| Silent Hill - Konami - Playstation - Análise por Vinícius "Femto" |
“Quanto menos se vê, mais assustador é”. Isso
lembra você de alguma coisa? De algum ambiente perturbador onde criaturas
materializadas através de medo e raiva tornam seus pesadelos ainda mais
freqüentes? Pois é, nesta pequena, porém vasta filosofia se baseia a série
Silent Hill. Lançado originalmente para o bisavô da Sony, O jogo trazia a tona o
que a mente humana é capaz de fazer, transformando uma cidade coberta por um
nevoeiro em um Freak Show (ou no bom português, um show de aberrações), vinda
das mais profundas idéias perturbadas de uma alma que ainda não descansou. A
primeira vez que alguém jogara este game, é como se sentisse acompanhado. O medo
toma conta da pessoa, fazendo-a ficar “ligada”, tanto no game, como envolta de
si, pois a sensação de estar na situação do protagonista do game é tão
“desconfortável”, que gera este desconforto até mesmo no gamer.
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Iniciam-se os sustos...
O jogo leva você até uma cidade chamada Silent Hill, e você assume o papel
de Harry Mason (Não, não é Perry Mason, aquele da música de Ozzy Osboune ou do
episódio do “Julgamento do Chaves”). Ele e sua filha, Cheryl, estão indo em
direção para a cidade amaldiçoada, para descansar um pouco da agitação. Enquanto
Harry dirigia tranqüilamente, e sua filha dormia no banco do carona, Harry vê
uma menina atravessando-se bem à frente do carro, ele então desvia o carro e
acaba sofrendo um acidente. Algum tempo depois, Harry acorda do acidente e vê
que sua filha já não está mais no carro, e decide então ir atrás dela.
Harry tem a impressão de ver sua filha entrando em um beco muito escuro, e não
pensa duas vezes, sai correndo desesperadamente atrás da garota. Chegando a
certo ponto do beco, Harry vê um corpo totalmente mutilado pendurado nas grades
e logo após, crianças totalmente deformadas o atacam, fazendo-o desmaiar. É
claro que o jogo possui mais detalhes, mas para saber mais, eu recomendo você,
leitor, a experimentar a verdadeira sensação de medo e terror psicológico. O
mais interessante do game, é que ele deu um novo horizonte aos games de survivor
horror, deixando um pouco de lado aquela filosofia Revolver Ocelot: “seis balas
para matar qualquer coisa que se mova”, mostrando que um pouco de suspense e
sustos muito criativos fazem um bom game (vide Clock Tower, SNES). A
jogabilidade não deixa a desejar, o personagem é livre para andar aonde quiser,
mas para o ano de 1999, poderia ter sido bem mais explorada, com maior
interatividade com o cenário (que por sinal, não é nada pequeno). Os gráficos,
bom, batendo na mesma tecla, para o ano de lançamento, também não foram muito
trabalhados, fazendo os olhos do personagem se parecer com um borrão de
maquiagem, mas a gráfica dos cenários em si, ficou algo deslumbrante,
principalmente com relação ao mundo alternativo (assim chamado pelos fãs da
série), transpondo todo o clima medonho que só Silent Hill sabe fazer.
