| Nosferatu - Seta Corporation - Super Nintendo - Análise por Ninja |
Não é de hoje
que vampiros, demônios e outras criaturas das trevas povoam a
mente humana.
Você com certeza já ouviu muita
história quando era
moleque sobre lobisomens, curupira, fantasmas, a loira do banheiro,
etc...
Quando se
explora coisas que
não são deste mundo, além de colocar
medo em
pivetes catarrentos, te dar aquela ajudinha no cinema para
aplicar
a clássica mão boba na gatinha sentada ao seu
lado
durante um filme de terror, e dar boas idéias para festas de
hallowen é acima de tudo, uma excelente maneira de ganhar
dinheiro.
Em 1991 uma desenvolvedora de nome Seta Corporation apresentou uma ideia até original diga-se de passagem: "Explorar o conceito de duas franquias famosas que não tinham absolutamente nada a ver uma com a outra". Os jogos em questão eram a aclamada série vampiresca da Konami: Castlevania. E a criação mais notável de Jordan Mechner: Prince of Persia.
Ah, a década de 90... A verdadeira "Era de Ouro" dos consoles de 16-bits. Mega Drive e Super Nintendo eram as vedetes do momento, chamavam quase tanta atenção quanto a bunda de Rita Cadillac em sua melhor época como chacrete. Como os brinquedinhos japoneses eram o centro das atenções nada mais justo que empresas não tão conhecidas entrassem de cabeça nesse mercado para abocanhar uma fatia do bolo. Com isso a Seta inicia o desenvolvimento de Nosferatu para o SNES... Isso mesmo, só inicia, pois devido a uma razão que até hoje ninguém sabe exatamente qual é, Nosferatu foi adiado (terrivelmente adiado, o joguinho detém o título de "jogo mais adiado do SNES") e seu lançamento oficial só foi possível em 1995, ano este em que o velho Super Nintendo já nem era mais assim tão super, e sentia o peso da idade se tornando aos poucos um console ultrapassado.
Ei... É impressão minha ou já ví essa história antes?
Nosferatu tem uma das premissas mais simples e clichês possíveis: O chupador de sangue badass, motherfucker e garanhão, vai até minúscula e enevoada cidadezinha próxima de seu castelo e rapta uma suculenta jovem chamada Erin, para torná-la sua eterna companheira. (Como deu pra sacar, apesar de usar o nome, o jogo não se refere a clássica obra do cinema mudo de Friedrich Wilhelm Murnau, que possui Nosferatu como protagonista e não o conde Vlad Tepes do romance original de Bram Stoker).
Para não ficar com fama de corno e bundão, Kyle o protagonista do jogo parte em busca de sua amada invadindo o reino do temido "Don Juan Hematófago" (desculpe, mas não consigo definir de outra forma). E arriscando seu pescoço para chegar até os aposentos do vampirão para que assim possa resgatar a donzela. Como dá pra notar, chavão é o que não falta.
Esqueça chicotes e água benta, o negócio mesmo é porrada!
Bom, dizem que quando você copia algo de uma pessoa é plágio, mas se copia de muitas é pesquisa. E para não sofrer com futuros processos a Seta até inova, e ao invés de seguir o caminho trilhado pelo clã Belmont que usa dos mais variados artifícios para derrotar seus inimigos, nosso herói Kyle faz uso de técnicas de artes marciais para dar conta das ameaças enviadas pelo tinhoso.
O sistema do jogo possui características próprias, logo no início Kyle possui como ataques uma simples sequência de socos, e alguns chutes. Na medida em que se avança pelo castelo e se coleta pequenos cristais, o jovem lutador adquire técnicas novas e mais potentes podendo assim variar os ataques com determinadas combinações de golpes.
