room. Lançado para Playstation 2, PC e Xbox, o jogo tem um visual pra lá de
atormentador, com seus cenários e criaturas mais assustadores do que nunca.
Você encarna na pele de Henry Townsend, que se vê enclausurado em seu próprio
apartamento. Depois de uma semana de confinamento, ele descobre uma passagem na
parede de seu banheiro, sendo transportado para o chamado “mundo alternativo”,
onde as aberrações não vão deixá-lo em paz enquanto não desfrutarem de sua
carcaça.
E qual a ligação desse episódio com os demais?
Nenhuma. Uma coisa que chamou a atenção nesse episódio é a falta de nexo com
seus três antecessores, gerando até uma “torcida de nariz” dos fãs ortodoxos da
série. O jogo se passa numa cidade chamada South Ashfield, que segundo a
geografia do jogo, é uma cidade vizinha a cidade que dá nome ao título da série.
Mas só por que o jogo não tem nexo algum com os seus antecessores, não devemos
dar lhe as costas.
Os gráficos são impecáveis, tornando o clima bem denso, como qualquer fã de
jogos de horror gosta, com direito até a granulação da tela quando você sente
dor de cabeça (devido aos fantasmas que vão atormentá-lo quase que o jogo todo).
O controle é de fácil manuseio, sem muitas alterações comparadas aos jogos
anteriores, exceto pelo fato de que não vamos mais precisas apertar START para
trocar de arma, ou utilizar itens de cura.
Os sons e trilha sonora são marcantes, ressaltando ainda mais o terror
proporcionado pelo jogo, dando todo o clima perturbador que a série tem.
Onde foi que eu deixei minha lanterna e meu rádio!
Outro ponto em que a Konami quis apostar foi na retirada de dois itens
essenciais da série: A lanterna e o rádio. Quem nunca ficou tenso com aquele
barulho perturbador do rádio (quando os inimigos estavam à espreita) e não saiu
dando golpes por todos os lados?! Já a lanterna tinha seu papel quase que
principal, pois como o visual do jogo é um pouco escuro, ela tinha o papel de
abrir caminho na escuridão.
Outra grande modificação no game foi que não há mais um save point em cada parte
determinada do jogo, como em Silent Hill 1, onde havia um ponto aqui e outro
ali. O único save point do jogo é no seu próprio apartamento, fazendo o jogador
voltar várias e várias vezes para casa.
Velas e medalhões... Pra quê servem isso?!
Literalmente você tem que mostrar seu lado padre, e exorcizar os fantasmas que
“encarnam” nos objetos de seu apartamento, pois quando muito próximo a eles, a
coisa pode complicar um pouco, e dependendo como estiver a sua vida, podem
levá-lo à morte. Existem muitos desses itens espalhados pelo jogo, e que de
certa forma, devem ser guardados para eventuais possibilidades de possessões no
apartamento. Uma frase do próprio cotidiano que se encaixa perfeitamente nessa
situação é de que “nem em casa
estamos seguros”.
E quais os defeitos que causam mais terror nos jogadores?
Os já citados como a ausência da lanterna e do rádio, pois eram itens que já
davam uma prévia do que estaria por vir ao jogador, um único ponto de save,
fazendo com que obrigatoriamente ache-se um buraco para voltar ao aparta mento
de Henry. Basicamente esses são os mais notáveis.
Já em relação a gráficos, sons e efeitos, a Konami mais uma vez ganha os
parabéns, provando que mesmo com modificações drásticas em uma de suas mais bem
sucedidas franquias, pode-se fazer algo com qualidade.