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Alessa e Cheryl, as metades da laranja querem se unir
O jogo tem outro grande foco pela sua história um tanto complexa. Tentarei
resumir o principal:
- Alessa Gillespie é filha de Dahlia Gillespie. Dahlia é uma estranha mulher
líder de uma seita secreta conhecida com “A Ordem”. Alessa era rejeitada por
todos na escola por seus dons sobrenaturais. Na verdade não só na escola, mas
até mesmo sua mãe, que a maltratava em sua própria casa. “A Ordem” tinha como
“Deus principal”, um ser chamado Samael, que segundo a crença de Dahlia e seus
seguidores, iria purificar o mundo com as (segundo eles) chamas purificadoras, e
os levaria para conhecer o verdadeiro paraíso. Mas como fazer para conhecer o
verdadeiro paraíso? Fácil, trazendo Samael para o plano terreno, e Dahlia tinha
em mãos a pessoa certa para trazer o seu Deus à vida: Alessa. Dahlia então ateou
fogo em sua casa, dando origem ao evento conhecido como “O Grande Incêndio”,
atingindo casas localizadas no distrito de negócios. Alessa saiu viva do
incêndio, mas seu corpo ficou totalmente carbonizado, sendo assim, ela não só
sofria com a dor de não ter amigos, mas sofria agora com a dor física. Com isso,
ela ganhou novos poderes, e decidiu então dividir o seu espírito em duas partes,
sendo uma encontrada por um casal (cujo pai torna-se neste instante Harry) e a
outra residindo em algum lugar não localizado, no corpo carbonizado de Alessa,
que está em coma profundo e precisa de constantes amparos médicos. Sabendo que
sua filha, mesmo estando profundamente debilitada, Dahlia lança um feitiço para
reencontrar a outra metade de sua filha e, conseqüentemente, trazer Samael à
vida.
Este é o motivo pelo qual Cheryl foge do carro no início do game, já que Cheryl
e Alessa são as mesmas pessoas, são totalmente ligadas espiritualmente.
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As Aberrações, mesmo deformadas, tem um sentido
Como citado anteriormente, as aberrações do game, tem certo sentido. Todas
elas são materializações de ódio, sofrimento, medo ou até mesmo lembranças de
Alessa já em, digamos, estado vegetativo. Exemplos claros são das enfermeiras e
médicos- monstro, já que boa parte da vida Alessa residiu no hospital. Já aquela
mariposa gigante do game, fazia parte da decoração do quarto de Alessa. Um pouco
mais adiante, temos também uma criatura saltitante, que seria o medo que Alessa
tinha sobre os adultos, enfim, todos os monstros contidos no game têm seus
significados, o que torna ainda mais interessante o game, pois não se tratam de
meras criaturas sem qualquer sentido, colocadas ali para dar um “medinho” no
jogador.
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O Filme x O Game
Não sou a pessoa certa para dizer “este é melhor que este”, mas enfim.
Defendo a idéia de que se você vai fazer um filme baseado num game, faça-o o
mais parecido possível com a sua origem, tudo bem um adicional aqui, outro ali,
uma coisinha leve nunca é demais para dar um clima mais recheado. Mas o filme
“Terror em Silent Hill” adicionou demais, tirando o protagonista e pondo A
protagonista. Isto mesmo, A protagonista. O filme tem a história base a de
Silent Hill um, mas o que era pra sair uma idéia legal acabou sendo um show de
tombos e quedas daquelas merecedoras de “Framboesa de Ouro”. Não digo que o
filme ficou ruim, não, não ficou ruim... Mas poderia ter ficado mais FIÉL ao seu
original. Sim, o que você está lendo é uma defesa ao game e um “empurrão na
beira do precipício” ao filme, pois Hollywood faz misérias com verdadeiras obras
de arte, como Resident Evil, Super Mario Bros. (é existe um filme dele,
merecedor de Sessão da Tarde), Alone In The Dark, e por aí vai a lista. Por
tanto, deixo meu protesto contra Hollywood bem explícito aqui!
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Veredicto Final: O que pecou no game?
O jogo teve apenas dois fatores que pecaram, mas que não fizeram com que o
game perdesse a sua magia:
- 1- A qualidade gráfica ficou muito a desejar, mas nem por isso deixou o jogo
ruim, muito pelo contrário, ainda existem os cenários e a história muito bem
sacada, transpondo um medo não físico, mas um medo psicológico, na qual se sente
o medo Harry.
- 2- Deixar com que Hollywood estragasse a série, com suas adições exageradas,
desfocando totalmente o filme do game (mesmo sabendo que um é um e outro é
outro, mas a base em certos pontos praticamente se perde totalmente, não
sobrando Silent Hill