| Diablo II - Blizzard - PC - Análise por duke magus |
Eventualmente no mundo dos games (bem como no mundo real) ocorre que certas obras chegam e superam as expectativas... Mais do que meros blockbusters, eles se tornam ícones, verdadeiras lendas... Diablo é um bom exemplo. Aliando uma temática complicada de mexer com uma jogabilidade simples e viciante, provou que câmera isométrica não servia só para o seleto grupo dos jogadores de RPG e Estratégia.
Depois do fiasco que foi sua expansão (SEM MULTIPLAYER? Que graça tem isso?) os jogadores ansiavam por mais um game de ação frenética com pitadas de RPG e satanismo.
Se por um lado o sucesso de um game é o maior objetivo de uma empresa, pelo outro é um fardo pesado a se carregar... Se você inova demais pode descaracterizar uma obra-prima (e assim estragar tudo)... Se for conservador, por outro lado, cria uma obra batida e repetitiva.
Por sorte a Blizzard acertou a mão, e trouxe tudo (bem, quase tudo) que fez de Diablo um clássico, além de corrigir os pontos negativos e adicionar mais variedade de jogo para nós...
Damas e cavalheiros, Apresento-lhes “Diablo II”
Diablo II é um game de RPG-Ação lançado pela Blizzard em 2000. O enredo começa exatamente onde o primeiro game acabou: um grande herói venceu o temível “Diablo, o Lorde do Terror”, reduzindo-o a uma “soulstone”. Temendo que a Besta se libertasse novamente, esse valoroso guerreiro tentou conter a alma de Diablo em seu próprio corpo. Desnecessário dizer que ele falhou miseravelmente e o caos retornou ao mundo... Pano de fundo simples para quem não gosta de muito papo, mas que engrossa bastante se você decidir ler o que os NPCs têm a dizer.
Você controla um(a) aventureiro(a) que, seguindo o rastro de Diablo, busca por um fim definitivo ao terror... e disposto a matar qualquer coisa que apareça no seu caminho.
As primeiras mudanças em relação ao primeiro Diablo estão no “quem e onde” do game. Primeiro que o número de personagens iniciais subiu de três para cinco: Amazona, Bárbaro, Necromante, Paladino e Sacerdotisa (Esse número sobe para sete com a expansão, adicionando Assassina e Druida ao time). A grande sacada é como um personagem complementa o outro no modo multiplayer, mas eu falo disso mais tarde.
Em segundo lugar a idéia de seqüência interminável de cavernas foi um pouco alterada, e agora o jogador também luta em campo aberto (incluindo desertos, planícies e ambientes frios). Uma escolha controversa, pois se dá variedade ao game, também tira boa parte do clima sombrio.
De resto há algumas melhorias aqui, mudanças ali, mas em essência ainda é Diablo... Bem, como nem todos são tão “retrogamers” quanto eu, vou reduzir os comentários de comparação com o primeiro game...
Cada personagem é customizável em três áreas distintas: Status, Habilidades e equipamento, o básico de qualquer RPG... E disso não passa muito pois fica claro que o objetivo é liberdade e diversão, não complicação.
Nos 4 Status: Força aumenta dano físico e é requerido para se usar armaduras mais pesadas, Destreza aumenta precisão, e ajuda na defesa, Vitalidade aumenta vida e stamina (a barrinha que gasta quando você corre) e, por fim, Energia aumenta a Mana.
Habilidades são sempre divididas em três “árvores” de habilidades: A sacerdotisa, por exemplo, possui árvores de habilidades baseadas nos três elementos (fogo, gelo e raio),
Simples de entender, complicado de organizar... De fato existem personagens que dão errado e personagens “apelões” dependendo de como são feitos, mas na maioria das vezes, tudo depende mais do gosto do jogador do que o simples “certo e errado”.
Vou exemplificar: Digamos que você seja um cara mau e tenha feito um Necromante. Esse tipo de personagem é dependente de magias (óbvio) e suas habilidades se dividem em invocações, maldições (popularmente chamadas de “debuffs”) e “feitiços de veneno e ossos”
Pela intuição assim que você começar a subir de nível vai colocar todos os pontos em Energia, afinal ele não é guerreiro para ter força nem arqueiro para ter destreza. Bem, sinto dizer mas nesse caso a intuição errou.
