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Metal Gear Solid 4 - Guns of the Patriots - Konami - Playstation 3 - Análise por evilgambit |
Quando o
Playstation 3 ainda era uma promessa, Metal Gear Solid 4 foi anunciado como um
jogo exclusivo do console e que levaria seu potencial ao limite, atraiu grande
atenção da mídia e dos jogadores, e a cada trailer ou discurso de Hideo Kojima,
o "hype" aumentava. Por fim, com o Playstation 3 na terceira posição na guerra
dos consoles, Metal Gear Solid 4 passou a ser conhecido como o salvador do
Playstation 3.
E Metal Gear Solid 4 salva?
A série, idealizada, escrita e produzida por Hideo Kojima, nasceu na década de
80 no finado sistema MSX (o computador videogame, muito popular no arquipélago
nipônico), Metal Gear ganhou rápido reconhecimento por causa de duas
características:
- Um enredo muito bacana, embolando ficção científica, referências à guerra
fria, corrida armamentista e robôs gigantes, tudo com um ar bastante
cinematográfico com viradas memoráveis e diálogos interessantes.
- Snake trouxe pela primeira vez aos videogames o "stealth action", o jogo
premia que se esconde dos inimigos, bola um jeito de não ser visto pelos
inimigos, ao invés de incentivar o ataque franco e desmedido. (Até porque o MSX
não poderia processar ação intensa, foi uma sacada vinda da necessidade)
Ganhou uma seqüência, versões para o Nes, mas foi em 1997 que a série ganhou
merecida notoriedade e GRANDE popularidade. O jogo deveria se chamar Metal Gear
3 e seria lançado para o finado 3DO da Panasonic. O projeto no entanto só seguiu
em frente alguns anos mais tarde mirando no novíssimo console da Sony, o
Playstation. Hideo Kojima e sua talentosa equipe tratou de transpor a essência
da série para o ambiente em 3 dimensões. O resultado foi Metal Gear Solid, que
de certa forma é uma nova série, mas fortemente enraizada nos dois primeiros
jogos do MSX.
E Metal Gear Solid 4 é uma evolução natural da série tendo agora tendo munição
da nova geração de consoles. E tudo nele é superlativo, grandioso e até
pretensioso demais, e talvez por isso residam nessa super produção alguns
probleminhas...
Controlando um Snake envelhecido, devido à problemas derivados de sua origem
(ele é um clone), surpreende o grande upgrade efetuado na jogabilidade, que na
minha opinião sempre foi o ponto fraco da série "Solid". Finalmente é prazeroso
estar em um franco tiroteio pois a sensação de estar "perdido" devido aos
ângulos de câmera quase que desapareceu. O motivo reside em sábias mudanças, mas
mantendo a clássica composição da série. Você ainda visualiza Snake como em um
jogo em terceira pessoa, pressionando L1 e estando com um armamento qualquer, a
visão muda para os ombros, lembrando bastante o esquema utilizado em Gears of
War e mais precisamente Resident Evil 4. Pressionando o triângulo, a visão muda
para primeira pessoa, como num FPS, aumentando bastante a precisão dos tiros,
isso já era possível em MGS3, a diferença substancial é que agora você pode
andar estando em primeira pessoa.
O jogo ainda conta
com o CQC, a técnica de luta corporal que foi a grande sensação do terceiro jogo
da série. Com simplicidade é possível imobilizar o inimigo, roubar equipamentos,
matar e usar como escudo humano. O sistema é bastante complexo e quebra grandes
galhos, matando com necessário silêncio e sem disparar sua arma.
O esquema de camuflagem derivado de Metal Gear Solid 3 foi melhorado e
simplificado, a vestimenta de Snake (Octocammo) automaticamente detecta a
textura do ambiente ao redor e emula da melhor maneira possível. E toda sorte de
gadges e outros equipamentos tecnológicos, somando cenários amplos e com
diversos caminhos distintos, dá ao jogador a liberdade para jogar como bem
entender, partindo para a matança descerebrada ou utilizar o clássico Stealth da
série. No entanto vale ressaltar que a grosso modo o jogo resume-se a ir do
ponto A ao B.
Aos que gostam do tiroteio digital, desta vez equipamentos, armas e munição
podem ser adquiridas com um personagem que lembra bastante o vendedor de armas
de Resident Evil 4. A coleta de "dinheiro" acontece coletar equipamentos e armas
de soldados derrubados. Um processo bastante simples e que funciona muito bem.
As armas também podem ser customizadas, melhorando aspectos como mira, precisão
e até adicionando mais poder de fogo, novamente, como RE4.
Graficamente o jogo é um desbunde, uma verdadeira amostra do esmero da talentosa
equipe de Kojima. O jogo tem cinco cenários distintos, extremamente bem acabados
e com detalhes gráficos dignos de um babador. Metal Gear Solid 4 cumpre sua
promessa ao se firmar como um dos jogos mais bonitos, complexos e bem acabados
da atual geração. É o típico jogo japonês, na minha opinião os jogos ocidentais
tem a tecnologia de ponta, os jogos japoneses (os bons) são incrivelmente
acabados e aproveitam o máximo da tecnologia que eles tem disponível, que nem
sempre é a melhor, porém o resultado dada tamanho capricho acaba sendo o mesmo.
