Final Fight  - Capcom  - Várias plataformas  - Análise por evilgambit

Verdadeira lenda dos arcades, Final Fight redefiniu e deu novo gás ao gênero criado por Double Dragon e fez da Capcom referência no estilo porradaria até hoje. O universo do jogo é rico, a jogabilidade é maliciosamente boa e tecnicamente ele é um dos mais refinados, mesmo tendo quase 20 anos nas costas.

O lendário design Yoshiki Okamoto foi o pai conceitual de Final Fight e também da série Street Fighter. Curiosidade quase mórbida é que Final Fight iria se chamar Street Fighter 89, idéia que foi abandonada quando o jogo ganhou contornos de porradaria contínua, abandonando o 1x1 do lendário (e ruim) Street Fighter. Porém os dois jogos se desenvolvem no mesmo universo, enquanto Street Fighter almeja uma escala global, Final Fight foca seu enredo na violenta Metro City, cidade dominada pelo caos, patrocinada pela gangue Mad Gear.

A salvação da cidade ve na época das eleições municipais, quando o ex "Street Fighter" Mike Haggar é eleito prefeito e promete focar todo seu esforço no combate ao crime. A organização criminosa Mad Gear seqüestra a filha de Haggar para intimidá-lo. Diante disso a idéia mais sensata na cabeça dos gloriosos roteiristas da Capcom é:

Haggar recebe o auxilio do namorado da moça, Cody e seu amigo aspirante à ninja, Guy; os 3 adentram o submundo do crime na cidade, partem em busca dos chefões da gangue e claro, resgatam a pobre donzela, ISSO SIM É O QUE OS MACHOS FAZEM! O enredo é básico, o que difere Final Fight de todos os outro jogos do gênero é a qualidade e carisma de seus personagens, tanto que eles fizeram carreira na série Street Fighter Zero, anos mais tarde.

A jogabilidade é bastante simples, com um botão para ataque e outro para pulo, pressionando os dois ao mesmo tempo ativa-se um golpe especial, bem mais poderoso, que ataca vários oponentes de uma vez mas consome energia, é possível arremessar oponentes e usar itens como facas e canos de ferro como armas (embora o mais eficiente seja confiar no próprio punho). Cada um dos 3 personagens selecionáveis tem características próprias: Haggar é o bruto enorme que gosta de agarrar e debulhar os meliantes, é forte porém pesado e lento,. Guy é o contrário, rápido no ataque mas com baixa potência muscular, Cody fica no meio termo.

A grande sacada de Final Fight é a alta dificuldade dada a enorme quantidade de inimigos na tela e um inteligente uso do cenário para liquidar inimigos e evitar ataques. A porradaria é franca, como nos melhores jogos do gênero, mas dada a força, golpes especiais e resistência absurda de alguns inimigos, avançar ferozmente pelo cenário não é a melhor estratégia, o ideal é ir avançando aos poucos e exibir suprema habilidade para dar cabos dos inimigos. Os chefes de fase são um caso a parte, cada um deles tem um estilo de ataque e deve-se decorar e usar de macetes inescrupulosos para vencê-los. Final Fight é um jogo absurdamente simples na concepção mas que exige certa estratégia, muita habilidade e paciência para vencer.

Graficamente a versão arcade, a original, é a melhor de todas. Os cenários são cheio de detalhes, os inimigos são variados, muito bem caracterizados, com animações excelentes e enchem a tela com enorme quantidade. A trilha sonora é espetacular, uma das melhores do gênero rivalizando com outra trilha clássica, a de Double Dragon. Interessante ressaltar que mesmo na versão arcade existem pequena censura na versão americana, a roupa das meninas estão sensivelmente maior e na abertura inexplicavelmente somem a filha de Haggar em trajes sumários e me colocam a fuça do chefe do primeiro estágio..

Para uma análise completa do jogo excepcionalmente eu irei comentar outras conversões (mais famosas) lançada para os consoles caseiros, até porque Final Fight é bastante popular entre os jogadores devido às várias versões domésticos.


Super Nintendo

Foi a primeira versão caseira do jogo. A versão para o 16bits da Nintendo tem grandes diferenças perante o original:

- Não existe opção para 2 jogadores simultâneos, isso foi imperdoável.
- Guy foi limado desta versão.
- A fase da fábrica ficou de fora.
- Várias animações foram cortadas, aquelas no começo e entre os estágios.
- Alguns frames de movimentos desapareceram. A animação não é tão fluída como no original.
- O jogo tem severos slowndowns e poucos inimigos na tela.

