| Gradius 2: Gofer No Yabou - Konami - NES - review por Péricles L. Filho |
Este título talvez seja um dos mais importantes jogos do NES e da Konami já lançado até hoje, este shooter clássico virou um paradigma e uma referência para todo o tipo de shoot em up horizontal lançado após ele. Gradius 2 foi lançado originalmente para os fliperamas e como toda a peça clássica, é imortal, sempre contemporâneo, caracterizava-se por ter uma jogabilidade difícil, um grande número de fases, belíssimos efeitos sonoros, gráficos estonteantes, algo que com todas as “indas e vindas” do mercado dos games desde a década de 80 é a receita básica de sucesso para qualquer jogo e isso é o que ainda excita qualquer jogador, a prova é que temos o lançamento recente de Gradius V para PS2 bem, mas isso é outra história...
O jogo original é uma continuação de Gradius 1 e Salamander criando a primeira vez na história uma trilogia de enredos em jogos eletrônicos com histórias interligadas entre si. Criando uma apaixonante saga espacial, essa saga foi bastante detalhada nas portas dos jogos da série para MSX, mas que em linhas gerais servem de argumento para todos os jogos da série (o que também é muito raro em games deste gênero).
Uma das formulas de sucessos do sistema NES foi a Konami, que como uma das principais softhouses a serviço da Nintendo deu suporte para ele do nascimento ao seu ocaso, lançando quase todos os seus jogos da moda da década de 80. Então uma das raras portas (e a única de 8 bits fiel ao jogo) de Gradius 2 foi feita para o Nintendinho. Esse jogo legendário ter sido lançado alguns meses depois dos arcades surgirem, mostra o quão era importante o sistema NES no mercado, e o que ele poderia oferecer em termos de desempenho, já que a Konami desenvolveu um mapeamento de memória exclusivo para Gradius 2 embutido no chip VCR 25, com quatro canais de som, sendo esses polifônicos e trabalhando com vozes digitalizadas (para a troca de armas). A versão NES é relativamente enxuta, com poucas modificações em relação ao original do fliperama, com uma jogabilidade bem mais branda e pequenas diferenças em relação a alguns chefes de final de estágio.
Reza a lenda que no Japão (já que esse game só foi lançado para o FAMICON) ele foi durante algum tempo o jogo mais caro da biblioteca NES (custava perto de 5900 yenes) e que muita gente amanheceu nas lojas (no inverno japonês, bastante rigoroso já que o game foi lançado na metade de fevereiro de 88) para comprar o cartucho. A versão do NES foi a primeira porta doméstica dele a ser lançada em um box de luxo, com pôsters e manual em forma de “booklet”, (junto com Nemesis 3 The Eve of Destruction / Gradius 2 Episode 2 para MSX). Os americanos não tiveram essa pérola em suas lojas, a não ser via importação, mas no Brasil o game era conhecido graças a CCE que espertamente fabricava quase todos os jogos da Konami produzidos para o NES. Por causa disso o venerável jogo era muito conhecido entre os “gamers” brasileiros no início da década de 90. Quem gosta de jogos do NES e de jogos de nave deve obrigatoriamente experimentar esse jogo e com certeza vai amá-lo, além de ser uma peça clássica que não deveria faltar a uma boa coleção genérica de cartuchos, e muito menos na de um amante de shooters e jogos de ação.
Gradius 2 é um shooter horizontal com “scroll paralax” (dupla movimentação de orientação vertical e horizontal simultânea) dividido em oito estágios, sendo que o estágio 3 e 4 são emendados entre si e o estágio 7 é uma “mega-fase” com três diferentes cenários e dois chefões. Esta porta difere do original do fliperama em pequenos detalhes, no que refere-se as fases em si elas estão todas presentes sem nenhuma omissão ou modificação estrutural importante. O que a Konami fez foi modificar a ordem das fases, acrescentar cenários semelhantes ao do estágio 3 de Salamander no estágio 1, um chefe a mais no estágio 2, remover o chefe do estágio 3, criando um tampão entre fases, diminuir a dificuldade do estágio 4, e remover outros pequenos detalhes em relação ao game do Fliperama.
Pode parecer muita coisa, mas inacreditavelmente a essência do jogo não foi modificada, guardadas as proporções e diferenças entre um processador de 8 bits “duro” como o 6502 e uma placa dedicada de 16 bits construída apenas para rodar um jogo. Mas esse foi um ponto que a Konami sempre brilhou, portar com o máximo de detalhes os seus jogos de fliperama para o NES. Os gráficos de Gradius 2 utilizam todos os recursos possíveis do Nintendo e são belíssimos por sinal, caracterizados por um grande número de “sprites” (objetos na tela), cenários e “backgrounds” maravilhosos, o desenho mecânico e texturas genais nos inimigos e etc.
O som também é um capítulo a parte graças ao chip especialmente desenvolvido para esse jogo, os programadores colocaram dois canais de som a mais, assim não há mais o “enbaralhamento” entre a música de fundo (essa é outra grande diferença do original do fliper muitas músicas de fundo são inéditas na versão NES), os efeitos sonoros (que são padronizados em relação aos outros jogos da série lançados para o NES) são relativamente fracos em relação ao contexto, A única novidade a mais era a voz digitalizada quando se habilitam as diferentes armas do jogo.
A grande diferença entre Gradius 2 do fliper (novamente dizendo guardadas as devidas proporções entre um sistema e outro) é a jogabilidade, que é muito mais branda na versão do Nintendinho, e essa é uma falha do jogo, já que com alguma decoreba se fecha facilmente ele, a coisa começa a esquentar se o jogador tiver paciência em dar quatro ou cinco loop ends quando realmente a dificuldade aumenta. Falando em fechar o jogo tem um final muito legal e os tais “loop end” ou seja começa tudo de novo mais difícil, característica de quase todos os jogos da Konami para NES, quem se habilita?
Imagens do game:

“flyer interno” com propagandas da versão equivalente de Gradius 2 para MSX (Gradius 2 Gofer no Yabou Episode 2 / Nemesis 3 The Eve of Destruction) do anime em VHS sobe a história de Salamander e de um Making Off e entrevistas com os criadores e programadores do jogo Gradius 2.

Cartucho para o Famicon ( Nes japonês) e scan da capa do manual:

