| Street Fighter IV - Capcom - Playstation 3 - Análise por evilgambit |
Eu já comentei aqui na EGL, nas análises de Street Fighter II e Super Street Fighter 2 Turbo, sobre a importância desta série no mercado de videogames e também em minha vida de gamer.
Falar sobre Street Fighter involuntariamente eleva meu lado nostálgico. O quarto jogo da série em especial me relembra uma desejo meu nos anos 90!
Lembro-me bem, quando vi pela primeira vez o arcade de Virtua Fighter 2 da Sega no fliperama que frequentava. Os gráficos em 3 dimensões, com direito a movimentação da câmera dando ênfase a uma movimentação realística me deixou bastante esperançoso. Que fã de Street Fighter II não gostaria de ver o Ryu desferindo um Hadouken em 3 dimensões? Na segunda metade dos anos 90 isso quase aconteceu pois a Capcom cedeu à Arika o direito de produzir um spin-off da série entitulado Street Fighter EX. Ele tinha gráficos poligonais, coisa inédita na série, mas devido a tecnologia da época o visual era bem feio, quase sem detalhes (aka texturas) e perdeu um dos maiores méritos da série, o visual rico e colorido.
Eis que finalmente Street Fighter III chegou a mercado dos arcades no final da década de 90 e mais tarde a alguns consoles domésticos. Tinha gráficos 2D requintados, contava com um cast de personagens inéditos e tinha uma jogabilidade complexa e apurada. Mas nem de longe teve o mesmo impacto do segundo jogo da série. O gênero já não era uma febre entre os jogadores, os concorrentes já tinham mostrado gráficos ou tecnologias semelhantes e os personagens novos, apesar de bacanas, não tinham o mesmo charme dos 12 originais, os verdadeiros "world warriors".
Quando a Capcom anunciou, finalmente, em meados de 2008 que estava produzindo Street Fighter IV, ela foi enfática em dois pontos cruciais e que chamaram a atenção dos fãs: Apesar de todo montado em polígonos a mecânica do jogo continuaria em 2D e que os personagens clássicos de SFII estaria TODOS disponíveis, todos caracterizados como no original e brilhantemente adaptados à nova realidade gráfica de hoje.
E como se saiu Street Fighter IV?
Graficamente ele é impecável. A direção de arte soube compor um dos fatores que mais impressionou em SFII na época de seu "debut", o visual dos personagens é rico, eles tem toneladas de movimentos, e com dezenas de quadros de movimentos. Os personagens são construídos com uma quantidade considerável de polígonos, garantindo um visual redondo e colorido como se fossem verdadeiras "art works". A animação dos golpes especiais esbanja efeitos visuais, e todos os movimentos clássicos, do Shouryuken flamejante de Ken ao Guile penteando o cabelo após vencer um round, tudo foi cuidadosamente transposto para o visual 3D. É espetacular notar que os personagens evoluíram visualmente sem perder o charme de mais de 15 anos atrás. Quando os personagens ganham os embates (ou quando desferem os ULTRA Combos) é possivel notar o quão lindo são os modelos em 3 dimensões, com a aproximação da câmera.
Os cenários são belíssimos, cheio de detalhes, extremamente coloridos e contam até com certa interatividade pois no calor da batalha, espectadores podem perder o equilíbrios e itens podem se quebrar. Alguns cenários tem variação de dia e noite, como na série Fatal Fury, porém isso não ocorre em tempo real. O que incomoda é que diferente dos outros jogos da série, cada personagem não conta mais com seu próprio cenário, a grosso modo são 13 palcos de luta e estes são aleatório, com exceção é claro da ambientação do último chefão, que tem uma casa fixa.
A trilha sonora é boa e só. Os cenários contam com musicas inéditas que nem de longe tem o brilhantismo das composições de SFII e perdem até para as belas musicas compostas para SFIII. Existem também remixes dos temas originais dos personagens clássicos e até que quebram o galho. Se a musica não empolga, o mesmo não pode ser tido sobre o trabalho de dublagem, que é bom como sempre na opção pelo idioma japonês e regular na versão inglesa. É fácil constatar que a dublagem japonesa em jogos de luta é bem superior ao trabalho realizado no ocidente e é triste notar que o Ryu não "canta" o nome de alguns golpes na voz norte americana. Porém, deixar no idioma inglês pode ser interessante para entender o que os personagens dizem durante os embates, pois eles soltam pequenas provocações e argumentações enquanto a porrada come solta, dando mais emoção e personalidade aos duelos.