E durante as cutscenes somos presenteados com um Hideo Kojima cada vez mais mais
talentoso no que diz respeito a direção de um filme, com muitos diálogos bem
conduzidos, tomadas de câmeras sensacionais e momentos gloriosos de ação e
emoção!
A trilha sonora é poderosa, imersiva e bem dirigida ao tom focado na ação deste
quarto capítulo. Porém ela não tem o mesmo apelo emocional de Metal Gear Solid
3, e isso é bem notável quando se faz necessário. Porque o enredo de Metal Gear
Solid 4 guarda grandes emoções aos fãs.
A história de Metal Gear Solid 4 é complexa, audaciosa e extremamente dependente
do conhecimento de jogos anteriores da série. Ela trata de explicar várias
questões levantadas em 20 anos de existência, com longas explicações a cerca de
fatos pertinentes à série como "Os Patriots", "Nanomachines" e outras brilhantes
viagens vindas da mente de Hideo Kojima. Para os fãs da série ela satisfaz
completamente, inclusive se aproveitando do apelo emocional do jogador pois faz
referencias monstruosas aos jogos anteriores, vários personagens da série
retornam e todos eles tem um papel crucial na trama, cada qual colocado e
executado como em um complexo quebra cabeça, que finalmente fecha um ciclo,
responde antigas dúvidas, humaniza vilões e constrange com raros momentos de
evidente canastrice (a dublagem de Snake vai do regular ao ruim em boa parte do
jogo) e escatologia. Enfim, é um Metal Gear Solid, fãs estão acostumados a jogar
20 minutos e passar outros 15 assistindo cutscenes cinematográficas e
intermináveis diálogos via codec.
Mas e quem caiu de pará-quedas na série?
O jogo traz gráficos, sons e uma jogabilidade bem sólida (he he he). Com certeza
jogá-lo é uma experiência e tanto, seja explorando a gigantesca gama de direções
que a jogabilidade proporciona ou degustando o poderio gráfico do console, que
exibe finalmente um jogo que você até para e pensa: "Isso rodaria no
concorrente?". Mas como em qualquer outro da série, não é exagero afirmar
que você passa metade do tempo jogando e a outra metade assistindo a um filme. E
para quem não está devidamente a par de uma trama tão complexa e que exige muito
conhecimento posterior, isso é no mínimo frustrante.
Kojima até que tentou criar artifícios para que novatos sejam incluídos na
complexa mitologia da série, como explicações detalhadas nos diálogos e flashes
que visualizam jogos anteriores, mas nem isso resolve. Se você quer mesmo
aproveitar MGS4 em sua totalidade, você terá que conhecer a série, ou seja, ser
fã.
Outro aspecto negativo é o processo de instalação que o jogo exige. Inicialmente
você perderá 8 minutos da sua vida esperando o jogo ser instalado no HD do PS3.
E completado cada ato do jogo, você irá aguardar em média 2 minutos para que o
ato seguinte seja previamente instalado. Como todo fã da série, sempre dá aquela
vontade de rever aquela cena maravilhosa e emocionante, se ela estiver num
capitulo diferente do atual, você terá que reinstalá-lo, é chato e desencoraja o
replay. Porém essas instalações notavelmente diminuíram os loadings na jogatina,
que flui bem com apenas alguns "now loadings".
Como bônus, temos
Metal Gear Online, incluído no blue ray do jogo. Trata-se de uma versão
aprimorada do modo online existente na versão Subsistence de MGS3 do Playstation
2. A grande chatice é ter que completar dois registros no site da Konami (isso
pode ser feito ingame, afinal o console tem um navegador). Feito o registro você
tem um modo online bem consistente, com um número singelo de mapas e modos de
jogos, dos óbvios Teamdeath match e Free for All a modos que aproveitam bastante
as características "stealth" da série.. A jogabilidade segue a mesma cartilha do
"single player", trata-se de um shooter em terceira pessoa, bem mais lento que
um FPS padrão, mas que fornece bastante ação e tem potencial para algo bem mais
diversificado e complexo que um mero mata mata online, deste que abundam o
mercado. É um adendo grátis e interessante!
A série Metal Gear Solid foi um passo a frente quando o assunto é unir algo
interessante de se assistir com a interação que só os videogames proporcionam. O
quarto jogo da série sem dúvidas nenhuma é o mais complexo, divertido,
emocionante de se jogar e visualmente um dos jogos mais caprichados até o
presente momento. A trilha sonora é poderosa mas carecia de mais emoção em
momentos em que ficou evidente sua falta, as cutscenes são um verdadeiro
presente para os fãs, mostrando mais uma vez a veia talentosa de Hideo Kojima na
direção cinematográfica. É um filme (bom pra caramba) que você joga, é o que
todos os fãs desejavam (e mereciam) e mostra finalmente a potencial do
Playstation 3. Mas ele só será plenamente degustado para profundos conhecedores
desta fabulosa mitologia que uniu numa só panela questões como honra,
paternidade & genética, corrida armamentista, o perigo nuclear vindo da
obstinação armamentista e principalmente sobre a liberdade para se escrever o
nosso próprio destino.
Há quem queira um filme baseado nessa franquia, e eu perguntou, eu vou poder usar meu dualshock 3 no cinema? Se a resposta for não. Eu estou fora.
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