Einhander  - Square Soft (Square Enix)  -  Playstation  - Análise por evilgambit

Em 1997 a Square Soft (que em 2003 uniu-se com a Enix para fundar a Square Enix) ria a toa com o caixa cheio de dinheiro, afinal Final Fantasy VII era um enorme sucesso mundial graças à esperta decisão de abandonar o Nintendo 64 e migrar para uma plataforma com mais potêncial a ser explorado, o Playstation e seu CDROM.

Foi nessa época que a empresa ousou focar em outros gêneros senão os tradicionais rpg´s nipônicos Assim pudemos presenciar o debut da série de luta em 3D "Tobal Nº1" e o maravilhoso shooter Einhander, ambos para a plataforma da Sony.

Einhander é um shooter em 3D, isto é feito inteiramente com gráficos poligonais, mas com a jogabilidade fincada no tradicional 2D. Ele se sobressai entre séries consagradas no estilo sob diversos aspectos e sem dúvida é um dos melhores do gênero.

O enredo certamente não é original, mas dá a profundidade que o jogo precisa e o jogador espera. Daqui muitos séculos no futuro parte da humanidade irá migrar para a lua e fundar a colônia chamada Selene. Como é de se prever, Selene entre em atrito com a Terra no que diz respeito ao consumo de recursos naturais e isso motiva a Grande Guerra Lunar (Terceira Guerra Mundial na versão japonesa). Selene devasta a crosta terrestre com severos bombardeios e no final das contas, ambos os lados perdem. Muito tempo depois, a Terra fragmentada depois da devastadora guerra se reorganiza como um grande império ditatorial e militarista, agora com o idioma alemão como lingua mãe (daí o nome, Einhander que quer dizer "Uma mão"). Selene secretamente desenvolve naves de guerra altamente modernosas que se adaptam prontamente fazendo uso do armamento inimigo, as Einhander são enviadas em missões suicidadas à Terra com o propósito de atacar pontos estratégicos de defesa da Terra, para finalmente botar as mãos no que restou dos preciosos recursos naturais.

Naturalmente você é um desses pilotos suicidas no controle de uma das cinco naves (apenas 3 disponíveis de inicio) Einhander. Cada nave tem uma habilidade especial para lidar com as armas capturadas pelos inimigos, essas são chamadas de Gunpods e são equipadas quando você as coleta dos inimigos abatidos. Cada uma delas tem um grau de habilidade, algumas tem o sistema de armamento bastante simplificado e são fáceis de controlar, outras carregam vários armamentos e tem um estilo de pilotagem bem mais agressiva. Todas as armas tem um número limitado de munição que pode aumentar se você capturar mais armas. Todas as naves contam ainda com controle de velocidade, coisa bastante útil dependendo do seu estilo de pilotagem.

Einhander tem excelentes gráficos poligonais que fazem bom uso de variações da câmera na transição entre os cenários. Lembra muito R-Type pelo tom estratégico na decoreba para sacar a variação de ataque de subchefes e enormes chefões das fases. Os cenários são bem construídos e variados, os inimigos são versões mecanizadas do pesadelo pós guerra nuclear, com enormes engrenagens, motores, tanques, robôs gigantes e até um trem completamente armado e pronto para deter qualquer investida inimiga. A Square foi extremamente criativa, o jogo cativa e surpreende a cada estágio alcançado (fãs de robôs e naves japonesas, esse é o jogo para se babar). Se você jogá-lo hoje notará que graficamente o jogo envelheceu muito bem, facilmente pode ser considerado como um dos mais bonitos do gênero.

A trilha sonora é boa, unindo musica eletrônica bem composta a um estilo industrial que casa bem com o estilo "sujo" e pós guerra do jogo. O game conta ainda com uma excelente introdução em CG que resume bem o plot do game e tem alguns transcrições narradas no final de casa estágio, ajudando a situar o jogador no enredo, coisa rara no gênero.

Einhander sem dúvidas é um clássico do Playstation, com uma jogabilidade de fazer inveja aos velhos do gênero, design e gráficos interessantes e que casaram muito bem com a proposta de um game 2D mas com cheiro de novidade graças aos seus gráficos poligonais. Fica a dúvida, será que ele vendeu pouco? Só isso explicaria a falta de uma tão sonhada seqüência, ou remake.. eu me contentaria com isso.

 

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