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Hajime no Ippo – The Fighting + Victorious Boxers 2 - Informações no texto - análise por Churrumino |
Há uns meses
me apresentaram Hajime no Ippo, um anime que fala de Boxe. Eu estranhei à
primeira vista, mas resolvi dar uma chance e me surpreendi, é um desenho de
qualidade com lutas bem boladas e personagens bem legais. Uma das coisas que eu
costumo fazer depois de assistir um anime de ação que me agrade, é procurar
jogos do mesmo, e dessa vez não foi diferente.
São dois os jogos que eu vou comentar nesse review: Hajime no Ippo – The
Fighting (2002, Japão, Treasure, Game Boy Advance) e Victorious Boxers 2 (2006,
USA, New, PS2).
O primeiro, desenvolvido pro já antigo portátil da Nintendo pela Treausure e
publicado pela ESP e disponível apenas em japonês, trás gratas surpresas. Apesar
de já ser meio velho, com seus 5 anos de mercado, espanta ver o que a produtora
conseguiu fazer com o até então imbatível GBA.
A primeira coisa que impressiona são os gráficos: os personagens são muito bem
desenhados e tem uma resolução muito boa, logicamente dadas as limitações que a
telinha trás, e são idênticos aos da série, inclusive mantendo seus estilos
característicos (espere ver Mashiba balançando o braço e Date fazendo uma “cara
estranha” quando apanha). A movimentação é boa e cumpre seu papel, nada muito
fora do comum aqui.
O som até que é bem legal apesar dos auto-falantes do GBA serem uma porcaria,
são inconfundíveis os urros do Ippo quando você joga no Story Mode. As falas de
praxe dos lutadores também estão presentes. Por exemplo, você jogando com Ippo
contra Sendo, ao desferir o Liver Blow ele muda a fala e grita o nome do
adversário, o mesmo vale pro outro, é uma idéia simples mas muito legal, e te
deixa mais envolvido com a jogatina. As músicas já não chegam no mesmo nível da
dublagem, cada personagem tem seu tema, esses sim prejudicados pela falta de
potência sonora.
Ele conta com os modos simples de jogo: torneio, em que você joga com qualquer
lutador e pode ser o campeão (acredite, vencer com os mais fracos não é pra
qualquer um), treino, versus, um modo simples de edição de lutadores, compra de
golpes e melhorias nas habilidades, e o básico modo história, podendo inclusive
mudar a rumo do enredo apresentado do anime.
Agora, com certeza, a parte que mais chama a atenção é a jogabilidade. A visão
não é lateral como estamos acostumados a ver nos jogos de luta por aí. Ao invés
disso, a Treasure optou por uma visão em primeira pessoa, onde você só vê as
luvas de seu pugilista, uma solução muito bacana e que funcionou muito bem,
diga-se de passagem. Além disso, a produtora teve que se virar com os 4 botões e
o direcional para fazer um bom jogo de Boxe, e o fizeram magistralmente. Vou
tentar explicar: movendo o direcional para frente ou para trás, seu lutador se
aproxima/afasta do oponente, nada de novo até aqui. Um botão desfere jabs e o
outro serve para esquiva. Agora entra a parte interessante.. Para juntar toda a
gama de golpes possíveis, a Treasure fez o seguinte: segurando o direcional e
apertando o botão de soco, seu lutador aplica um golpe diferente.
Explico.
Uma seqüência simples seria B, B, esquerda+B, esquerda+B, cima+B, o resultado é
jab, jab, cruzado de esquerda, cruzado de direita e um gancho final. E essa é só
uma das seqüências possíveis, cada lutador tem estilos diferentes. O botão R
serve para aplicar os especiais. Ippo, por exemplo, ao fim do jogo tem cerca de
6 movimentos, 2 defensivos e 4 ofensivos. Para executar o Dempsey Roll,
segurando apertado o R, pressiona-se esquerda, direita e B, e claro, cada
lutador tem toda um arsenal de especiais diferentes, uns com mais, outros com
menos, porém cada um também específico para uma determinada situação, como por
exemplo o Jolt Counter de Miyata, ou o White Fang de Volg.
É meio difícil explicar a jogabilidade assim, jogando tudo fica mais claro.
Impressiona o esmero da Treasure em proporcionar uma experiência fidelíssima ao
anime, e na minha opinião, todos fãs do desenho deveriam testar essa versão pra
GBA, talvez quem realmente só gosta do Boxe e não do desenho se sinta
desapontado e goste mais do próximo jogo que irei comentar.
A princípio, Victorious Boxers2 não chega nem perto de ser um game arcade. Ele
vai adiante e se torna uma simulação. Isso é bom? Bem, sim e não. Vejamos
porquê.
Nota-se que quando o jogo foi trazido para os EUA, foi deixado MUITO de lado. Eu
não sei quanto a versão japonesa, a qual nem botei as mãos mas que li muito
sobre, mas o modo história do jogo até que é bem legal pois trás lutas que vão
além do enredo do anime, inclusive mostrando o que acontece depois do fim da
série. E você não joga só com Ippo, mas também com Aoki, Kimura, Miyata, entre
outros. O problema foi o cuidado que tiveram: as cut-scenes, por exemplo, são
simplesmente horrendas. E os problemas não param por aí. Não há um rastro sequer
de dublagem (com exceção do narrador antes da luta que fala o peso e o nome dos
lutadores). É muito broxante ter que ficar lendo todos os diálogos.
