Resistance 2  - Insomniac Games / Sony  - Playstation 3  - Análise por evilgambit

Em Resistance: Fall of Man, o norte americano Hale é enviado junto com 150 mil soldados para reforçar a resistência no Reino Unido, e não estou falando da Segunda Grande Guerra, em 1951 o que destruiu toda Europa não foram os alemães mas sim os Chimeras. Não se sabe ao certo o que são, estes seres surgiram no interior da Russia, levaram décadas para preparar uma massiva invasão no velho continente e destruíram tudo desde então. Quem não morre é transformado em Chimeriano e reforça a massa destrutiva inimiga. O bloqueio no Canal da Mancha é rompido e as tropas britânicas e norte americanas são destroçadas pelos poderosos e asquerosos inimigos.

Hale é infectado pelo vírus chimeriano, mas descobre que é imune de alguma forma à patologia. Ao invés de se tornar num Chimera, ele torna-se mais ágil, ganha olhos com cores amedrontadoras e pode-se curar com rapidez de ataques não fatais. Junto com o que resta da Resistência ele consegue atacar uma importante base Chimeriana e impede o avanço deles em solo britânico. Resistance 2 começa exatamente onde parou o primeiro jogo da série.

Hale agora é destacado para retornar aos EUA. O novo alvo dos Chimerianos é Tio Sam e para isso organizam uma massiva invasão bélica. Naves gigantescas cortam os céus das maiores cidades gringas e a esperança é resguardada em uma secreta tropa de super soldados e claro, no soldado Hale. O enredo de Resistance 1 era muito bom, assim como a ambientação mesclando tiro em primeira pessoa típico de ficção cientifica (estilo Doom) com as décadas de 40/50 (como em Call of Duty e Medal of Honor). O visual mescla muito bem cidades da metade do século XX, armas futuristas e uma trama muito boa e bem contada. Em Resistance 2 temos uma expansão deste enredo, a ambientação agora é nos EUA do mesmo período e tudo foi fielmente construído para assim parecer, o jogador vivenciará o caos da matança em diversas localidades norte americanas, a variedade de ambientes surpreendem pois são completamente distintos um dos outros.

Porém, diferente do primeiro jogo, a narrativa de Resistance 2 é bem inconstante. Muitos personagens novos apresentados são importantes na trama e não há identificação alguma, não existe um aprofundamento mínimo necessário, neste aspecto o primeiro era bem melhor. Existem momentos épicos e bem cinematográficos no entanto, que até que tentam abafar a falha na narrativa. Existe uma variedade enorme de inimigos e cada um responde e ataca de uma forma, o que torna o jogo bastante atraente no single player. A Insomniac se esforçou para tornar a jogatina interessante, apesar de ser um FPS padrão do tipo ande e atire, a todo momento você terá que lidar com monstros mais fortes e mais inteligentes, isso sem mencionar a grande variedade e quantidade de chefes de fase, monstros colossais responsáveis pelos melhores momentos do jogo.

Graficamente Resistance 2 é bem superior ao primeiro, neste temos cenários mais coloridos, com uma água muito convincente, efeitos de luzes sensacionais, texturas excelentes na maior parte dos cenários bem, modelagem e texturas bem feita para o protagonista, seus amigos e principalmente para os chimerianos que roubam a cena com um visual soberbamente grotesco. O que salta aos olhos no entanto é que o capricho técnico é bem inconstante. Em alguns cenários é notório a simplicidade de texturas e formas geométricas e em outros cenários é tudo impecável, quando quer Resistance 2 é um dos jogos mais bonitos do PS3. Vale ressaltar o frame rate constante, sem quedas, mesmo nos momentos mais tensos da jogatina (como no anterior, os cenários são vastos e infestados de inimigos).

A trilha sonora é incidental e orquestrada, como o gênero requer. O destaque fica para a excelente dublagem norte americana e a possibilidade de escolher em outros idiomas, o português (de portugal) inclusive.

Mas eu ainda não comentei a melhor parte de Resistance 2, seu incrível modo online. Temos duas opções para a matança online:

Cooperativo, onde você e seus amigos da PSN irão se unir em dezenas de estágios paralelos ao enredo da campanha principal. Nestes capítulos paralelos, você vivenciará um dos soldados do pelotão de elite norte americano e deve combater hordas de Quimerianos. É fundamental jogar em equipe neste modo e isso é reforçado com a opção de classes distintas que vão do típico Rambo cheio de armas poderosas ao Médico, que tem como função principal dar apoio aos outros jogadores. É bastante divertido e jogadores atentos ficarão satisfeitos em perceber que o modo Cooperativo explica alguns fatos ocorridos na campanha principal.

Já o modo Competitivo é o clássico mata mata dos FPS, em diversos sabores: Free for All, Por times e por ai vai. Partidas rankeadas dão direito a experiência para customização do seu combatente online, as armas são balanceadas, os mapas diversificados e bem construídos e o que mais chama a atenção é a ausência de LAG nas partidas onlines. Resistance 2 tem o feito de colocar pela primeira vez nos consoles 60 jogadores se matando num mapa gigantesco e sem lag algum. Eu já joguei diversas partidas, devo dizer que ando bem viciado no modo Competitivo e só presenciei alta latência da conexão em duas ocasiões. A infra-estrutura online que a Insomniac desenvolveu para Resistance 2 é algo fora de série e que deve ser seguida pelos seus concorrentes, nós jogadores só temos a ganhar.

O primeiro Resistance não era perfeito, mas trazia tudo para entreter um fã de FPS: uma campanha single player divertida e um modo online robusto e competente. Resistance 2 melhora em todos os aspectos, os gráficos mesmo inconstantes, no geral agradam até o mais exigente dos jogadores e isso é mais evidente nas lutas contra os majestosos chefes de fase, é simplesmente espetacular. O modo online é completo, funcional e competitivo, um dos melhores que já apreciei em consoles. E vale lembrar que o final da campanha para um jogador mais deixa perguntas que respostas aos fãs, então é certo uma continuação. Que venha, a Insomniac conseguiu criar uma franquia de peso para os consoles da Sony, o segundo jogo da série atesta isso.

 

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