One  - ASC Games  - Playstation  - Análise por Ninja

O ano é 1992, ano este que foi recheado de fatos importantes. É bem provável que a maioria aqui não se lembre de muita coisa que rolou nessa época, afinal se levarmos em conta a média de idade dos frequentadores da EGL, você leitor devia ter entre 6 a 10 anos de idade. O fato é que foi um ano bem movimentado, nosso excelentíssimo ex-presidente Fernando Collor foi derrubado, a cidade "maravilhosa" foi palco de uma conferência para a discussão do meio ambiente o RIO 92, a Bósnia e Hezergovina se tornou um país independente, o Carandiru foi palco de um dos maiores massacres já vistos no nosso país, meu pai percebeu que estava ficando careca e por último mas não menos importante, foi fundada nos states a American Softworks Corporation, que mais tarde passaria a ser conhecida apenas como ASC Games.

A ASC foi uma empresa que teve vida curta, fechou as portas no início de 2000 e nunca foi uma publisher das mais conceituadas. A bem dizer, ela passou quase que despercebida durante muito tempo pois dentre os games que foram lançados sob sua logomarca dá pra contar nos dedos os títulos que foram realmente significativos (e mesmo que você não tenha polidactilia ainda lhe sobrariam dedos). Só pra citar como exemplo, seu rebento mais famoso é Grand Theft Auto lançado primeiramente para PC e em seguida para Playstation, título este que seria adquirido pela Rockstar Games mais tarde.

Em 1997, alguns anos antes de bater as botas foi lançado One, game de ação frenética com temática futurista que tinha a proposta de levar ao jogador um desafio absurdamente descabelante, sendo pura e simplesmente um game de destruição em massa do início ao fim sem muita enrolação, daqueles que quando se chega no final de cada fase vc recupera o fôlego e massageia os dedos.

"I made a mistake..."

Você está na pele de John Cain, não sabe absolutamente nada sobre seu passado, nem porque acorda no chão de um estranho apartamento e muito menos o que diabos um canhão laser está fazendo no lugar onde deveria estar seu braço esquerdo. Talvez os policiais no helicóptero do lado de fora do prédio possam lhe dizer algo, isso se eles não estivessem atrás de você disparando mísseis e querendo acabar com sua raça a qualquer custo. Nenhuma emoção, nenhuma lembrança, John sente apenas uma coisa, um único sentimento... RAIVA, MUITA RAIVA!!!

Logo no início One mostra a que veio, a primeira das seis longas fases do game serve pra dar um gostinho do ritmo acelerado e da alta tensão que se fará presente durante todo o jogo. Admito, é empolgante fugir do helicóptero pelo extenso corredor desviando de destroços, disparos laser e mísseis vindo em sua direção, tudo isso acompanhado de explosões, faíscas, conversas de rádio entre os policiais que te caçam como se fosse um leão em meio a savana.

RAAAAAAAAAAAGEEEEEEE!!!

O controle do personagem é bem simples e intuitivo, e tem tudo que um bom game de ação/plataforma deve ter: saltos duplos, ataque carregados e firulas desse tipo estão presentes em One. Um arsenal bem variado que vai desde um simples canhão laser passando por um lança-chamas, que tal um poderoso lançador de foguetes? É nós temos um! Esses e outros brinquedinhos de destruição em massa estão a disposição de John na medida que se avança pelo jogo. Tudo isso pode ser turbinado de acordo com o nível de raiva do personagem, nivel este que você pode conferir no canto inferior direito por uma pequena esfera colorida. Bolinha verde: John está calmo, bolinha vermelha pulsante: Cuidado! O sujeito está realmente puto, e isso faz dele um exército de um homem só, literalmente!

Como foi dito acima existe um verdadeiro grupo de extermínio no encalço do nosso herói, o motivo? Nem ele sabe (pra ser sincero eu também não me lembro, já faz um tempão que joguei esse negócio!) Mas enfim, fique esperto pois policiais, tanques, aeronaves, mercenários e mais uma dezena de maus elementos estão babando por sangue, o seu sangue! E acredite eles não vão dar moleza. O jogo em seu nível normal oferece um desafio considerável, experimente o modo Hard se você não tem muito amor ao seu couro cabeludo, pois pode crer que vai chegar uma hora que com as mãos na cabeça o joystick no chão você vai berrar: "Puta merda, sujeitinho filho de uma..."

Tecnicamente falando...

One agrada, tem um visual legal, design interessante e gráficos que usam bem a capacidade do filho mais velho da Sony. Em alguns aspectos ele se assemelha bastante ao terrível e totalmente dispensável C: The Contra Adventure lançado para Playstation em 1998, a primeira vista os dois são bem parecidos, mas basta olhar mais de perto para notar diferenças gritantes tanto no estilo de jogo, quanto visual e jogabilidade.

Jogabilidade, outro ponto importante. One possui uma jogabilidade bem fluida e simples, pode ser que quem está acostumado com o uso dos analógicos em games desse estilo sinta uma certa dificuldade em ter que controlar o personagem usando os direcionais, mas não é nada que cinco minutos de jogatina não resolvam. A câmera do game influi diretamente na jogabilidade, pois ela se movimenta bastante o que pode dificultar um pouco as coisas mas como foi dito não é nada preocupante.



Pelos aspectos sonoros não existem muitas novidades, explosões, gritos, diálogos tudo com um ótimo padrão de qualidade, e a trilha sonora feita para manter o clima frenético e a adrenalina fluindo cumprem bem o seu papel. Vai ter horas em que você vai querer usar o lança chamas não só pelo belo efeito visual e o prazer de ver seus inimigos se debatendo, mas os gritos de dor e desespero certamente são marcantes!


Enfim, One vale a pena pois é um game curto e grosso, feito pra detonar com o stress. Se você tem vontade de variar, está de saco cheio das espadas do Kratos, e procurava um bom jogo para descarregar a tensão (ter uma namorada nessas horas também tem efeito similar). Cai matando meu chapa, aproveite o que o Playstation tem pra oferecer, diversão garantida!

 

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