Mesmo com tantos problemas, a conversão para o Snes tem pontos positivos louváveis. No começo dos anos 90 poder jogar Final Fight na comodidade do lar sem dúvidas era um grande prazer (e um luxo). Graficamente, no geral, ele mantém-se como uma boa conversão caseira, ainda mais levando em consideração que trata-se de um dos primeiros jogos do console. A trilha sonora é muito boa, bem adaptada do arcade e a jogabilidade, mesmo com a imperdoável ausência de Guy, é muito boa e no mesmo padrão da arcade.


O que realmente me incomoda nesta versão é a censura presente principalmente na versão americana, as duas belas inimigas Poison e Roxy, sensuais pra diabo, foram substituídas por duas figuras masculinas. Alguns itens para recarregamento de energia como a garrafa de wisky foram limadas desta versão. Abaixo uma imagem, à esquerda a deliciosa Poison toda à vontade na versão para Arcade e a direita a o picote na versão do Snes.

ATUALIZADO: O pessoal na comunidade do site, no orkut, levantou sabidamente a informação de que a Poison na verdade é um travesti. É verdade que no port do jogo para o 16bits da Nintendo, a Capcom americana questionou a vestimenta um tanto latina e o fato de rapazes darem porrada severa em mulheres, a Capcom japonesa lisa como quiabo respondeu que a moça na verdade é moço, ou seja, um travesti. Na minha opinião a sexualidade foi questionada no port, ninguém nunca reclamou, com razão, do calor da moça no original do arcade, afinal Metro City parece ser uma cidade quente. Mas diante desta foto, não há como negar. Eu chamei a Poison de deliciosa? É.. "eu me enganei"


 

Alguns meses depois, a Capcom lançou Final Fight Guy, é o mesmo jogo, só que ao invés de Cody temos Guy como personagem selecionável.


Nintendo

A versão para o Nes já foi comentada na EGL, basta clicar aqui para ler uma análise bem mais completa.

Resumidamente, a versão 8bits é a mais livre, com cenários diferentes, visual super deformer, uma jogabilidade sólida que envolve ganho de experiência para deixar o personagem mais forte e muito bom humor ao revisitar personagens, cenários e momentos gloriosos de Final Fight numa concepção mais simples e infantil porém divertida.

Obviamente, apesar de ter o mesmo plot, personagens selecionáveis e cenários similares, é a que menos lembra o original. Porém isso não deve ser levado como defeito, até porque portar um jogo desta magnitude para o Nintendo seria como tentar matar um elefante a beliscadas. A Capcom foi feliz nesta adaptação, que mantém a essência do jogo, a porradaria franca.


Sega CD

Foi o jogo que fez muita gente comprar esse periférico para o Mega Drive. A versão desenvolvida pela Sega, com ajuda da Capcom foi anunciada como o "port perfeito". É quase isso.

Tudo que havia sido retirado da versão Super Nintendo está presente na versão CD; 3 personagens selecionáveis, todos os cenários, modo para dois jogadores, mais quadros de movimento e o fim de muitas quedas na taxa de quadros por segundo. O jogo ainda tem extras louváveis como um modo Time Attack com cenários exclusivos para esta versão e uma trilha sonora refeita aproveitando todo o potencial da mídia digital, ela é simplesmente espetacular, obrigatória para fãs deste jogo, a introdução e o final do jogo é completamente dublado e com cenas extras.

Porém, ela ainda não é perfeita. Dada a limitação de cores do Mega Drive (apenas 64 por tela), o jogo é absurdamente menos colorido se comparado à versão Super Nintendo e Arcade, a resolução também é bastante inferior e o jogo me passa a impressão de ser levemente mais "lerdo" que a versão arcade. Não é uma conversão perfeita mas deixou os fãs satisfeitos.



Final Fight ganhou inúmeros outras versões, para uma grande variedade de plataformas, mas as mais famosas foram essas. Os jogadores só tiveram acesso à versão 100% arcade na recente coletânea Capcom Classics lançada para o Playstation 2, PSP e Xbox. Felizmente hoje em dia é fácil ter acesso à versão original deste verdadeiro clássico de porradaria na comodidade do lar, eu espero que esse texto sirva de catalisador saudosista para fazer com que você, caro leitor, corra atrás de uma das versões comentadas e tenha uma tarde preguiçosa de violência digital interativa na frente da TV.

Faz um bem...

 

Imagens comparativas:

Arcade

 

Super Nintendo

 

Nintendo

 

Sega CD

 

Introdução dublada do Sega CD:

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