Cold Fear  - DarkWorks  - Playstation 2/PC  - análise por duke magus

 

Tirando xerox do dever de casa dos outros

 

Estamos no limiar de uma nova era no mundo dos games. E não me refiro aos novos consoles que estão começando a mostrar serviço, mas aos jogos e tudo à sua volta. Novos heróis e vilões dando as caras, histórias clássicas tomando rumos diferenciados, Velhas lendas reaparecendo com todo o gás e franquias clássicas e milionárias reformulando até seus mais primordiais fundamentos. Um bom exemplo é Resident Evil 4: ele tem tudo o que faz um Resident Evil lá, armas, monstros, fases labirínticas, quebra-cabeças, segredos e o principal: uma máquina de escrever para salvar o jogo. Mas ao há como negar que está tudo TÃO diferente... E por mais que eu odeie esse jogo, tenho que admitir: tudo deu TÃO maravilhosamente certo!

RE4 com certeza é um daqueles jogos que daqui a uns 5 ou 7 anos nossos primos, sobrinhos e filhos (por que não) vão olhar e reconhecer como um clássico, assim como a minha geração consagrou Chrono Trigger e o primeiro Resident Evil como lendas imortais do mundo dos games. Mais do que isso: eu arrisco dizer que muitos dos pontos que qualificam como “jogaço” o novo episódio do carro-chefe da Capcom vão servir de referência para os próximos “survival horrors” que saírem. Ou será que já está sendo?

Senhoras e Senhores (e eventuais zumbis) que estiverem lendo esse review, eu apresento para vocês Cold Fear.

 

Entrei de gaiato no navio...

 

Cold Fear é um jogo de Ação/Survival Horror para PS2 e PC criado pela DarkWorks e Render Ware. A história não é aquilo que se diga “nossa que enredo maravilhoso!” Mas quebra o galho. Um baleeiro (nem imagina a dificuldade que foi achar a grafia correta dessa palavra...) russo suspeito de carregar algum armamento ilegal é abordado por agentes da CIA. Estranhamente toda a equipe perde contato e é nesse ponto que você entra. Nesse jogo você controla Tom Hansen, da guarda costeira. Seu objetivo a princípio é descobrir o paradeiro do pessoal desaparecido e porque eles pararam de responder ao comando.  Muito fácil se não fosse porque a embarcação está bem no meio de uma tempestade de grandes proporções...

“Tá, e quando chega a parte em que eu meto bala na cabeça de algum monstro infeliz?” você deve estar se perguntando. Confie em mim: você vai se arrepender de perguntar isso.

 

 

É loiro, tem arma com mira laser, mata zumbis, MAS NÃO É O LEON!

 

12 em cada 10 pessoas que jogaram o jogo entraram numa espécie de consenso: Cold Fear é “Resident Evil 4 em alto mar”. Por mais que eu odeie esse tipo de comentário sou obrigado a concordar. Muita coisa dele está aqui. Muita MESMO! Os zumbis (incluindo uma versão genérica de “las plagas”), as armas (e o modo de usá-las), os mapas labirínticos... Só faltaram mesmo as ervas, mas cultivar ervas curativas num baleeiro seria demais né?

Agora um fato que vale á pena ser estudado: COLD FEAR FOI LANÇADO ANTES DO GRANDE SUCESSO DA CAPCOM!(Uma reverência ao sr. Natsuiro por me passar essa informação!) RE4 segundo as lendas teve várias versões canceladas antes da atual. Será que uma das maiores empresas de games da face da terra deve um dos seus maiores sucessos de vendas ao plágio? Será que no meio desses betas de RE4 o sistema de mira já estava pronto e foi roubado pelos idealizadores do jogo que estou comentando? Espionagem industrial? Coincidência? Teoria da conspiração? Tire suas próprias conclusões...

Enfim, vamos às diferenças, afinal, não quero começar a discutir como Tom Hansen lembra levemente Leon...

Fazer investigações num barco em plena tempestade marítima definitivamente é algo que merece destaque. A chuva forte atrapalha a visão, a embarcação fica balançando com a fúria das ondas e se você sair correndo feito um doido pode acabar escorregando no piso molhado e parar nas bordas do barco, lutando para as ondas não acabarem com você.

Como eu já disse, esse é um jogo tipo “survival horror”, o que para os adeptos já significa munição limitada, ambientes nada amigáveis, quebra-cabeças desafiadores e muitos sustos. Digamos que pelo menos a parte “ambiente nada amigável” está certa. O jogo possui quatro níveis de dificuldade (easy, normal, hard e extreme) e nos dois primeiros a quantidade nada modesta de munição e a resistência incrível do personagem aos danos fazem com que a maioria das vezes que você morre seja fruto de um descuido ou relaxamento do jogador, e não do desafio. Mesmo em termos de o que fazer Cold Fear é absurdamente fácil de se orientar. 90% dos objetivos consistem em “vá até ponto X, veja cena Y, pegue o item Z”. Não há grandes quebra-cabeças ou coisas para se examinar no cenário. Por outro lado, as áreas do jogo são especialmente labirínticas, e como você não tem mapa, pode ficar um bom tempo andando em círculos até achar a sala em que você deve ir.

