Read Dead Revolver  - Rockstar  -  Playstation 2 - análise por churrumino

 

Ah! O cheiro de pólvora queimada, a bosta de cavalo nas botas, as melhores putas do Alabama e uma boa garrafa de whisky. Quem não curte um bom western? Particularmente é um dos gêneros de filmes que eu mais gosto, mas eu não vim falar de filmes, mas sim de games, e a vítima da vez é Red Dead Revolver, jogo desenvolvido pelo núcleo em San Diego da Rockstar para o PlayStation 2 em 2004, um bom tiroteio em 3ª pessoa pro imortal console da Sony.

 

Pra falar a verdade, essa minha paixão pelos tiroteios passados no oeste norte-americano começou com Sunset Riders, o jogo originalmente pra arcade desenvolvido pela Konami. E Red Dead Revolver se assemelha em muitos aspectos com o clássico que foi tanto jogado por mim no Super Nintendo e apenas há alguns anos rejogado em sua versão arcade (muito superior, diga-se de passagem) nos emuladores. Talvez seja esse o fato de eu ter gostado tanto do game mesmo com seus vários defeitos.

 

Pra começo de história, o enredo do game não é lá dos mais inspirados: quando Red (o nosso protagonista) era moleque, seus pais foram assassinados em seu rancho por um grupo de bandidos que estavam em busca do ouro que o pai de nosso ator principal havia encontrado. Ok, a premissa é simples, mas dá um bom caldo. Como Sunset Riders, você começa o jogo despreocupado, apenas matando uns bandidões por aí e ganhando uns trocados, mas à medida que você avança a história começa a se acertar e você tem umas passagens bem bacanas matando os capangas do “chefão” do jogo (com direito até a uma fase de cavalo correndo do lado do trem com uns caras tentando te acertar pela janela). Acabou me lembrando muito os games da época de ouro dos 16 bits pela simplicidade com que o jogo se desenvolve, onde tudo é motivo pra você sair descendo chumbo nos outros.

 

Se você já conhece o trabalho do pessoal da Rockstar, sabe que CG (os famosos filmes pré-renderizados) não é com eles. Pelo menos aqui eles tiveram um pouco mais de capricho, as cenas não interativas trazem um visual granulado que faz lembrar os western spaghetti de bem antigamente. Outro ponto que agrada é a dublage. Red tem aquela voz canastrona que todo fã do estilo acostumou a ouvir em vários filmes do gênero. E não é só a voz dele, todos outros personagens tiveram a dublagem muito bem trabalhada com vozes que fecham perfeitamente com seus respectivos estilos. É muito legal você descarregar o tambor num bandido qualquer e ouvir ele gritando “Ah, Dios mio!”.

 

O som agrada e MUITO. Com certeza um dos pontos altos do game. Como já falei, a dublagem trás o clima quase perfeito ao jogo, que é completado magistralmente com a música. Fãs dos filmes mais atentos que jogarem o game reconhecerão várias composições que já são famosas há anos.

 

A jogabilidade não tem nada fora do comum pra qualquer jogo desse estilo salvo algumas exceções: segurando o R1 Red saca seu revólver/rifle/espingarda/faca ou seja lá o que estiver selecionado, e com outro botão atira. Obviamente ele também tem o direito a se jogar pros lados à lá Max Payne, mas essa não é uma tática que você vai usar com muita freqüência. O que realmente caiu bem foi o sistema de se escorar em paredes e olhar e atirar pelos cantos. A curva de aprendizagem é baixa, no máximo em meia hora qualquer jogador mediano já se adaptou aos comandos e estará chumbeando os inimigos.

 

O armamento à disposição do jogador é bem variado. São mais de 15 armas entre revólveres, espingardas e rifles, e armas de arremesso (facas, dinamite). Sendo que antes de começar a “missão” você pode escolher uma de cada tipo pra levar junto e juntar do chão o que suas vítimas deixarem. Obviamente cada arma tem seus pontos fracos e fortes, seja a precisão, alcance, tempo de recarga ou estrago que o tiro faz. O som que o disparo de cada uma emite também é característico. Acaba ficando repetitivo dizer isso, mas o som do jogo é nota 10.

 

Uma coisa muito bacana que infelizmente foi mau aproveitada são os momentos que você passa na cidade. Você pode visitar os vendedores locais, o Saloon ou o gabinete do Sherife e comprar com o dinheiro ganho nas missões: armas, personagens pro multiplayer (que será comentado daqui a pouco), páginas do diário (que são informações sobre as armas, personagens, etc), ou aceitar missões como caçador de recompensas do Sherife. O que eu quero dizer é que, apesar de ser legal você poder andar dum lado pro outro e entrar nas lojas, seria mais bacana ainda se houvesse mais liberdade, como ter a opção de ir andando da cidade até a missão e enfrentar uns bandidos randômicos no caminho, ou algo similar. A cidade no final das contas é um menuzão pré-missão e nada mais.

 

O que parece que está na cartilha dos jogos de tiro atualmente é que sempre tem que ter algo parecido com bullet time (efeito em câmera lenta que ficou famoso com os jogos do policial com cara de bunda e com uma certa trilogia de um cara de casaco preto). O nosso protagonista tem o “dead eye”, tudo fica em câmera lenta e à medida que você passa a mira no corpo dos inimigos são feitas marcas, e ao acabar o tempo desse “poder”, Red dispara. Não é nada original, mas as habilidades dos outros personagens acabam sendo mais “incomuns”, pra não dizer mais úteis.

 

Ao longo da jornada você não fica preso somente a Red. Você acaba jogando, por exemplo, com o inglês Jack Swift, que usa dois revólveres ao mesmo tempo, ou então com o índio Lone Wolf, que conta com um arco e a habilidade de ficar quase invísivel. Esse fator acabou trazendo diversidade ao jogo, apesar de que, particularmente, acho que Red é um personagem bem mais legal que todos os outros juntos. É quase como comparar Raiden com Solid Snake.

 

Ok, o multiplayer. Eu fiquei com impressão de que faltou tempo/empenho pro time da Rockstar. A opção multi-jogador fica limitada à tela dividida e acredito que no máximo 2 jogadores e 2 computadores (ou 1 jogador contra 3 computadores). Mas por outro lado tem uma porção de personagens pra escolher, a esmagadora maioria secretos. Um multiplayer cooperativo seria uma adição das boas, mas quem sabe não fica pra continuação, o final deixa pontas pra isso.

 

Red Dead Revolver é indispensável pra qualquer fã de western. E talvez exagerando um pouco, obrigatório pra quem gosta de um shooter em 3ª pessoa. Vale a pena dar uma jogada naquela noite chuvosa de sexta-feira, e talvez no fim do domingo você já não tenha terminado ele.

 

 

 

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