Fatal Fury: The King of Fighters   - SNK  - Neo Geo   - Análise por evilgambit

Há muitos anos em South Town, nos Estados Unidos, dois jovens aspirantes: Geese Howard e Jeff Bogard, obtiveram a grande honra de serem orientados pelo grande mestre Tung Fu Rue. Porém o velho mestre logo percebeu que um deles queria usar as sagradas artes marciais para assuntos ilícitos e  se negou a continuar o treinamento com o jovem Howard. Geese havia se tornado um nome poderoso no sindicato do crime de South Town e ficou emputecido quando ficou sabendo que  o velho Tung havia agraciado Jeff Bogard como seu legítimo sucessor.

Eis que Geese assassina Jeff friamente, bem na frente do filho, o pequeno Terry Bogard. Tung Fu Rue acolhe o jovem traumatizado e o irmão Andy Bogard é enviado ao Japão aos cuidados da lendária família de ninjas Shiranui. Ambos seriam treinados e moldados para que um dia pudessem deter o  então invencível Geese Howard.

Fatal Fury, também conhecido como Garou Densetsu no Japão ( A lenda do lobo ) é uma história sobre vingança regada à artes marciais, a SNK claramente se inspirou nos bons filmes pé na cara da década de 70 e 80, o enredo dos primeiros games é muito bom, os personagens tem carisma e profundidade, a jogabilidade extremamente simples no primeiro game só foi melhorando conforme os anos e os novos games eram lançados. Agora você confere a primeira parte desse especial, homenagem minha para essa bela série!

 

Muita gente considera Fatal Fury plágio de Street Fighter 2, mas é bom lembrar que Fatal Fury foi lançado quase que simultaneamente ao grandioso game de luta da Capcom, portando foram desenvolvidas no mesmo período. O game lançado em 1991 para o arcade com a placa MVS e posteriormente para a plataforma Neo Geo, versão caseira da MVS, tinha excelentes gráficos, trilha sonora, personagens originais mas possibilidades e principalmente uma jogabilidade BEM mais primitiva que o concorrente da Capcom. A SNK correu atráz logo e pouco tempo depois entregaria no mercado o sucessor com severas e bem vindas melhorias, por agora vamos nos ater ao primeiro.

Em Fatal Fury você tem tem a opção de selecionar 3 personagens: Terry Bogard, Andy Bogard e o amigo da família, o esquentado Joe Higashi. Cada um tem um estilo completamente diferente, Terry é o típico lutador de rua, bem versátil, já Andy é metódico com movimentos precisos e apurados e o "Zé" Higashi usa o violento Muai Thai. Selecionando um dos 3 lobos vingadores terá de enfrentar os lutadores do torneio "The King of Fighters", tradicional campeonato de artes marciais de South Town (que mais tarde se tornaria algo bem "maior").

Os inimigos são lendas vivas no gênero de luta 2D: Tung Fu Rue e sua habilidade de se tornar um monstro poderoso quando atacado, o capoeirista  Richard Myers dono do clube Pao Pao Café (referência certa em muitos games posteriores), o gigantesco Raiden com seu poderoso bafo, Duck King que une a dança de rua à luta sem regras, o boxeador Michael Max e o bombado Jai! Passando por eles terá de enfrentar o guarda costas Billy Kane, inglês violento com seu poderoso bastão e por fim o rei do crime no universo da SNK: Geese Howard.

Os gráficos são bons para a época com animações diferenciadas dependendo do golpe recebido, design interessante para todos os personagens e cenários cheios de detalhes com mudanças climáticas ao passar dos rounds, bônus interessantes com a máquina de queda de braço e muitos interlúdios entre as lutas, com Geese fazendo comentários ácidos a respeito de seus progressos. Tudo colaborou para criar um cativante universo, que seria devidamente explorado nos games posteriores. A trilha sonora é muito boa, alguns personagens carregam o mesmo tema musical até hoje (a musica bem brasileira de Richard Myer é foda), as vozes eram boas para a época, porém tecnicamente o game perdia para seu grande concorrente: Street Fighter II, bem mais ambicioso e que recebeu muito mais atenção dos jogadores e da mídia especializada.

A jogabilidade de Fatal Fury é simples, pré histórica até. O game baseia-se no 1 contra 1 e você tem a disposição um botão de soco, chute e arremesso. Pode-se pular e dar suas voadoras, se abaixar e dar suas rasteiras e obviamente desferir golpes especiais com uma combinação feita com com um comando no direcional e o apertar do soco ou chute. A resposta aos comandos não é exatamente boa e você precisa de paciência para se acostumar com o timing do game, coisa que não leva a muito pois o game é bem simples e os golpes especiais tiram MUITA energia, impedindo qualquer possibilidade de estratégias ou artimanhas mais complexas.

Porém não deixa de ser divertido, ainda mais pelo story line, personagens, musicas e pela originalidade trazida:

O game tem sacadas interessantes e copiadas pelos concorrentes muito tempo depois. Por exemplo, quando você entra como oponente do primeiro jogador, antes do duelo ambos devem derrotar o CPU no modo single player. O sistema de dois planos, marca registrada da série é mais simples que de seus sucessores, você não pode mudar de plano quando quiser apenas o inimigo, quando ele mudar de plano, apertando soco ou chute você avança para o plano do inimigo atacando-o. Não tem efeito prático na jogabilidade mas foi um grande referencial "3D" à sua época.

Apesar da superioridade de Street Fighter, Fatal Fury merecidamente foi  bem recebido no Japão e ganhou certo destaque nos EUA e resto do mundo. Eu lembro que na época Fatal Fury era uma experiência interessante aos aficionados do gênero completamente absorvidos pelo sucesso de Blanka e cia. Porém o game foi bem sucedido ao ponto de ser o grande responsável pelas vendas iniciais do extremamente caro Neo Geo e ganhou versões caseiras para o Super Nintendo, Mega Drive e mais tarde estaria disponível na coletânea Fatal Fury: Battle Archives 1 para o Playstation 2. A versão do Snes tem gráficos competentes e uma trilha sonora que pode ser comparável ao original mas uma jogabilidade BEM mais imprecisa que a do arcade (e que rendeu má impressão aos jogadores que não jogaram no arcade), a versão do Mega é absolutamente inferior ao da Nintendo mas dá a oportunidade do jogador optar pelo vilão Geese no versus game. A versão contida na coletânea para o Playstation 2 é cópia carbono do original com uma sonora diferença, ao contrário da versão Neo Geo CD que recebeu o mesmo tratamento sonoro do arcade, a versão da Sony tem uma exclusiva versão "arranged" para as musicas, de se tirar o chapéu e fazer colecionador colocar a mão no bolso.

Jogar Fatal Fury hoje é quase como um delicioso e divertido trabalho arqueológico. O game trouxe conceitos que se tornaram padrão no gênero, personagens que se tornaram ícones na industria dos videogames e é o começo de tudo, ou melhor, o começo estaria na série irmã Art of Fighting mas isso é assunto para outra análise.

 

 

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