| Okami - Clover Studios - Playstation 2 - análise por churrumino |
Sabe aquele
jogo, que quando você coloca o disco/cartucho você pára e fala: “Porra!”. Não é
um “porra, que merda de jogo”, mas sim um “porra, que jogo bom”. Esta última
expressão me motivou a fazer esse review sobre Okami, jogo desenvolvido pela
Clover para o PlayStation 2. Esta é minha primeira análise depois de anos, sejam
pacientes, e não se enfureçam, vou escrever sobre um jogo que eu adorei, que
infelizmente não teve a repercussão que devia e que merece um espaço nesse site.
Aos olhos mais desatentos, Okami pode parecer apenas um clone da série Zelda,
mas não se precipite, em muitos pontos ele é superior ao elfo que veste verde.
No jogo, você controla Amaterasu, deusa do Sol, que com a ajuda do pequeno Issun,
deve restaurar a natureza do Japão que fora destruída pelo monstrengão de 8
cabeças, Orochi. Parece bem simples, não? Não, o enredo do jogo esconde muito
mais, espere pelas reviravoltas dramáticas, piadas bem no estilo japa, e muito
mais do que um simples jogo de aventura pode oferecer.
Eu falei que o jogo se parece com a série Zelda, vou citar as semelhanças que
mais saltaram aos meus olhos. A primeira, sem sombra de dúvidas, é Issun. Ele é
um artista viajante que se junta à Amaterasu na esparança de que, conforme o
lobo branco recupere os seus poderes com o pincel (falarei disso mais adiante),
possa aprender alguma coisa. Você se lembra da fada Navi de Ocarina of Time?
Issun tem praticamente a mesma função, ele ajuda você à resolver puzzles, dá
dicas, fala por você (como Link, Amaterasu também não fala), entre outras
coisas, com o advento de se derreter pelas belas donzelas japonesas e fazer
piadas com a própria “bola de pêlos” que você controla, é o escopo cômico, junto
com outros personagens, durante todo jogo.
O estilo de exploração também segue o mesmo padrão inventado por Zelda, você
pode ir até onde seus poderes/habilidades permitem, mas não tem como seguir em
frente sem fazer o que é necessário, seja conversar com uma pessoa, ir à certo
ponto, ou seja lá o que for. E as semelhanças param por aí.
Como eu disse, Amaterasu tem poderes com o pincel. Funciona da seguinte maneira:
segurando o R1, o plano muda para como se fosse uma pintura totalmente sem cores
e o seu direcional toma forma de um daqueles pincelões e você pode desenhar o
que quiser, seja um “risco” que acarretará num ataque semelhante ao de uma
espada, seja uma ponte que está quebrada e você pode a redesenhar, uma árvore
morta que você pode reviver, etc. Durante a aventura são 13 as técnicas que
podem ser aprendidas, sem contar com algumas variações secretas. É uma pena que
conforme o jogo anda, nota-se que algumas delas tornam-se repetitivas,
baseando-se apenas no “arraste daqui para lá”. O lado bom é que, para quem tem
paciência, as técnicas secretas tapam alguns desses buracos, trazendo novas
funcionalidades mais práticas e divertidas.
As composições dão um clima muito legal, nada que mereça um destaque especial,
mas todas são muito bem feitas e com uma variedade razoável. Os efeitos sonoros
também, cumprem seu papel. O que chama atenção são as “vozes” dos personagens.
Você já jogou Banjo-Kazooie? Bem, cada personagem emite um “ruído” específico, e
esse é o som que sai durante os diálogos. É legal até, e é uma alternativa bem
original pra não deixar o jogo em silêncio ou então só um “tec-tec-tec” enquanto
as letras aparecem, mas você acaba enjoando de ouvir o barulho que o Issun faz,
e ele fala pra caramba.
Ok, os gráficos e o design são com certeza algumas das frações mais
impressionante do jogo. Quando o pessoal da Clover decidiu largar o estilo mais
realista (fotos abaixo) e partir pra esses gráficos que lembram uma daquelas
antigas pinturas nipônicas, eles não poderiam ter feito uma escolha melhor. O
resultado é soberbo.
O cenário é simplesmente estonteante. Ao reviver a primeira cerejeira, a
explosão de cores deixa qualquer um boquiaberto. É indescritível.
Tudo se encaixa perfeitamente, sejam os personagens meio disformes, sejam os
traços tremidos, o design cativa, trás um tom de felicidade e calma ao jogo nos
momentos necessários, ou então um ar mais sombrio quando você entra numa área
ainda contaminada ou em uma luta.
Falando em luta, durante a exploração, você verá alguns “pergaminhos” voando
pelo cenário. Encoste neles, e a luta começa. Cada inimigo pode ser derrotado de
várias maneiras. Seja na base da violência ou usando as técnicas de pintura.
Você que escolhe. As lutas oferecem um nível de desafio equilibrado, indo do
fácil ao médio nos confrontos decorrentes da exploração e do médio ao difícil
nas lutas contra os chefes, mas até um jogador principiante com um bom
conhecimento do inglês, se vira muito bem no jogo.
A deusa também conta com um arsenal nada modesto, composto por cerca de 15 armas
que podem ser obtidas durante a aventura, e equipadas como armas primárias ou
secundárias (obtendo efeitos distintos), sendo de 3 tipos diferentes: os ditos
“espelhos sagrados”, que são como aquele “prato de fogo” que ficam nas costas
que você já deve ter visto nas fotos de divulgação do jogo e agem como um combo
de “socos” básico ou como um escudo, os “rosários” que servem como chicotes ou
como armas de longo alcance, e as lanças/espadas, que você já deve imaginar como
funcionam. Além das armas, há também itens que podem ser coletados e funcionam
como em qualquer RPG que você já tenha jogado, nada que mereça grande destaque.
E claro, como todo bom adventure, ele também tem um mini-game de pescaria.
Apesar de simples, me fez gastar algumas horas tentando pegar os maiores peixes
pra conseguir um dinheiro extra e algumas das técnicas secretas.
Além da história principal, que dura cerca de 35-40 horas, o jogo conta com
algumas side-quests, nada muito diferente do que você já tenha visto, mas o
número de missões secundárias é relativamente alto para um jogo desse calibre, e
quem realmente gosta de completar um jogo 100% para aproveitar todos os extras,
vai ter bastante trabalho com Okami.
Apesar dos muitos prêmios ganhos, é uma pena que a tiragem do jogo tenha sido
muito pequena. Nos EUA, vendeu cerca de 200 mil cópias, e no Japão não chegou a
vender nem 70 mil cópias, número bem baixo, ainda mais considerando-se a enorme
base instalada do PS2. Infelizmente a CAPCOM dissolveu a Clover e agora nos
resta ir atrás dos membros remanescentes que partiram pra outras empresas e
ficar de olho pra onde vai o Hideki Kamiya, designer do game.
Okami não é jogo pra qualquer um, por ser um game de exploração com
pequeníssimos toques de RPG, a aventura principal é relativamente longa e pra
alguns pode ser cansativa. O destaque fica por conta dos gráficos maravilhosos
que, como alguns dos útlimos lançamentos do PS2, levam o hardware do vídeo-game
ao extremo e pro enredo e pros personagens carismáticos, que dão vida ao jogo
juntamente com o design. Esse é um daqueles games que, daqui alguns anos,
atingirá status de cult, e vem pra mostrar que não é uma alta vendagem que faz
um bom jogo.
Jogue e delicie-se.
Okami (Beta), antes da mudança dos gráficos:

A maravilha de hoje:


