Shadow of the Colossus - SONY - PS2 - review por evilgambit

 

Todo mundo quer jogar algo que marque na memória, como uma experiência rica e divertida e que exale em todos os seus estágios e detalhes, o brilhantismo de uma pequena obra de arte, foi assim desde o começo da industria dos games, mas realmente ao menos para mim, pouquíssimos games chegam a este nível!

Shadow of the Colossus, indiscutivelmente é um desses poucos games.

Produzido pelos mesmos gênios japoneses criados de aclamado ICO, SOTC é uma obra prima sem igual no vasto acervo do Playstation 2, mesmo não sendo um game perfeito, suas colossais qualidades o colocam a frente de todos os outros games em vários quesitos, principalmente no artístico e no uso do hardware do cansado console, e pessoalmente como o melhor game de sua geração. Impressiona sua beleza, a estética, a originalidade, o minimalismo, a estupenda trilha sonora e o enredo, simples de morrer, mas cativante.

Um enredo com pouco, ou quase, nenhum dialogo, é onírico e mágico!

Através da abertura do game temos uma idéia da história: um rapaz viaja a cavalo por vastos campos, vales e florestas, atravessa uma enorme ponte que parece ser o ligamento com uma área estéril e misteriosa, alheio ao mundo conhecido. O cara carrega consigo o corpo de uma mulher. Quando chega em um enorme templo, uma voz misto de trovão com mãe balançando um chinelo diz que talvez seja possível trazer a alma da garota de volta SE 16 gigantes que habitam a região sejam derrotados, usando uma misteriosa espada, que o rapaz possui. O herói se apega a esse fio de esperança sem raciocinar, como num conto romântico e inconseqüente.

A partir dai o game segue um processo de exploração do mapa para encontrar os gigantes ( você utiliza um feixe de luz que sai da espada para localizá-los ), encontrando-os você precisará descobrir como derrotá-los, e isso é um dos mais belos momentos do game. E não é só no enredo e nos objetivos que o game é minimalista, você conta com apenas duas armas, a espada e um arco e flecha. A jogabilidade também não oferece vícios de botões, seqüências de comandos, ou dezenas de itens ( na verdade eles não existem ), a apresentação e resolução dos desafios segue de forma simples e direta, sempre se utilizando de habilidades simples como escalar ou simplesmente pular um buraco.

Os 16 gigantes são obras artísticas digitais em seu PS2, prepare-se para se apaixonar, se impressionar e temer cada um deles. O design é absolutamente original, lembrando um pouco estátuas indígenas sul-americas e desenho que variam tanto quanto a forma de derrotá-los. Apesar de complexo em muitos casos, não é necessário muito gasto de massa cerebral para descobrir como deve ser feito. Subir neles, sentir o efeito de "pendulo" enquanto se agarra nos pelos de um colossus enquanto ele sacoleja desesperadamente para te derrubar impressiona, a simulação de efeitos de física são excelentes e compartilham grande parte do "realismo" e dificuldade que é desafiá-los.

O game impressiona não só pelo efeito de física, mas também na iluminação ( as cores borradas com o sol saturando o horizonte é bucólico e lindo de morrer ), a vastidão e variedade dos cenários e possibilidade de visualizar pequenos detalhes como lagartos, pequenas árvores e arbustos balançando ao vento, águias cortando o céu e tudo mais colaboram para enriquecer e muito a viagem literal que é cavalgar o mundo de Shadow of the Colossus. A IA do game varia do modesto ao incrível, você percebe que os 16 gigantes seguem um script pré programado e pelo tamanho e para garantir que qualquer um jogue o game, eles não chegam a surpreender numa segunda jogada por exemplo, mas o cavalo Agro, que faz companhia ao herói durante toda a aventura dá um show de personalidade, basta deixá-lo quieto e ele irá  para perto de você, vai "acenar" como um bom cavalo, procurar um mato para comer ou beber  água, durante as batalhas é possível notar ele correndo em volta do gigante enquanto você está entretido em furá-lo com a espada, ele esta lá, sempre numa distância segura mas fiel como bom companheiro que é nesta quase solitária aventura.

A trilha sonora é linda, tem contexto emocional e cada trilha casa perfeitamente com sua determinada cena, a musica da abertura me faz relaxar de um tal modo, que confesso as vezes, ligar o aparelho só para assisti-la, depois desligo e vou trabalhar. É indiscutível que ap´´os jogá-lo você vai querer muito ter esta trilha sonora a sua disposição.

SOTC apesar de indiscutivelmente lindo, original e adulto, não é um game perfeito. Da pena ver ele rodando num PS2 para dizer a verdade. As texturas apesar de detalhadíssima, estão em baixa resolução, a taxa de frames sofre em diversos momentos do game! A jogabilidade também é afetada pela proposta de liberdade que os criadores incorporaram ao game, você controla a visão do game com o analógico, e apesar de não ser nada tão grave, em diversos momentos você irá se confundir e se perder no deslocamento visual enquanto corre em volta de um colossus. São pequenos detalhes que comprometem o status de game perfeito.

São detalhes.

Shadow of the Colossus é um daqueles games inesquecíveis, que o pessoal irá comentar com saudades daqui a muitos anos, uma obra grandiosa que mostra que apesar das limitações, o PS2 pode surpreender com uma direção artística primorosa  e com um sopro de inovação que não necessariamente careça de um joystick diferente. Com certeza uma experiência encantadora, dezesseis vezes inesquecíveis.

 

 

 

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