Destreza e Vitalidade de fato não te servem para bater, mas ajudam a não apanhar. E sem Força você não pode usar boas armaduras. Se aquela sua camisetinha mal agüenta o impacto dos monstros “durões”, imagina os chefes... Assim, você decide se quer ser mais equilibrado ou “hardcore”.
Desfeito o mito, você já entendeu onde eu quero chegar não é? Não precisa de muita massa cinzenta para montar um personagem, mas sair por aí clicando em tudo sem ler também não te leva longe... Um equilíbrio perfeito entre cérebro e punhos é a chave para se evoluir no game, bem como o maior atrativo da obra.
Na parte de Habilidades, por exemplo, você poderia se tornar um Invocador e aprender algumas maldições para facilitar o trabalho da sua horda de mortos-vivos, bem como se especializar em magias de dano e veneno, trazendo uma morte lenta e dolorosa aos seus inimigos. Tudo depende de como (e com quem) você joga.
Os mapas do game são gigantescos, e o que têm de grandes, têm de ricos... Todos possuem centenas de baús, passagens secretas e monstros dos mais variados tipos para você fazer uso e abuso de seus poderes. Detalhe para uma jogada interessante da Blizard... 90% dos mapas do jogo são gerados aleatoriamente. Aliando isso à liberdade que se tem ao desenvolver seu personagem, você tem um fator replay altísimo! Duas campanhas de Diablo II Nunca serão iguais.
Falando em duas campanhas, se você tiver uma conexão na internet não perca a chance de jogar online... o verdadeiro potencial do jogo só é mostrado numa boa campanha multiplayer. É aqui que boa parte dos poderes dos personagens fazer sentido, como as “auras” do paladino ou as maldições do necromante... No fim das contas o trabalho de equipe multiplica muito a diversão (além de dar alguma utilidade para aquele cajado arcano foderoso que sue bárbaro não tem como usar)
Alie isso à “aleatoriedade” presente no game e jogar com seus amigos sempre será mais interessante que jogar sozinho... nada de cantos seguros no mapa nem rotas decoradas. Vocês descobrem as coisas na exata hora que elas ocorrem, logo, é melhor aprenderem a trabalhar em equipe estarem prontos para qualquer coisa que aparecer.
Quando se aplica uma idéia pela primeira vez são perdoáveis os seus defeitos, mas se você repete a dose e continua com o erro, pode-se apontar o defeito... é o que acontece em Diablo II.
Os já citados imensos e randômicos mapas são uma qualidade interessante, mas tornam-se em pouco tempo uma faca de dois gumes. Mapas imensos costumam incitar o jogador a explora-lo, e são extremamente excitantes de se desbravar com seus amigos, mas quando se tem dezenas destes e\ou você está sozinho ficar de saco cheio é muito fácil, e já que não há aquela “rota direta” que sempre se acha num bom detonado, o jeito é explorar. E mesmo se descontar o tempo caçando baús, matando monstros e (óbvio) se perdendo, isso pode demoraaaar...
Montar um personagem não é difícil como em RPGs isométricos da época (vide “Baldur’s Gate” e “Fallout”, em que você deve calcular dezenas de números que cada status e skill influencia antes de subir de nível), mas arma-lo, por outro lado, pode se tornar um pesadelo.
Existem dezenas (se duvidar centenas!) de atributos especiais que os equipamentos podem ter, que vão desde ataque extra até mesmo um bônus na quantidade de ouro que os monstros deixam ao morrer.
Bem, só que muitas vezes você fica em dúvida sobre dois equipamentos úteis em áreas distintas, mas com igual importância... Você possui um baú para guardar dinheiro e itens, mas esse baú é mínimo e fatalmente você vai jogar fora um item poderosíssimo por falta de espaço no baú só para descobrir que ele facilitaria MUITO sua vida no ato seguinte... Frustrante...
Diablo II é um jogo divertido, mesclando bem diversão com imersão. Fica óbvio que o objetivo dele é o multiplayer, embora isso não deva desmerecer a qualidade da aventura quando seu modem está inativo...
Com o terceiro game por sair, não tem porque não jogar esse clássico... Faça o sinal da cruz e mande ver!