Outra coisa que o diferencia da série da Konami, é o sistema de energia que recebe upgrades com cristais que você encontra pelo trajeto, a possibilidade de mais de um caminho para se chegar ao final de cada fase, fora um contador no canto da tela que lhe dá o tempo limite para terminar cada etapa. É cambada não é fácil, além de não poder contar com armas para facilitar sua vida, e passar por lugares realmente complicados que exigem um pouco de raciocínio, exatamente como as aventuras de um certo príncipe, o jogo ainda estipula um tempo para alcançar suas metas.
Se você procura desafio moderado, então este é um jogo que provavelmente vai lhe agradar. Pequenos puzzles, armadilhas por todos os cantos e inimigos bem chatos (que foram tirados diretamente do "catálogo de criaturas assustadoras para fins recreativos"). São zumbis, esqueletos, demônios, lobisomens, múmias, frankensteins, vampiros, olhos flutuantes e toda uma horda de criaturas que deixariam até mesmo Van Helsing ocupado durante um bom tempo, tudo que você já viu em clássicos filmes de horror está lá.
Tá mas... E e quanto ao visual, parte sonora?
Nos aspectos técnicos Nosferatu agrada bastante (falo por mim). O jogo possui uma atmosfera bem lúgubre, cenários como masmorras, castelos amaldiçoados bem no estilo de filmes de terror da Universal na década de 50 se fazem presentes. Os sprites são bem feitos (lembram um pouco os gráficos de Clock Tower), apesar de poucos detalhes. Os movimentos de Kyle por exemplo, são bem bacanas, é legal ver o bonequinho se movimentar durante as ações, e os inimigos, possuem um vísual clássico de criaturas de horror, como pequenos demônios, zumbis apodrecidos, um gigante e desajeitado Frankenstein, em resumo o visual agrada. E destaque para a rápida sequência de abertura que ficou bem interessante e serve para impor o clima do jogo.
O som cumpre seu papel, na verdade o jogo não tira todo o proveito da capacidade sonora do console da Nintendo, mas mesmo assim não decepciona. A trilha sonora com aquela música de fundo bem sinistra faz parte da aventura. Já os efeitos que vão desde trovões enfurecidos cortando o céu, aos gritos de Kyle, um gemido fantasmagórico aqui e alí, o som dos golpes, tipo filmes chineses de Kung-Fu e a temida e assutadora gargalhada do vampirão marcam presença. Destaque para a música da abertura, confesso que quando joguei Nosferatu pela primeira vez em 1996 nos meus frutíferos 11 anos de idade, fiquei com a silhueta do vampiro e a musiquinha demoníaca martelando na minha memória durante um bom tempo. Em geral, agrada.
Já a jogabilidade no início é um pouco travada, não lembra em nada Castlevania e é justamente neste ponto que o jogo mostra sua face Prince of Persia. Os controles são simples: O direcional movimenta o personagem, para subir em alguma plataforma basta ficar bem abaixo dela e pressionar cima. Existe ainda um botão de ataque e outro pra pular e só. Os combos do herói se fazem pela quantidade de vezes que se aperta o botão e sua variedade se deve as jóias encontradas pelo caminho, vale também usar o botão de pulo seguido do de ataque, que garante um golpe a mais. Combinando o botão de ataque com o direcional você tem o movimento de esquiva, no início é meio chato pegar os controles que parecem travados demais, mas no decorrer da jogatina você percebe que encher uma múmia de sopapos é quase tão fácil quanto esmagar tartarugas com um certo encanador.
Um enredo bem simples, desafio elevado (para alguns), possibilidade de finais diferentes e clima sombrio, fazem de Nosferatu uma ótima opção para você que consegue enxergar além de gráficos soberbos, entende que som digital não é tudo na vida e aprecia a diversão eletrônica de verdade. O jogo é bacana, divertido, consegue exigir uma certa perícia do jogador, e é tranquilamente indicado para aqueles dias em que você não tem muito o que fazer e está afim de "velhas novidades".
Quer um conselho? Experimente! Afinal, aí está algo que pode te sugar apenas uma tarde, e não o seu sangue...