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Gundam: The Battle Master - Bandai/Sunrise - Playstation - Análise por evilgambit |
Mobile Suit
Gundam (no original Kidou Senshi Gundam) debutou como anime no final da década
de 70. Bem a frente de seu tempo trouxe conteúdo político, uma trama consistente
envolvendo um conflito armado entre o planeta Terra contra as colônias que se
rebelaram e demandam independência. Neste cenário bélico assumem papel imensos
robôs de combate, deste vez sem a caricatura e fantasia típica a eles cogitada
antes pois em Gundam eles são apresentados como veículos extremamente poderosos,
estratégicos e pilotados por seres humanos normais; cada qual com seus
interesses, ambições e dramas próprios. Gundam gerou uma infinidade de séries,
alguns OVA´s e filmes para o cinema.
Obviamente ganhou jogos de luta bem populares no Japão, os primeiros foram lançados
para o arcade pegando carona na febre de Street Fighter 2, mas eram bastante
primitivos tanto na qualidade técnica como na jogabilidade. É interessante
ressaltar que as versões posteriores lançadas para o Super Famicon (o Snes
japonês) eram superiores, mas foi o Playstation que colheu os frutos mais
suculentos.
Gundam: The Battle Master foi lançado em 1996, apenas no Japão, o enredo para
mim é um tanto misterioso (não sei japonês o suficiente, infelizmente) e ele
conta com personagens e robôs reunidos de diversas sagas e universos criados por essas
décadas. É verdade que enredo, apesar de inserir certo conteúdo e credibilidade,
são também secundários e nada importantes se o jogo de luta em si for bom (de
jogar). É o caso de The Battle Master, eu sei que fãs de carteirinha da série
irão ao delírio quando visualizarem o quão belo ficou a recriação dos robôs e
adição de personagens da trama, mas não é necessário ser fã da série para
degustar essa beleza. Bom, talvez gostar de coisas do gênero ajude bastante!
O sistema de jogo é o usual em jogos de luta 2D, você tem a disposição ataques
normais, especiais, dá para voar & pular. Com esses elementos temos a disposição
o ambiente certo para bolar estratégias típicas em um bom jogo de porrada mano a
mano. A jogabilidade no entanto dá a entender logo de cara que você controla
robôs gigantescos, ela é bastante "pesada" e um tanto lenta se comparado aos
outros jogos de porrada. Os movimentos especiais tem muitos frames e quase
sempre abrem sua defesa demandando muita estratégia para saber quando desferir
aquele ataque devastador, mas que pode abrir lacuna para uma possível derrota.
Os efeitos de colisão, um sistema de danos que destrói a armadura dos modelos e
o tamanho imenso de alguns modelos (alguns mal cabem na tela) também devem ser
levados em consideração. Além da barra de "life" típica existe uma barra de "heat"
que aumenta conforme vai apanhando, se ela superaquecer você terá problemas.
Graficamente eu acho Gundam: The Battle Master impressionante até hoje. Ainda
mais lembrando que o Playstation tinha a fama de ser o sistema podrão para jogos
2D e que perdia feio nas conversões de jogos da Capcom e SNK se comparado aos
produtos levados ao seu concorrente bom de sprites, o Sega Saturn. Os cenários
são bonitos mas sem grandes méritos, agora os robôs sim são extremamente
detalhados, com diversas partes móveis independentes e que se destróem durante
as lutas, animação excelente e um design primoroso. O tamanho dos modelos era
excedente a tudo que existia na época mas mesmo assim tudo roda tranqüilamente
no Playstation. A produtora responsável pelo jogo, a Sunrise, está de parabéns.
A trilha sonora é genérica, mas não faz feio. Eu gosto do narrador das lutas, é
uma voz poderosa que cabe perfeitamente com o tom metálico e bélico da série.
Gundam ganhou diversos jogos, em diversos gêneros, mas foi em The Battle Master
que eu finalmente engoli que jogos baseados em animes resultariam em excelentes
jogos (tem uma minoria, mas admito que existem). O jogo foi muito bem recebido
no mercado japonês e acabou ganhando uma seqüência no Playstation, esta
finalmente ganhou o mercado norte americano. Fãs da série animada com certeza
tem motivos de sobra para conferir o jogo, quem quer um jogo de luta 2D sem
grande complexidade ou fãs de animação japonesa (em especial o gênero robôs
gigantes, destruidores e com design tesudo) também tem motivos de sobra para
entrar nesse incrível universo, através deste belo jogo para o 32-bits da Sony.