Image Fight  - Irem  - Nintendo/vários  - Análise por evilgambit

Image Fight é um shooter espacial da Irem, a mesma de R-Type. O jogo porém não é em scroll horizontal como a afamada série e sim vertical, como Raiden Trad e Tiger Heli. Original dos arcades, ganhou versões muito boas para várias plataformas e foi no Nes que eu conheci esse grande jogo de nave, confesso: o meu preferido no gênero.

Voltando à 1990, quando revistas de videogame engatinhavam no mercado nacional, locadoras de cartuchos se espalhavam pelo país, a Tec Toy avançava firme representando a Sega e os clones do Nes inundavam as liquidações nas redes populares, a minha única preocupação real era ter o que jogar no meu precioso famicom.

Bons tempos onde amigos faziam saudáveis e heterossexuais troca-trocas de jogos (pirataria era existente, mas não pornograficamente difundida como é hoje), foi numa dessas que um filho de uma amiga da minha mãe emprestou Image Fight, a versão japonesa ainda por cima, com aquela embalagem fodástica em papelão. Graficamente, para quem só havia experimentado os shooters da Capcom (aqueles que sempre começavam em um porta aviões) e o infame Tiger Heli (sim, aquele que vinha com o Top Game), Image Fight foi um desbunde gráfico e sonoro desde a primeira partida. E apesar da idade avançada quando eu jogo hoje sinto que ele pouco envelheceu, talvez porque eu goste muito dele é claro e mas não custa nada argumentar incansavelmente para que você, ignorante quanto aos bons títulos do saudoso console, o experimente e quem sabe dê o braço a torcer.

Como em todo shooter, o enredo é basicão. No futuro a Terra sobre a ameaça de invasão do povo da galáxia de Boondoggle. Colônias terrestres na lua sofrem devastadores ataques e o futuro da humanidade depende da habilidade de honrosos pilotos e das mais novas naves espaciais de combate: a 0F-1 Fightership. Interessante ressaltar que a mesma nave é selecionável em R-Type Final.

As cinco primeiras fases nada mais são que treinos, em ambiente virtual para testar suas habilidades. E as 3 finais são combates reais, onde você deverá dar cabo dos invasores. Os 8 estágios são muito bacanas, em especial o segundo estágio onde navegará ao lado de uma gigantesca nave espacial, de fazer inveja aos cruzadores imperiais de Star Wars, outros estágios remetem a instalações espaciais com espaços apertados para manobrar a espaçonave e planetas alienígenas repletos de inimigos orgânicos, nada muito original é verdade mas tudo muito bem executado no console e aproveitando muito bem seus infimos recursos visuais.

Os chefes de fase são um capitulo à parte, todos são bastante criativos, eles tem baixa resistência à ataques constantes, mas equilibram o embate exigindo bastante destreza, para vencê-los você dependerá não só de habilidade mas também terá que descobrir como destruí-los em alguns memoráveis casos.

A trilha sonora é muito boa e esse elogio soará bastante incoerente hoje para quem está acostumado a trilhas orquestradas e vozes digitalizadas com grande fidelidade. A composição das trilhas de Image Fight, na minha opinião, estão entre as melhores do Nes e quiçá de todos os videogames. Elas são empolgantes, variadas, marcam na mente de quem está ali focado em destruir e desviar mas tem o defeito da idade, foram executadas num arcade dos anos 80 e para piorar adaptadas no Nintendinho. Experimente jogar Image Fight, atestar a criatividade de sua trilha sonora e dar um bom desconto, afinal celulares de meados dos anos 90 tinham um chip sonoro mais avançado.

A jogabilidade é simples, funcional e rápida, como necessita um bom jogo de nave em scrool vertical. Com um botão você atira e com outro você muda para um dos 4 níveis de velocidade que sua nave pode alcançar. O game permite que você colecione até 3 pods auxiliares e eles são de dois tipos, azuis que são fixos e atiram somente para frente e os vermelhos que irão atirar na direção oposta à sua navegação. Os pods azuis são excelentes para aumentar incrivelmente seu poder de fogo contra os chefes já que quase todos estarão sempre à sua frente, os pods vermelhos irão auxiliar bastante destruindo canhões nas laterais dos estágios e permitindo até tiros nas diagonais caso seja necessário, pressionando os dois botões ao mesmo tempo os pods laterais irão avançar sobre os inimigos. Você ainda poderá acoplar uma arma especial à frente da sua nave, são armas poderosas como lança mísseis, lasers teleguiados, escudos e bolhas destrutivas que atiram pelas diagonais.

O lança mísseis é muito útil e facilita bastante sua jornada.

E Image Fight é divertido? A jogabilidade é agil e precisa, rapidamente você terá acesso aos pods auxiliares, na versão Nes os inimigos não enchem a tela como na versão arcade, mas cuidado com a mira deles que é bem precisa. Caso você não tenha completa aversão ao estilo, ou tenha sérios problemas de coordenação, não terá grande dificuldade em avançar alguns estágios e com alguma dedicação você poderá terminá-lo sem perder um rim. Eu não acho Image Fight difícil, mas para uma pessoa que vem jogando à 20 anos, isso é no mínimo suspeito.

A versão do Nes tem pequenas diferenças comparando a versão americana com a japonesa: no manual da versão americana existem detalhes no enredo que não inexistem na original japonesa. As musicas da versão japonesa são um pouco melhores, provavelmente porque no cartucho nipônico existia algum chip extra para incrementar o som (coisa bem comum). Image Fight ganhou também conversões para PC-Engine (bem fiel, paguei caro no ebay...), PC e foi relançado para o Playstation e Saturn. Uma seqüência foi lançada para o PC-Engine CD, porém não teve o mesmo apelo entre os fãs.

Desde que fundei a EGL, sempre que posso, eu recomendo bons jogos que me divertiram bastante à anos atrás. Na minha opinião bons jogos nunca envelhecem, a capacidade do jogador de reconhecer uma pérola dentre tantos títulos que são lançados todos os anos dependem de marketing e também de recomendações de que já experimentou bons jogos (também conhecido como o melhor marketing). Eu faço a minha parte, este site está aqui para isso, e se eu fizer pelo menos meia dúzia de sujeitos deixarem de lado o coerente preconceito quanto à gráficos defasados e jogabilidade extremamente clássica e mesmo reconhecerem o sublime e raro valor de Image Fight, este site terá feito com louvor seu papel.


 


 

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