Diferente de RE4, que apesar de continuar com monstros horríveis e ambientes desolados optou por um visual mais “limpo”, Cold Fear usa e abusa de sangue e corpos em estado deplorável. Quem criou o jogo devia adorar a cor vermelha, pois existem salas em que você vê a parede “pintada de sangue”, isso quando você mesmo não tinge o ambiente assim. Os inimigos são exatamente aquilo que a Capcom abandonou. Zumbis putrefatos e imbecis. Um pouco mais rápidos que o habitual, mas ainda imbecis como sempre. Eu até que estava sentindo falta desses companheiros! Desde RE: outbreak 2 que eu não via um morto-vivo decente...

 

 

“Nem precisei da vodka pra achar isso uma beleza!”

 

A parte gráfica de Cold Fear é um dos destaques do jogo. Não que tenha algo excepcionalmente lindo ou original, mas os cenários possuem uma grande riqueza de detalhes. Na parte externa dos cenários você vê a tempestade castigando o navio, as ondas se formando e acertando as laterais da embarcação. A ferrugem e desorganização que se espera de um baleeiro toma conta de uma forma bastante realista. Os ambientes internos são muito bem retratados e fiéis a uma embarcação de verdade. Dá quase vontade de pegar um cachimbo e quepe branco e gritar “Agüentem marujos! Vamos atravessar essa tormenta!”... err... ok ok, tive um momento de devaneio. Prometo que não faço isso de novo!

Voltando aos ambientes, a quantidade de detalhes é soberba! Garrafas de bebidas, documentos colados na parede, coisas bagunçadas e caídas... Tudo colocado com grande competência! A fidelidade dos mapas sem dúvida é um grande destaque.

A movimentação dos personagens também não ficou nada mal. Coisas como a mira saindo do foco quando você segura o gatilho de uma AK-47 ou o sangue espirrando na tela quando você transforma um inimigo em peneira com a shotgun são pequenos detalhes bastante apreciados.

O som cumpre seu papel, contando até mesmo com Marylin Manson fazendo a música tema! Sim! O “anticristo da música” faz o seu papel no mundo gamer!

Os efeitos sonoros estão na média, tendo aquele defeito clássico de ficarem repetitivos com o tempo, mas os grunhidos dos inimigos são ótimos! Quase tão bons quanto os dos filmes da série “Alien”.

Jogabilidade é um ponto discutível... Não dá pra negar que é cópia barata do modelo de sucesso do RE4 (ou o inverso... Já falei sobre isso uma vez. Não vamos ficar nos distanciando do assinto em destaque com assuntos desse tipo ok?), com pequenas modificações, mas isso não faz dela ruim. Pelo contrário: apesar de não contar com aqueles momentos interativos do jogo citado, é bem mais prático nas situações de batalha. A troca de armas não requer uso do menu e se pode dar golpes físicos com qualquer arma para afastar o oponente (o que compensa a falta de uma faca...)

 

 

Cold “qualquer coisa menos” Fear

 

Eu sou obrigado a admitir: esse jogo consegue ter falhas em todo ponto positivo que possui.

Apesar de belíssimos cenários, eles sofrem de um defeito que a proximidade da nova geração já devia ter eliminado: tudo é estático. Não se pode interagir com nada. Nem treinar tiro ao alvo com as garrafas, já que 99% das coisas são indestrutíveis... Os personagens também, apesar de muito bem detalhados, podiam receber alguns polígonos e um pouco de movimento na roupa... Para ter um ar mais “vivo” quem sabe.

E estrutura do jogo, como eu já disse, é ridiculamente linear! Simplesmente não há o que fazer depois de terminar o game! Se não fosse pelos níveis de dificuldade, você poderia se livrar do DVD assim que visse o final. Se duvidar pode passar o game adiante sem nem mudar de nível de dificuldade...

Ainda nesse assunto... MAS QUE JOGO CURTO HEIN? Eu costumo ser demorado em survival horrors por dois motivos: Adoro admirar os ambientes (e fuçar em tudo), e não sei sair de uma sala sem descarregar um balde de balas em tudo que se move. Mesmo assim cronometrei meu tempo nesse jogo (todo mundo que escreveu review fez isso! Por que eu não?) 6 horas e 11 minutos! Só para ter uma idéia, eu levei 10 horas na primeira vez que terminei Resident Evil 3! Somando a isso um final clichê com uma CG curtíssima... Fui mais um que me frustrei com final da obra.

Lembra que eu falei que você ia se arrepender de se pergunta quando começava a estourar algumas cabeças? Você vai fazer muito isso... Até cansar, confie em mim. Quase todos os inimigos morrem apenas quando se estoura os miolos deles, seja pisando em cima com suas incrivelmente fortes botas da guarda costeira, ou dando um lindo “headshot”... Coisa bem mais difícil de se fazer que no RE4.

Por fim... Esse jogo é um dos survival horrors que não assusta. Ele bem que tenta, colocando inimigos para sair de cantos escuros e coisas do gênero, mas mesmo assim não assusta! Tem coisa que os japoneses fazem melhor que o resto do mundo... (Cold Fear teve bastante gente da terra do croissant na equipe. E pode se dizer que nenhum nipônico! Coisa rara hoje em dia).

 

Considerações finais

 

Cold Fear é um bom jogo. Ficou muito no vácuo da série clássica da Capcom e comparações são impossíveis de serem ignoradas. Se você já está de saco cheio de ouvir camponeses gritando “UN FORASTERO!”, Embarque nessa aventura... Literalmente!

 

 

 

 

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