Contra: Hardcops  - Konami  - Mega Drive  - Análise por evilgambit

Já fazia um bom tempo que a Sega namorava a Konami, para que ela portasse suas famosas franquias para o Mega Drive. Após um longo período de quase exclusividade com a Nintendo, finalmente a série Contra (e muitas outras) ganharam versões (excelentes) para o 16 bits da Sega.

Contra: Hardcops mantém a essência da série, a espetacular e simples jogabilidade  mas mudando a roupagem, afinal, a estréia no console teria que ser de gala.

O enredo se passa alguns anos após Contra III The Aliens War do Super Nintendo. A invasão alienígena foi contida e a humanidade está se reconstruindo aos poucos. Uma nova geração de cyber criminosos emerge ameaçando o renascimento ordeiro da nova sociedade pós guerra e por isso é formado um grupo de super policiais, os HARDCOPS, o BOPE da Konami. O enredo, diferente de todos os outros games da série, é importante na continuidade do jogo pois é possível escolher entre diversos caminhos, alterando o enredo e revelando finais diferentes. Explico exemplificando que após derrotar o chefe da primeira fase, você pode optar por seguí-lo ou continuar a missão, isso alterará completamente o andamento e a ordem dos estágios.

Em Contra Hardcops também é possível selecionar qual dos  personagens incorporar na jogatina desenfreada, são eles:

Ray - O típico herói da série contra. Bom em tudo, especialista em nada.

Sheena- A mulher com severa TMP e pronta pra destruir tudo.

Brad Fang- Uma espécie de Lobo hominídeo, tem armamento pesado e de curto alcance.

Browny- Um robôzinho. Nunca joguei com ele.

A maior diferença entre os personagens está nas armas, cada um tem um arsenal próprio, são 4 armas especiais e uma bomba arrasa quarteirão que são coletadas em forma de power up durante as fases e são selecionadas a bel prazer do jogador. A mecânica do jogo é padrão da série, botão de pulo, tiro e mudança de armamento. O jogo resume-se  a limpar cenários infestados de monstros, aberrações cibernéticas e uma mescla de ambos, com chefes no meio e no final dos estágios.

Graficamente Contra Hardcops não fica devendo nada à versão do Super Nintendo quando o assunto é qualidade técnica. Mas Hardcops é bem diferente no design, os estágios são bem mais pós apocalípticos com um tom bem escuro, muitas fases se passam durante a noite ou dentro de instalações sombrias (talvez para esconder a limitação de cores do console), o que realmente surpreende no jogo são os excelentes efeitos especiais de rotação e zoom nos cenários e em alguns inimigos, coisa meio que inédita no Mega Drive. O visual dos inimigos segue o mesmo tom dark, os chefes de fase são criaturas interessantes, criativas e grotescas, dá gosto meter bala.

A trilha sonora é barulhenta e infernal. O volume é alto e o estilo musical varia do eletrônico ao rock com bastante uso de graves. Ajuda a esconder a inabilidade do Mega Drive em dispor de um som mais límpido e deu o tom musical correto que o jogo precisava. As poucas vozes digitalizadas no entanto são terríveis, ruins mesmo.

Contra: Hardcops tem diferenças entre as versões norte americana, européia e japonesa. A versão nipônica tem 3 barras de energia, com certeza a versão mais fácil e amigável. A versão norte americana é naquelas, encostou em um inimigo ou em um tiro, já era uma vida. A versão européia mantém a tradição de toda série Contra lançada no velho continente, eles trocam os personagens e colocam robôs absurdos no lugar, o enredo muda também.

Trata-se de uma excelente conversão, com uma nova roupagem, trazendo alguma novidade mas mantendo a tradicional e satisfatória jogabilidade, alta dificuldade e a simplicidade típica dos arcades e jogos de tiro e ação da geração 8bits. Contra: Hardcops é como uma mulher muito boa, em traje de gala, ela te seduz pela roupa nova mas você se apaixona mesmo é pelo conteúdo bem distribuído.

 

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