Outro grande problema são os gráficos. Apesar da modelagem e movimentação do
corpo dos lutadores serem razoáveis durante os combates, o mesmo não acontece
com os rostos meio sem expressão e com as cut-scenes, como já comentei. A única
hora que você vê algum resquício de movimento na face dos pugilistas é quando a
bolacha é muito forte e o queixo treme ou durante as conversas, que são
totalmente descartáveis. Durante as cenas não interativas, as texturas são
totalmente mau acabadas e os modelos tem baixa contagem poligonal, a
movimentação também deixa muito a desejar, todos parecem ter tomado um chute no
saco. Isso sem falar na platéia das lutas, que além de ser de papel, conta com 4
ou 5 tipos diferentes apenas e uns 2 ou 3 movimentos. Uma decepção, ainda mais
levando em conta a data de lançamento do jogo.
A parte sonora é um lixo. As músicas durante as lutas, menus e cut-scenes, são
ridículas, umas batidas baratas que irritam os ouvidos, melhor sacar as músicas
do anime e botar tocar no MP3 player ou no computador do que se submeter a essas
composições de meia tigela. Outro ponto fraquíssimo que já citei é a falta de
dublagem, isso deixa um buraco imenso, você sequer ouve a voz do seu lutador,
seria muito bom ouvir as falas imortalizadas no anime antes dos golpes ou então
aquele narrador japonês histérico descrevendo o que está acontecendo no ring.
Com certeza maior esmero da produtora nessa parte teria deixado o game e a
experiência de jogo muito mais divertidos.
No entanto, nem tudo é um caso perdido. A jogabilidade é surpreendentemente bem
desenvolvida. Rumores dão conta de que o sucesso da EA, Fight Night (que já está
na 3ª edição), teria se baseado no esquema inventado pelo predecessor do
Victorious Boxers 2. Pra começar, não há barras de vida. Conforme a luta
transcorre, se você tomar muita pancada seu lutador fica mais lento e vai
perdendo eficiência. O controle começa a vibrar mais à cada golpe e se a bifa
adversária for certeira você beija a lona. O mesmo acontece se você desfere
muitos “especiais” (os golpes característicos de cada pugilista, como o
Corkscrew de Date), você se cansa e um adversário habilidoso dificilmente será
atingido por um de seus já lentos socos. Quadrado e triângulo são os diretos de
esquerda e direita respectivamente, e xis e bolinha são os cruzados,
segurando-se o botão específico desferem-se os uppers (ganchos) ou os especiais
(como já citei, específicos de cada lutador). Parece simples falando, mas
conforme você se especializa, percebe-se que a produtora caprichou ao menos
nessa parte, um jogador novato nunca vai ganhar de um experiente apenas
amassando os botões, a luta é muito rápida e são necessários coordenação e
conhecimento do adversário para chegar à vitória.
De cara, olhando a configuração do controle, há um pequeno problema: parece que
faltaram botões. O movimento de “sway” (que serve pra movimentar o corpo do seu
lutador com os pés firmes no chão e conseqüentemente aplicar outros golpes) foi
deixado de lado, e é necessário incluí-lo no lugar de um dos botões designados
ao upper, pois é indispensável. Depois de ajeitar tudo como você mais gostar,
chega a hora do vamos ver. No começo, são pouquíssimos os lutadores disponíveis
no modo exibição, mas à medida que você avança no modo história mais são
liberados. Além de todos os lutadores presentes no anime (não me recordo de
haver algum faltante) há muitos outros de lutas que não são mostradas, inclusive
acredito que lutadores que somente aparecem no mangá também estão presentes, e
TODOS com seus respectivos golpes certinhos. Nota-se que a jogabilidade refinada
foi desenvolvida justamente para quem se esforça em aprender o jogo, mas um modo
tutorial viria muito a calhar, pois você é jogado direto na primeira luta sem
mesmo saber desferir um golpe no corpo do pugilista adversário. Para quem for
tentar jogá-lo, lembre-se do que eu disse, o botão para “sway” é indispensável.
Uma grande falha foi a retirada de um modo fantástico que está presente na
versão japonesa, que consistiria em você criar seu lutador, definindo a feição,
o estilo de luta, peso, dieta, estilo de exercícios, etc., e seguir das posições
mais baixas do ranking até chegar ao campeonato mundial. É uma pena, pois traria
longevidade e replay ao jogo, como já falei alguns parágrafos acima, foi deixado
MUITO de lado na versão americana.
Apesar dos vários problemas, Victorious Boxers 2 talvez interesse muito os
aficionados pela série que ficaram curiosos em saber o que aconteceu depois do
desfecho. Fãs unicamente do pugilismo talvez tenham curiosidade em conhecer o
jogo que deu as idéias ao Fight Night Round, mas provavelmente prefiram este
pela existência dos lutadores já conhecidos a lutar com meros personagens
fictícios.
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