KILLZONE 2 DEMO - Sony  - Playstation 3  - Análise do demo por evilgambit

Em 2004 a produtora Guerilla lançou Killzone para o Playstation 2. Tido como o "Halo 2 Killer" , ou melhor dizendo, a franquia que derrubaria a então supremacia dos FPS de consoles até então garantida à serie Halo no Xbox 1. No entanto Killzone acabou afogado em seu próprio "hype", era muito expectativa para um jogo com limitações técnicas, algumas embutidas no hardware limitado paras as pretensões da produtora. Killzone falhou em alguns aspectos como a jogabilidade abalada pelas constantes quedas de frame rate, um sistema de mira que as vezes fazia jogadores prenderem a respiração e falta de capricho em diversos quesitos técnicos. Mas é inegável, mesmo com tantos problemas era uma série com grande potencial e o jogo ainda sim tinha diversos fatores positivos. Quem quiser saber mais, basta procurar pela análise do jogo aqui  na EGL.

Tanto pareceu uma série com futuro que a Sony comprou a Guerilla e investiu milhões de dólares na empresa. Veio Killzone Liberation, um excelente shooter em terceira pessoa para o portátil PSP e em 2005 com assombro e ceticismo, jogadores e a "mídia especializada" puderam assistir ao primeiro demo técnico de Killzone 2, para o então prometido Playstation 3. O vídeo em computação gráfica é o que se chama de "render target", ou seja, o que se espera do produto final de um jogo ainda em produção.

Killzone 2 passou por anos em total hibernação, até que em 2007 os primeiros vídeos do estágio PRÉ ALPHA de desenvolvimento foram liberados para o grande público. Agora, em fevereiro de 2009, faltando alguma semanas antes do lançamento uma demo do single player do jogo é disponibilizada para os donos de Playstation 3. E ai? Eles conseguiram?

Devo dizer que tirar conclusões a respeito de um jogo com um demo de 10 minutos de duração é como achar que uma mulher é boa de cama apenas olhando seus dentes. É inviável e requer cuidado qualquer comentário afim de exaltar ou detonar um produto final, somente degustando de forma devida e com todo tempo do mundo é que isso seria possível, então fica claro que essa é minha opinião sobre o demo, apenas.

A demonstração é grande, 1207 megas baixados a muito custo em uma PSN européia completamente congestionada. Eu confesso que ando bastante ansioso para o "debut" de Killzone 2, pois depois de Call off Duty 4 do console, eu posso me considerar um viciado em FPS online em consoles. Demo instalada e já começam as boas impressões com uma seleção de idiomas que inclui o português (apenas legendas). Feito a seleção somos entregues ao modo história e opções, as únicas ativas e selecionáveis no menu de entrada. No menu é possível configurar o dualshock 3 de diversas maneiras, quem já está acostumado com a disposição dos comandos em COD4 se sentirá em casa com a opção "alternative 2". Sábia decisão da Guerilla...

Entro na parte jogável da demonstração. Uma cena não interativa nos entrega ao horror da guerra. O protagonista Sev e os soldados que compõe seu batalhão estão em uma pequena aeronave que pousa em uma praia do planeta do inimigo. O bagulho é tenso, rápido, barulhento e bem cinematográfico. Sem dizer estupidamente bem feito. Logo estamos no solo e você começa a jogar, finalmente.

O demo é rápido, começa na praia, fazemos uma incursão até um batalhão inimigo ( com tanques) que impede nossa passagem. Este é eliminado e junto com um companheiro, controlado pela CPU, adentramos uma construção inimiga com o intuito de liberar passagem ao resto do nosso exercito. Deixa apenas um gostinho de quero mais e exalta duas qualidades inatas da série: O jogo nos coloca na pele do personagem, em apenas dez minutos estamos cientes de que estamos em uma guerra e o detalhamento com relação ao desenho dos cenários, apesar de se passar alguns séculos a frente, é tudo muito crível e não soa ficção cientifica demais. É uma evolução bélica palpável e admiravelmente bem construída.

Graficamente, pelo pouco que se mostra no demo, pode-se dizer que a Guerilla conseguiu atingir um novo patamar em gráficos para esta geração de consoles. Impressiona o detalhamento, a construção dos cenários são amplas e detalhadas. Mas o que de cara que deixa impressionando é a quantidade de efeitos introduzidas ao mesmo tempo. Os efeitos de luzes são convincentes, poeira, estilhaços e outras coisas que voam pelos ares ajudam a criar uma atmosfera viva e crível. O detalhe dado aos inimigos e aliados no que se refere à animação é muito boa, dá para se notar que eles gastaram muito dinheiro e tempo estudando movimentos reais de seres humanos. Outro quesito que não poderia deixar de mencionar é a física e destruição de cenários; quase tudo no cenário (em especial em cenários fechados) responde ao que você faz no jogo, jogue uma granada perto de um armário e veja suas gavetas abrirem, mesas e cadeiras quebrarem e assim por diante. As paredes e alguns pedaços de concretos são destruídos com os tiros, mas nada absurdamente interativo, basta dizer que neste quesito ele lembrou um jogo da geração passada, Black do Playstation 2.

