Zatoichi - direção: Takeshi Kitano  - Japão 2000 - crítica por evilgambit

 

Aqui no Brasil já estamos meio que acostumados com o universo dos samurais, os guerreiros medievais do antigo Japão feudal! Primeiro foi um filme aqui, um Samurai americano deu as caras, um robótico quase matou o Robocop, e mais tarde com a popularização dos mangás e animes, chegaram Battousai Rimura, Musashi & Matahachi e neste final de semana o brilhante Lobo Solitário de Goseki Kojima.

Parece que como o resto do mundo, nos fascinamos com esse universo, com seu rígido código de honra e o romantismo que cerca essa casta, da antiga sociedade nipônica. É sim, uma visão romântica, não completamente errada, mas inegavelmente irreal em muitos casos. Takeshi Kitano, aclamado cineasta multimídia japonês produziu, dirigiu e protagonizou mais um filme de samurai, alías, filmes de samurai são raros por aqui, uma pena.

O filme em questão é Zatoichi, baseada numa "lenda" japonesa, que já rendeu alguns filmes da década de 60 e 70. A história roda em torno de um errante cego, que vive como massagista e não dispensa um bom jogo ( como todo bom japonês ) que chega a uma cidade dominada por gangsters, com sua surpreendente habilidade na espada meio que sem querer começa a eliminar os ratos locais, para a alegria do sofrido povo agrário do local. É quase a base para qualquer mangá de samurais. O mérito de Kitano foi trazer a sua visão da história ( enredo, personagens, estilo musical e visual ), um filme quase obrigatório para quem se interessa por esse universo e principalmente para quem gosta de degustar cinema de qualidade.

Takeshi Kitano é um cineasta diferente, ousado, alguns dizem ser violento e sarcástico, quem assistiu alguns de seus filmes, que inclusive foram lançados em DVD no Brasil ( procure por Dolls e Brothers ) sabe disso. Mas em Zatoichi, ele se mostrou também engraçado, e não digo que são aquelas risadas que escapam quando o sadismo de uma morte parece ser insólita o suficiente para tal, eu digo comédia mesmo, pastelão, daquelas com o único objetivo de tornar a cena doce para o espectador. Uma grata surpresa!

O enredo simples conta com um número mediado de personagens,  e em suas duas horas consegue acalentar e explanar com afinco cada um deles. Desde a velha que acolhe o cego errante em troca de um bate papo, o seu sobrinho jogador compulsivo e as duas gueixas que procuram vingar os pais mortos pelo misterioso líder da gangue local que controla a cidade, ao pé da montanha. E o filme coloca exposto duas coisas interessantes, a primeira é a impressionante recriação do Japão do século XIX, e a verdadeira face de um simples samurai, que apesar de contar com a rigidez de seu código de honra, muito facilmente seria confundido com um matador de aluguel, desses que vivem escondidos nas periferias de São Paulo. A outra linha de enredo trata de um samurai chamado Hattori, que tem a companheira doente e precisa de dinheiro para viver e custear remédios para a japinha, não tem outra alternativa a não ser trabalhar para os gansters  como guarda costas e Hitokiri em troca de um salário. O confronto do paladino cego e o samurai é inevitável, para nosso prazer.

A fotografia como em todos os filmes da nova geração do cinema japonês esbanjam criatividade, isso aliado à já comentada recriação do cenário samurai da época, a brilhante atuação dos atores, a exposição das várias facetas de uma sociedade que inacreditavelmente continua viva na cultura ( talvez nem tanto nas pessoas, digo japoneses  ) japonesa não for suficiente para te convencer ir ver esse filme, quem sabe as excelentes coreografias de lutas com as espadas consigam. É um show, sem exagerar com efeitos de bullet time ou vôos no estilo de Tigre e o Dragão, em Zatoichi a criatividade, a habilidade dos atores na esgrima e um uso inteligente de CG para criar efeitos como sangue e excesso de velocidade nos golpes torna tudo divertido, delicioso e verossímil! Show de bola!

Se você curte filme de samurai deve ir ver. Se você é fã de cinema bem feito também, e se você quer se surpreender com a balada no melhor estilo STOMP ( musical? Tem MUSICAL NUM FILME DO KITANO?! ) no final, precisa ir ver. É cinema de qualidade se aproveitando da melhor fase de Kitano, bom para nós.

 

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