| Clock Tower - Snes - Human 1995 Japão - review de game por Duke Magus |
Segundo meu velho dicionário, medo é “uma sensação desagradável com objetivo de defesa ou prevenção de algum mal”. Medo pode vir de muitas coisas. Muita gente tem medo da morte, algumas pessoas têm medo do sobrenatural, alguns tem medo de coelhinhos, etc, etc, etc.
Vários jogos tentam atiçar essa sensação de jeitos diferentes: Resident Evil tenta te fazer borrar as calças com o susto do fator surpresa (você vai salvar o jogo e de repente um zumbi sai do armário e te pega) e o fator survival horror (“droga! Tô sem balas! Será que tem algum inimigo atrás daquela porta? Será que ele vai me matar?”). Silent Hill te assusta com o bizarro e o desconhecido (você mata cães com a cabeça dividida ao meio e salva num símbolo satânico... deu pra entender?), mas e esse joguinho de Snes?
Pois bem: Clock tower usa tudo isso, mas de um jeitinho mais profundo: não te dá sustos (bem, não apenas sustos), Clock Tower é aquele tipo de jogo que você vai jogando e vai começando a sentir um desconforto estranho, uma vontade ao mesmo tempo de desligar o console (ou fechar o emulador) e de continuar jogando, quando de repente algo te chama a atenção, você vai ver e de repente está correndo de algo muito feio e bizarro com aquele pensamento de “eu tenho que me esconder” mas não consegue.
Quando vê você está encurralado com um som de tesouras te deixando doido, e de repente... DEAD END. Acho que deu para ter uma idéia.
Clock Tower é um título de horror/aventura japonês (a tradução já está disponível na internet) em que você controla Jennifer, uma órfã que foi adotada junta com suas amigas por uma senhora para viverem em uma grande e solitária mansão. Até aí tudo bem, mas de repente suas amigas desaparecem e Jen (vamos chamá-la assim de agora em diante ok?) acaba sozinha e a aconchegante mansão se torna um lugar terrível e assustador (parece história de filme de terror de Segunda né?). Claro que tem mais, mas não quero estragar a surpresa :p
Sua missão é achar suas amigas e sair vivo(a) da mansão. Se isso vai ser fácil ou não, depende apenas de você. Não entendeu? Então deixa eu explicar: O jogo possui OITO finais (muitos dizem que existe mais um final secreto/bugado, mas ninguém garante...) que variam desde fugir com o rabo entre as pernas e deixar todas as suas amigas para trás até ir fundo no mistério da mansão e salvar todo mundo.
O controle não é dos melhores: você usa um cursor similar ao mouse (o Mouse do Snes não é compatível. Que pena). Aperte Y uma vez para anda, duas para correr e se o cursor virar um quadrado, você aperta Y para interagir com este objeto. Bem simples, mas nem um pouco ágil
A mecânica do jogo é bem interessante: a primeira coisa que muitos vão notar é que você anda COMPLETAMENTE DESARMADO! Isso mesmo! Nem com uma faquinha de descascar batatas!
Você passa a maioria do tempo explorando a casa, juntando itens (que você NUNCA usa em você, apenas nos quebra-cabeças) e eventualmente correndo do que quer que esteja te perseguindo.
Nessa hora em que você parece estar correndo da polícia que começa um dos pontos mais interessantes do game: você pode tentar fugir e se esconder nos mais diversos lugares que alguém que estivesse sendo perseguido seria. Exemplos? Você pode se esconder atrás de cortinas, debaixo da cama, pular para trás dos armários, dentro da banheira, passando por coisas mais absurdas como estourar uma lata de gás inseticida e fugir no meio da fumaça (claro que muita gente acaba morrendo sufocado(a) no processo... coisas da vida).
Claro que às vezes você tem que encarar o seu perseguidor de frente! Nessas horas aperte o botão B (ok, o botão que você configurou como B) feito um doido para tentar se livrar da investida e continuar correndo.
Mas mudando de assunto, outro fato que merece atenção é que várias coisas do game mudam de jogo para jogo, desde os acontecimentos até mesmo a localização de certas salas! O que garante, junto com os vários finais, um fator replay altíssimo.
Os gráficos são incríveis(lembre-se que estamos falando de um game originalmente feito para um console de 3 gerações atrás e faz mais de uma década!), com personagens e cenários muito bem definidos, com várias fotos inseridas no game.
A parte sonora do game é incrível, contando com sons de qualidade. Você ouve desde passos até mesmo o “click-click” da tesoura do Bobby (o cara que mais parece “A vingança do jardineiro)
Todo game tem suas falhas, mas esse se supera.
A primeira que muitos vão notar de cara é que o game é ABSURDAMENTE LENTO! Do tipo que você leva horas para cruzar um corredor. Claro, você pode correr, mas CORRER GASTA SUA VIDA. Você pode regenerar sua vida descansando (aperte X algumas vezes e espere ela se sentar), mas isso demora um bom tempo.
Outro grande problema é a presença de bugs bizarros no game.
Que tal se você está fugindo e de repente vai ver algo na parede. Milagrosamente você atravessa vagarosamente seu perseguidor como se ele não existisse, vê o objeto e só volta para a perseguição. Estranho não? Mas não é só isso. Às vezes o seu retrato (que mede sua vida) passa para cores estranhas, ou você misteriosamente perde quase toda sua vida do nada! Pode?
Clock Tower é um excelente game de terror, se levar em conta as limitações do console onde foi originalmente feito (as versões para PSX e Wonder Swan Color praticamente não receberam melhorias). Claro que tem seus defeitos, mas mesmo assim vale a pena ser jogado.
Então, feche a porta, apague as luzes!