Não dá para deduzir que graficamente Killzone 2 seja a coisa mais linda que já aportou em minha HDTV. Até porque eu não sou a melhor pessoa para avaliar este tipo de coisa. Uma coisa é certa, Killzone 2 pode não ter texturas perfeitas como Gears of War 2 e Uncharted, mas no todo, unindo texturas, construção de cenários, física e atenção a detalhes, ele supera facilmente estes dois exemplos. Ajudou esta comparação? Killzone 2 não se sobressai em um aspecto mas no conjunto da obra.

A trilha sonora é incidental, parece aumentar de intensidade conforme o jogo o requer, o que é muito bacana e ajuda 100% na imersão do jogo. Os efeitos sonoros, o som das explosões e dos tiros, é praticamente impecável. Sem dúvidas um dos jogos que melhor usaram o potencial do sistema de som aqui de casa. É barulhento MESMO. Killzone 2 vai fazer muito marmanjo pensar em investir em um sistema de som decente para a sala, disso não tenho dúvidas.

Agora falaremos sobre a jogabilidade. É um FPS para consoles, então se você é daqueles que chora e tem gastrite quando pensa em jogar um FPS sem teclado e mouse, este não é um parágrafo para você. Ao contrário de COD4 do PS3, em Killzone 2 eu não senti assistência nenhuma no sistema de mira. Isso é ruim? Bom, na minha opinião o pessoal da Guerilla quis manter uma das principais características do primeiro jogo, a jogabilidade fincada no realismo. O personagem não se vira rapidamente, como se estivesse dançando uma musica do MJ. Ele demora, você sente o peso do corpo e de todo equipamento que ele carrega. Calma, ele não se vira como um tanque de guerra, mas não espere movimento propriamente ágeis em Killzone 2. A mira é sensível mas você não irá demorar alguns minutos para se acostumar por causa disso mas sim porque o peso das armas e o "recoil" delas é incrivelmente realista. Aperte com força o botão de tiro e faça chover balas de forma indefinida, mesmo mirando como todo cuidado. É bacana, requer algum treino mas deixa a jogabilidade bastante interessante porque você sente um absurdo realismo, alie isso aos gráficos de ponta, à potência sonora magistral com essa jogabilidade muito sensível às emoções que o jogador exala. A grande novidade é um sistema de COVER fácil de usar e muito útil para visualizar avanços durante o cenário.

Não estou dizendo que Killzone 2 tem jogabilidade ruim e lerda. Não é para entender por esse lado. Ele não tem uma jogabilidade "arcade" como Resistance 2 por exemplo. Em Killzone 2 você sente o peso das armas, procurar locais seguros para atirar é primordial, não adianta sair como um maluco e tentar dar headshots, isso não funcionará ( pelo menos nas primeiras dezenas de horas de jogo ) e o recarregamento da munição das armas não é algo feito por um autista, requer um local seguro e estratégico para isso porque não é algo rápido de se fazer, fazia muito tempo que eu não jogava um FPS onde você tinha que se preocupar com a quantidade de balas na arma e o espaço de tempo que levará até outra oportunidade de recarga. É excelente isso, adrenalina total. A inteligência artificial dos inimigos é exemplar, eles não se parecem com bots de multiplayer pois cometem erros e ficam bem expostos as vezes como em todo single player que se preze ( e que não queira irritar jogadores ) mas é notável que eles investem em abrigos, procuram se organizar durante o tiroteio e usam bem o sistema de cover do jogo. É complicado avaliar a IA do jogo em um demo, então deixo para comentar melhor quando tiver uma cópia do jogo em mãos.

É isso, uma demonstração curta para um jogo que ainda promete boas surpresas. Vale ressaltar que depois de ver tantos vídeos do jogo, em especial do cenário do demo, que não dá para evitar, perdeu um pouco a graça. A sensação de dejavu é grande. Mas não impediu que eu me impressionasse com o apuro técnico do jogo. Visualmente Killzone 2 é rico e sem dúvida umas das coisas mais lindas a rodar no Playstation 3. Mas é uma demonstração, pude experimentar no novo sistema de cover, muito prático e útil. A jogabilidade que muito se assemelha ao primeiro jogo da série, embora bem mais refinado e fácil de jogar. Provávelmente em março eu estarei com o jogo e depois degustá-lo da forma devida darei comentários mais precisos. 

O que posso adiantar é que fiquei mais ansioso ainda :)

 

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