GodHand  -  Clover Studios/Capcom  - Playstation 2 - review por evilgambit

 

GodHand é daqueles games que passam batido durante o lançamento e talvez com o passar do tempo possa ganhar seu lugar no hall dos grandes games do Playstation 2. Eu sei, talvez não seja para tanto, o game não se preocupa em ser grande, não é lá inovador e também não tem requisitos técnicos para chamar a atenção, mas é no acerto quanto à jogabilidade e no seu estilo descompromissado que ele certamente me chamou a atenção.

A muito tempo, o criador da série Resident Evil vem trabalhando neste game, e ele nunca me chamou a atenção porque simplesmente detesto essa migração dos games de porradaria no estilo Final Fight para o ambiente poligonal e 3D. O que mudou tudo e me fez esperar avidamente por ele foi este comercial.

Fica claro que ele é um game para poucos, afinal esse humor sofisticado que só os japoneses conseguem distribuir é permeado durante todo o enredo, que é patético: Um cara tenta salvar uma garota que estava sendo atacada por uma gangue, se dá mal e acaba sem um braço. A tal gangue é liderada por um grupo bizarro de vilões ( se você se assusta com o visual dos inimigos dos PowerRangers, se prepare ) e eles estão sempre procurando a tal da mão de Deus. A sorte do paladino então desgraçado e com um braço a menos é que a garota que ele salvou tem algo de divino ( por incrível que pareça, jogue e entenda ). Ele acaba ganhando de presente uma mão de Deus, que dá a ele força suficiente para foder com toda essa gangue e vingar-se no melhor estilo Tarantino.

Eu avisei que o enredo era idiota, mas funciona muito bem, difícil isso acontecer em games de porradaria. Os chefões são um capitulo à parte com direito a viadagens extremas e situações no mínimos constrangedoras tanto para o herói como para os vilões. A trilha sonora é completamente dispensável, quase sempre com o mesmo main theme, as vozes e diálogos são muito bons, lembrando bastante os bons momentos de canastrices da série Resident Evil.

A jogabilidade é a melhor parte. Como disse é uma espécie de Final Fight em 3D e jogos assim já existem aos montes, GodHand inova com um sistema de criação de combos, são mais de 100 golpes que você adquire ou compra durante o jogo e edita sua seqüência de ataque. Lembrando que é bom começar com golpes fracos e rápidos para depois engatar golpes mais potentes no intuito de derrubar e finalizar bem a troca de sopapos contra os inimigos. O grande problema é que o nível de dificuldade do game é elevado, os personagens geralmente evitam os golpes mais fortes e partem para o contra ataque, e é ai que entra outra boa novidade: um sistema de esquiva que funciona muito bem e é primordial para o sucesso durante todo o game.

Existe uma barra de especial que quando cheia permite que você se torne muito mais forte e invulnerável ao ataque dos inimigo, excelente para os chefões. E ainda o divertido God Reeru, basta apertar o botão direcionado a esta ação ( atento à barrinha que permite o comando ) e irá abrir um menu de golpes especiais para desferir em seu azarado inimigo, dentre eles destacam-se os tapas na bundinha das garotas ( preferencialmente.. ), um arremesso com um taco de baseball, seqüências absurdas de socos, entre outras divertidas bobagens.

Graficamente o game não decepciona, mas também não exala grande salto de qualidade perto de seus concorrentes, os personagens são bem modelados, mas os cenários são bem pobres. Talvez o único ponto fraco seja a câmera que nem sempre se adequa à melhor visão para o jogador ( uma sina que talvez os games de ação 3D carreguem para sempre ) mas não chega a comprometer.

GodHand é um game bem humorado e livre da preocupação de ser levado a sério. Porém a dificuldade é alta é apetitosa para os saudosos fãs dos games de porradaria dos arcades, a jogabilidade é requintada, eu mesmo fiquei um bom tempo me divertindo ao editar seqüências de golpes ou colecionando novos God Reerus! Se o Final Fight StreetWise ( fuja com força deste lixo ) não honrou o estilo do passado e nem o bom nome da série, os créditos então de seqüênciar espiritualmente o estilo de jogo para uma nova geração de jogadores e de hardware passa-se à GodHand!

A Clover Studio conseguiu o que eu achava ser improvável.

 

 

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