Contra 4  - Konami  - Nintendo DS  - Análise por maiquinho delonge

“Uma experiência tão clássica que praticamente funciona com fichinhas”, este é o texto explicativo que surge quando você deixa o cursor sobre a opção Arcade Mode no menu principal, e sintetiza com clareza a essência de Contra 4. Se você é veterano nos games da série, pode pular o próximo parágrafo; caso contrário, continue lendo.

Em 1987 a Konami lançou nos fliperamas um consistente game de plataforma 2D do estilo “corra-e-atire”, o Contra original, que recebeu uma conversão para o NES e conquistou uma legião de fãs com sua jogabilidade precisa, ação rápida, chefes-ET gigantes e dificuldade insana. A seqüência, Super C, manteve a fórmula e trouxe mais fases, mais chefes e gráficos melhorados. Porém, foi com Contra 3: Alien Wars, lançado em 1992 para o SNES, que a série atingiu seu auge: trata-se de um game que merece lugar de destaque em qualquer lista séria dos melhores jogos já feitos. De lá para cá alguns episódios “paralelos” surgiram, sendo o mais notável deles Hard Corps, lançado para o Mega Drive em 1994. Foi minha última lembrança feliz de Contra, pois dos games lançados pós-94, o único que se salva é Shattered Soldier, que chegou ao PS2 em 2002.

Passados 13 anos desde Hard Corps, os fãs de Contra (me incluo aqui) já estavam conformados a viver de lembranças. Foi então que a Konami, pelas mãos da Wayforward Technologies, resolveu trazer ao popular Nintendo DS uma nova investida na série em comemoração aos seus 20 anos: Contra 4. Um tanto ambicioso, devemos admitir, pois este é na verdade o décimo primeiro Contra e não o quarto: retomar a numeração da trilogia terminada em Alien Wars parecia sugerir que este novo episódio seria uma seqüência do clássico de 1992. Será?

Pois é com imensa satisfação que eu venho confirmar que os anos gloriosos de Contra estão de volta! Rompendo com o lamaçal de mediocridade em que a série estava afundada, Contra 4 é em todos os níveis e em todos os sentidos a continuação perdida de Alien Wars, aquela pela qual clamamos durante 15 anos.

Não quero dar muitos spoilers, mas fique sabendo que você, veterano de Contra, se sentirá familiarizado com os cenários, os inimigos, o arsenal, as músicas e os tiros vindos por todos os lados. Há fases na vertical, onde você avança em sentido ascendente, e também fases onde a câmera é posicionada nas costas dos heróis e você avança no sentido “para dentro da tela”, como no original de 87. Dentre as novidades, além da ação nas duas telas, estão um gancho ativado pelo botão X, que serve para alcançar determinados lugares, e um sistema de upgrade que faz com que um tiro se torne mais forte se você o pegar duas vezes (no Easy você terá sempre a arma no máximo). O mais notável, porém, é o Challenge Mode, que é desbloqueado quando você termina o game em qualquer dificuldade, e consiste em 40 pequenos desafios que vão liberando extras, inclusive o Contra original e Super C.

O único ponto negativo do game é que existe uma zona cega entre as duas telas, o que pode causar problemas se, por exemplo, um inimigo estiver ali sem que você o veja. Não é nada, porém, que vá tirar o brilho deste que é, sem dúvida, um dos melhores títulos de 2007 para o Nintendo DS, e um game obrigatório para todo jogador que em algum momento de sua vida morreu incontáveis vezes tentando terminar um game da série. Atenção Konami: não nos faça esperar mais 15 anos por Contra 5!

 

 

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