A jogabilidade, como a Capcom prometeu é fundamentalmente 2D. O controle composto por direcional e seis botões (3 de socos e 3 de chutes) permanece intacto. O jogo conta com um elaborado e fácil sistema de combos, muito semelhante ao Street Fighter II, com a diferença de que os combos entram mais fácil pois o timming foi facilitado. O jogo não tem parry (original de SFIII) e nem defesa aérea, mas conta com todas as outras implementações feitas no decorrer das diversas versões anteriores. A barra de Super Combo é dividida em pedaços, cada parte completa permite liberar golpes especiais mais fortes, basta usar dois botões ao mesmo tempo. Com a barra completa é possível dedilhar os Super Combos, combinações devastadoras e já clássicas desde Super Street Fighter 2 Turbo.
Tomando alguns sopapos você carrega uma segunda barra, a de ULTRA Combos. Esses golpes são ainda mais devastadores tanto no dano quanto no visual (espetacular, usando ângulos de câmera e tal) e podem reverter completamente um round considerado perdido.
E como novidade SFIV trás o Focus Attack. Um meio de trazer ao jogo um sistema de "parry" mais amigável de se utilizar e ao mesmo tempo quebra a defesa de jogadores que abusam da retranca.
Depois de todo esse detalhamento sobre vários aspectos da jogabilidade vale ressaltar que Street Fighter IV ainda sim é um jogo de fácil aprendizado. Na verdade tudo se resume a algum tempo de treino, com certeza novatos já estarão dando suas voadoras seguidas de rasteira nas primeiras partidas e com o tempo aprenderão a implementar golpes especiais de forma estratégica nas lutas. Elaborar estratégias e desferir combos majestosos é questão de treino e dedicação.
eO jogo conta com 25 lutadores. Muitos personagens clássicos, dentre eles alguns novatos com visual inédito e com golpes e estratégias próprias. O destaque do cast de lutadores fica para Gouken, o lendário irmão de Gouki (Akuma nos EUA) e mestre de Ryu e Ken. Dado como morto no enredo oficial da série, ele aparece vivinho da silva e promete divertir os fãs que sempre imaginaram como seria este icônico e simbólico personagem!
O enredo até que existe, o quarto jogo da série se passa entre o segundo e o terceiro. Após a queda da organização criminosa de M. Bison (Vega no Japão), uma organização suspeita patrocina um novo campeonato de artes marciais, novamente, cada personagem tem motivação própria para a peleja. O diferencial deste são peças em animação japonesa porcamente feitas para explicar o enredo de cada personagem e uma certa ligação entre os finais dos personagens, exemplificando, o final de Guile, Abel e Chun Li são interligados, assistir cada final dá uma idéia geral sobre o que aconteceu.
O jogo trás apenas o básico em seu conteúdo. O clássico modo arcade, com direito a intervenção de outros jogadores através da rede online do Playsytation 3, dando aquele gostinho de desafio típico dos arcades. O VS para disputas entre amigos na sua sala de estar, Challenge com Time Trial, Survivors e outros que servem basicamente para destravar colecionáveis e um modo online que permite partidas rankeadas e amigáveis, cumprindo bem a proposta de partidas onlines com lag até que aceitável. (jogar contra brasileiros é bem gratificante, dependendo da conexão dos usuários você nem percebe atrasos na conexão).
Contando com o elenco original de Street Fighter II, novos personagens bastante carismáticos e criativos e mais alguns outros exclusivos na versão caseira, Street Fighter IV carrega consigo o legado de uma das séries mais importantes da industria. Consegue agradar os fãs que ainda carregam SFII no coração e promete angariar novos fãs com gráficos espetaculares sem perder o charme que conquistou os jogadores à quase duas décadas atrás. É um caso raro de completa reformulação de um jogo 2D, mantendo todas as qualidades de antigamente e atribuindo o que existe de melhor na atual tecnologia.
Você é fã de jogos de luta? Street Fighter é então obrigatório para você
Você gosta de videogames? Então confira este jogo, é uma aula sobre o passado e um colírio para este presente, cheio de jogos cinzas e escuros.