Final Fantasy X   - Square Enix  - Playstation 2  - review por evilgambit

 

Existem games que certamente envelhecem com o tempo, este é imperdoável com os jogos, mas em alguns dele residem características tão marcantes que o fazem de certa forma eternos para os jogadores, bom ao menos para mim.

Final Fantasy X teve em 2001, quando foi lançado, como grande trunfo o Playstation 2. Boas novidades foram expostas aos fãs graças ao poder do então novato console da Sony. Pela primeira vez os cenários não eram pré renderizados e sim completamente construídos com polígonos, a narrativa foi fortalecida com adição de vozes ( ao menos nos diálogos dito importantes e nas CG´s ) e o rosto dos personagens contava com boas expressões faciais, uma novidade e tanto na época.

O visual do game, diferentemente dos outros da série que remetiam à Europa Medieval com certo sustento tecnológico no melhor estilo Star Wars, agora mantinha fortes referencias com o Japão e o oriente, os cenários, as gesticulação e o próprio visual dos personagens eram claramente orientais, como se a série resolvesse visitar as belas praias da ilha japonesa de Okinawa. Não somente o visual se apegava a conceitos orientais como também a essência do enredo que trata da espiritualidade, a essência do que pode ser considerado vivo e tátil para as pessoas e a religião e seus efeitos nas pessoas como em poucos games que tive oportunidade de jogar. É a metafísica revisitada em um mero enredo gamístico.

O enredo do game é centrado no metrossexual Tidus, esportista praticante de um dos esportes mais chatos já vistos nesta realidade, o Blitzball e na jovem Yuna, uma das personagens mais doces e cativantes já concebida pela Square Enix. No mundo de Spira, onde vivem nossos heróis drasticamente mau vestidos, um grande vilão de tempos em tempos aparece ameaçando destruir tudo, só os summoners tem o poder de detê-lo, mesmo que temporariamente, esse grande mal chamado de "Sin". Os summoners tradicionalmente morrem executando seu nobre trabalho, a jovem Yuna é a summoner desta época que tem que cumprir seu dever e em sua jornada acompanhada pelos seus protetores muitos dos segredos de Spira serão relevados e uma honrosa história de amor vai deslanchar durante a jogatina.

Ok, eu sei que muita gente não tem lá certa predileção pelo tom romântico, que de certa forma  tornou-se corriqueiro nesta série desde a era Playstation, mas eu tenho que ressaltar que o tema é brilhantemente executado em Final Fantasy X, não posso entrar em detalhes para não estragar a viagem dos que ainda não adentraram neste game, resta dizer que: Jogue com o coração aberto para com estes personagens, sem dúvida você irá aproveitar muito mais desta forma. Boa parte do sucesso da narrativa e do conteúdo emocional deve-se à brilhante trilha sonora de Nobue Uematsu, bem solto abusando do seu estilo único com temas bem simples executados com um doce piano e outras faixas ousando estilos destoante aparentemente, como um barulhento heavy metal ( bem legal por sinal ). E também a dublagem e as já citadas expressões faciais deixam a narrativa bem mais "cinematográfica".

A jogabilidade no entanto ousa pouco, existe o modo de exploração e as famigeradas telas de batalha, no melhor estilo da série. Os limit breaks  apenas mudaram de nome , aqui chamam-se Overdrivers, cada personagem tem certo estilo, Yuna é a white mage, Tidus é o faz tudo, Wakka é bom para inimigos voadores, Lulu ( gostosa!! ) é Black Mage, e por ai vai.

Interessante é o novo método de evolução, baseado no Sphere Grid, cada personagem tem uma espécie de tabuleiro e em cada ponto deste existe uma habilidade, você as libera ( cada personagem tem seu Sphere Grid com algumas habilidades exclusivas ) coletando pontos de evolução durante as batalhas. O barato é que você pode direcionar a sua maneira a evolução do personagem. Outra boa novidade é que se pode trocar os personagens no meio de uma batalha, e isso é importante para o sucesso no game, já que muitas batalhas são longas e necessitam de habilidades variadas.  Os summons, poderosas entidades mágicas, quase uma marca registrada da série antes tinham o efeito de uma magia mais poderosa, em FFX eles tem um papel mais atuante tanto no enredo, como na jogabilidade; quando a Yuna invoca um desses bichos, o time de personagens dá lugar ao bichano numa luta mano a mano contra um chefão por exemplo. No momento oportuno ele libera todo seu poder, num ataque quase sempre devastador e com visual deslumbrante.

Final Fantasy X é até hoje um dos games mais vendidos do Playstation 2, teve boa recepção dos jogadores e em especial no Japão, onde tornou-se um dos episódios mais adorados da franquia, tanto que animou a Square Enix a produzir a primeira seqüência para um game da série, o famigerado porém divertido Final Fantasy X-2. Prolongar a existência de personagens tão querido pelos fãs seria interessante se não fosse completamente desnecessário, ao menos para quem realmente entendeu a bela e emocionante mensagem no final do game.  A dublagem japonesa é muito boa, já a americana pisa na bola em vários momentos, a sincronia labial na versão japonesa é regular, na versão americana é sofrível.

Outro ponto negativo do game é a linearidade. É impossível se perder no game, já que ele é inteiramente direcionado do ponto A ao B, isso se complica ainda mais pela ausência do mapa-mundi, uma tradição na série, em Final Fantasy X quando você deixa uma cidade, você continua com a mesma visão em terceira pessoa num percurso linear até a próxima localidade. E se você adorava criar Chocobos, jogar cartas ou ficar procurando tesouros pelo mundo afora montado numa das aves amarelas, desencane com Final Fantasy X, o mini game onde você comando um time de Blitzball só não é completamente dispensável porque ao menos UMA vez nas 40 horas de jogo você é obrigado a se perder nos comando deste joguinho cretino.

Final Fantasy X inovou em quesitos técnicos e ousou menos na  jogabilidade, mantendo o estilo consagrado e arcaico dos  rpgs japoneses. A linearidade do enredo só não compromete porque os personagens são carismáticos, o embolo religioso e amoroso na trama agrada e principalmente porque o jogador invariavelmente acaba no mínimo curioso para saber o desfecho da Yuna na história. É muito legal constatar que alguns fãs que torceram o nariz quase que imediatamente para o protagonista Tidus acabam torcendo por um final feliz dele nos momentos finais da trama e se em todo Final Fantasy existe um "W" de Star Wars, impecável a forma como é conduzida a relação pai e filho neste game. Sem dúvida Final Fantasy X agrada velhos fãs da série, não complica  tanto para desestimular novos jogadores e trás uma trama convincente e cativante que se desenrola até seu emocionante e singelo desfecho.

Mas isso depende necessariamente da percepção do jogador.

 

 

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