| Dirge of Cerberus - Final Fantasy VII -- Square Enix -- PS2 - review por evilgambit |
Dirge of Cerberus faz parte dos planos da Square Enix em faturar encima do clássico Final Fantasy VII lançado para o PSone a quase dez anos atrás. Ele segue o enredo do filme Advent Children ( lançado em DVD aqui no Brasil ) este que era seqüência do jogo original. Não se trata de rpg e sim um game de tiro e ação com firulas para agradar e lembrar um Final Fantasy e conta com um protagonista controverso, Vincent Valentine, um mero personagem secreto e sem grande destaque no original, mas envolto em mistérios e estiloso o suficiente para mais um game de ação metrossexual. ( Já aviso, se você não curtiu a onda metro nas últimas produções da empresa, FUJA deste )
Sejamos claros, ficou bom? NÃO.
O game tenta misturar dois tipos de games distintos, o de ação com câmera confusa a la Devil May Cry da Capcom com o FPS, tiro em primeira pessoa. Jogando em visão de terceira pessoa, andando com um analógico e mirando com o outro lembra muito Resident Evil 4 e pressionando um botão você se depara com uma visão em primeira pessoa. O grande problema é a construção das fases, elas exigem movimentação demais, pulos demais para um FPS e mira precisa demais para um game de ação em terceira pessoa. É possível incluir mira automática, mas aí vira game de retardado.
E para dizer que existem elementos de rpg, você evolui como num, compra itens e melhora a única arma do game, ela pode ter atributos de sniper, metralhadora ou espingarda. Sacal é que o mesmo botão que aciona a visão de primeira pessoa, na terceira pessoa acessa a visão do Sniper. Então se você está lá correndo pelas plataformas como um Super Mario e precisa atirar, lembre-se de ir no menu e desabitar o sniper para só então ir no modo primeira pessoa e atirar nos inimigos. Sacal? Idiota? Sim, é Dirge of Cerberus.
O game segue um padrão: comece uma fase e abra o mapa, você esta no ponto A e deve seguir ao ponto B, mate uns inimigos e em algumas fases enfrente os chefões, a elaboração das fases é simples, mas você se perde por conta da câmera em terceira pessoa, em ambientes fechados é mais plausível usar o modo FPS para mirar melhor nos inimigos ( sempre os mesmos ). A dificuldade não é grande, a AI dos inimigos não é nada de surpreendente, o problema é que um simples tiro tira bastante energia, e nas lutas contra os chefões, muitas vezes a câmera é seu pior inimigo.
O enredo dá seqüência ao filme, e trata-se de uma das melhores coisas do game. Coisas como a história de Vincent e a entrada de novos vilões, aliado a participação modesta dos clássicos personagens de Final Fantasy VII podem colaborar para que muitos jogadores sejam mais pacientes com a deficiência na jogabilidade só para conhecer melhor o complexo universo destes personagens.
Os gráficos possuem duas medidas, a primeira vai para o "boneco" dos personagens, a modelagem 3D deles é excelente, as cenas não interativas que contam a historinha são bonitas e como é de praxe as cenas em computação gráficas são maravilhosas, pinta de Square Enix mesmo, mas os cenários são simples, os inimigos normais sempre os mesmos e não existem grandes referencias aos cenários de FFVII, o que é uma pena! A trilha sonora bebe pouco do original e conta com musiquinhas tão enfadonhas quanto a medida geral do game como um todo. A dublagem americana é medíocre e tenta seguir a mesma linha de Advent Childreen.
E olha que a versão americana veio com grandes melhorias na jogabilidade, tornou-se mais ágil e o modo em primeira pessoa bem mais calibrado, mas não foi o suficiente, quem curte games de ação estilo Devil May Cry ou FPS´s não vai curtir Dirge of Cerberus por isso, e o fã genérico de RPG não vai se sentir atraído por um estilo diferente, a menos claro, que pague um pau enorme para FFVII. A versão americana ainda perdeu o modo online que estava presente ( e já foi cancelado ) na versão japonesa, mas ganhou uma pá de missões extras bem divertidas, basta terminar o game para acessá-las.
E a Square Enix continua faturando encima do seu passado.

