| Dragon Quest VIII - Level 5/Square Enix - PS2 - review por evilgambit |
Desta vez não vou começar mais um texto sobre Dragon Quest dizendo que é minha série preferida e que o site em si nasceu pelo amor que tenho à série.
Isso é chover no molhado, dizer o quanto é bom esse game também.
Dragon Quest VIII - A Jornada do Rei Amaldiçoado tem tudo que sempre existiu de bom na série agregada a uma significativa evolução tecnológica. Os méritos são da produtora Level 5 que soube muito bem valorizar cada aspecto chave da série, remodelando a um novo nível gráfico e implementando coisas interessas e novas à série.
A mais significativa talvez sejam a ausência de um modo mapa e as batalhas em primeira pessoa. Na verdade elas continuam sendo em primeira pessoa, a diferença é que agora por exemplo se você manda seu herói atacar determinado inimigo, há uma animação para tal ação e o mesmo acontece aos inimigos. E a visão em terceira pessoa típica em quase todos os rpg´s quando estamos numa cidade ou dungeon se aplica também as viagens entre as cidades, você irá caminhar muito por desertos, florestas, campos e estradas quase sem fim. Literalmente é um mundo a ser explorado e com um detalhe importante, existe o dia e a noite. Muitos eventos só podem ser acessados ao dia e outros a noite, conforme o tempo passa o sol se põe e nasce novamente, nos INN´s é possível acordar só no dia seguinte ou acordar durante a noite para uma exploraçãozinha à luz do luar.
A jogabilidade recebeu boas melhorias, sai o sistema de jobs e entra a evolução pessoal de cada personagem, cada um possui a habilidade para usar determinados tipos de armas e tem um dom exclusivo, Jessica por exemplo: suas armas são cajados, chicotes ou facas, ela possui força mágica, a medida que evolui irá aprender sozinha magias novas de ataque e status, porém tem como dom seu lado sexy, se você decidir evoluir esse dom, irá ganhar magias como o lendário e delicioso "Puf Puf" ou o eficiente "Sexy Beam". A evolução do seu lado sexy, ou se preferir no uso de determinada arma é orientada por pontos que você ganha a cada level up. Evoluindo a arma você ficará mais proficiente usando-a e ganhará skills novos e exclusivos para quando estiver equipado com esse tipo de arma. Outra novidade na série foi a inclusão do Psyche Up presente no menu de cada personagem, usando-o você pula a vez no turno durante a batalha mas "carrega o KI" e fica mais forte, é bem Dragon Ball mesmo, e pode-se elevar a um limite deste carregamento de força e ae sim você se lembrará de Goku e cia. O uso deste elemento novo é quase obrigatório nos chefes, a maioria páreo duro, coisas da série.
Ainda é possível adquirir itens e equipamentos exclusivos usando o pote da alquimia. Um item disposto em seu menu a determinada altura do game onde poderá combinar itens para formar novos, informações sobre como juntar os itens se consegue conversando com as pessoas pelo mundo e principalmente lendo os livros nas casas, igrejas, castelos. É possível adquirir bons itens também com a mulher que coleciona as medalhas, tradicional mini game da série, basta coletar os medalhões escondidos por todos os cantos do game e procurá-la para ganhar novos presentes, tradicional também é o Monster Arena, um modo pokémon escondido no game onde você capturas monstros e os treina para lutar num torneio para receber itens e glória ( impressionante como esse mini game é bonito mio ragazzo ). Existe também uma infinidade de segredos nas cidades, side quests como costumam dizer, o que prolonga e muito a durabilidade do game, o mundo para ser explorado e a quantidade de cidades, vilas, dungeons e castelos é enorme.
As batalhas ainda são aleatórias, basta sair de uma cidade para em segundo ser cutucado por um monstro, todos seres clássicos da série e para deleite dos olhos, muitíssimo bem animados. Akira Toriyama, criador dos personagens e monstros fez bom uso da atual tecnologia proporcionada pela Level 5 e criou criaturazinhas quase vivas e com muita personalidade, metade da diversão das batalhas vem disso, a outra vem do dinamismo delas, passado um tempo, não irá mais bastar atacar simplesmente, você terá que fazer uso de certa estratégia para eliminar com sapiência determinados inimigos e é bastante divertido esse aprendizado durante o game.
E lutar é preciso, o game demanda desde o início paciência para evoluir os atributos dos seus personagens com batalhas, seja para ganhar dinheiro para adquirir novas armas, ou para aprender logo a magia HEAL e não depender mais do uso de ervas medicinais.
Esqueça personagens metrossexuais, enredos que fazem menções filosóficas e tudo mais, aqui temos uma história capa & espada, com um rei e uma princesa amaldiçoadas, um herói disposto a ajudá-los, um simpático ex ladrão fiel e seu "servo", uma bela donzela com espírito de Leia Skywalker e um rapaz sagaz que se auto intitula charmoso. É muito fácil reconhecer o senhor Akira como o criador de todos eles, porque graficamente o game não perde nada para um anime do naipe de Dragon Ball Z por exemplo. É surpreendente como todos os seres são dignos de menção face ao capricho no desenho e animação, você chega numa cidade vê a molecada correndo, senhoras nos shops, o padre trancado com uma bela freira na igreja e tudo mais, bem vivo e personalizado. O enredo se desenvolve bem devagar sem muita reviravolta até seu final mas de forma bastante eficiente, é simples e serve-se de ânimo para continuar na jornada ( alie a isso deliciosos momentos cômicos e os peitos da Jessica que não param de balançar ), de forma bastante linear se você focar-se nos acontecimentos principais que determinam o andamento da trama.
Graficamente o game cumpre seu papel, como já disse, com personagens quase vivos ( esqueçam os cabeçudinhos que movem as pernas mesmo parados hehehe ) e cenários que surpreendem bela beleza e tamanho, é possível visualizar de longe as cidades a serem alcançadas e demandam muita paciência para serem explorados em muito por causa das batalhas aleatórias, existem meios de transporte no game que agilizam na jornada no entanto, como um carismático tigre que serve de montaria e que pode ser adquirido numa das side quests. Todas as cidades tem características próprias e no geral o game se sustenta como um dos mais bonitos no gênero para o console se assim posso resumir este parágrafo.
A trilha sonora composta por Koichi Sugiyama desde o primeiro da série, é bela e eficiente. Mesmo usando as mesmas musicas em muitas passagens, elas nunca cansam e casam com o estilo do game. Se você já jogou outros games da série, sabe do que estou dizendo.
A grata surpresa da versão americana é que ela conta com dublagem em diálogos de relativa importância, e são MUITO bem dubladas, a decisão de usarem vozes européias é mais que acertada e todas muito coerentes com seus personagens. Eu adoro odiar dublagem que não seja a original, neste caso sou obrigado a elogiar de forma indecorosa o trabalho da Square Enix americana no trabalho da versão americana do game. Realmente é um presente para os fãs.
Dragon Quest VIII eleva seu bom nome ( e popularidade no Japão ) finalmente com evolução tecnológica mas sem perder sua essência. Não é sempre que isso acontece no mundo dos games, quantos games que você adorava no Nes e Snes ficaram bons nos consoles atuais? Muita gente criticou a pobreza visual do sétimo game da série, mas quem o experimentou, pode degustar da real beleza daquele game. A oitava versão irá conquistar de cara quem gosta de um bom visual e torna-se experiência obrigatória aos fãs do gênero rpg. Arrisco dizer que irão torcer o nariz apenas aqueles que adoram odiar ou que realmente não suportem mais esse tal de rpg da velha escola e suas batalhas aleatórias.

