Ryu ga Gotoku: Gekijo Ban (Yakuza)  - direção: Takashi Miike - Japão/2006 - Crítica por evilgambit

Numa tradução livre "Ryu ga Gotoku" quer dizer "Como um Dragão" que no ocidente ganho a alcunha de "Yakuza", o filme baseado no jogo para Playstation 2 desenvolvido pela Sega prima pela estranheza tão comum aos que já estão familiarizados com o estilizado e inventivo do diretor japonês Takashi Miike. Mas no caso deste filme, os méritos tradicionais do diretor não valem um bom filme, nem uma boa adaptação do famoso jogo (no Japão vendeu como calcinha usada) para grande tela.

O game prima pelo enredo denso, adulto e principalmente cinematográfico. O filme, como no game, coloca o protagonista Kazuma Kiryu contra a máfia japonesa, tão folclorizada pelo cinema ocidental; a Yakuza. O enredo gira em torno de uma conspirações entre as facções que disputam o poder do crime organizado japonês, o sumiço de 10 bilhões de yenes, uma garota que procura sua mãe e muitos outros personagens secundários que ajudam a compor um rico universo para o jogo. O grande problema do  filme reside na adaptação deste enredo, era óbvio que todos os personagens e a história de  mais ou menos 15 horas não caberiam em um filme de 2 horas, bastava simplificar alguns fatos, encurtar o desenrolar da trama e pronto, teríamos no mínimo um filme mediano com algumas brigas boas, personagens interessantes e uma história com algum sentido.

Infelizmente não é o que aconteceu!

O grande mal na adaptação de Ryu ga Gotoku  reside no tom transgressor de Miike, ele não se preocupa nem um pouco em dar ordem e centralização à história  ou ao menos explicar da onde vem alguns  personagens, é como se ele fizesse um filme que só se torna claro para quem já jogou no Playstation 2.

Porém, como grande fã do jogo, não fiquei nem um pouco satisfeito.

O enredo, como disse, precisaria de mais explicações, alguns personagens secundários necessários para o desenrolar da história são simplesmente jogados na trama e não fica claro a função e as motivação deles (isso vale especialmente para espectadores ocidentais). Outra grande cagada foi deixar de focar exclusivamente no Kazuma e a  pequena Haruko para dar boa parte do espaço do filme à um casal de adolescentes que começaram praticar os primeiros roubos em uma curta carreira de crime, vale dizer que eles não tem qualquer vinculo com os personagens "centrais" da trama, o que me rendeu o grande momento "WTF" assistindo essa porcaria.

O ator Kazuki Kitamura como Kiryu Kazuma passou legal o ar badass bom de briga mas falhou miseravelmente ao transpor o lado paternal e gente fina do Kazuma original do videogame, ele faz cara de prisão de ventre o filme todo. O resto do elenco, parece atuar em um comercial de TV dada a falta de profundidade, que existia no jogo, mas falta ao filme. Alguns personagens na versão "live action" me fizeram até rir de tão ridículos, a exceção é o carismático e psicótico Goro Majima, que ficou muito fiel ao jogo e é responsável pelos melhores diálogos e cenas de porradaria da película japonesa.

Não foi desta vez, Ryu ga Gotoku não consegue ser nem um filme bom, quanto mais a tão esperada boa adaptação de um videogame para a grande tela. Fãs do diretor podem até  curtir a ambientação e o visual pois o filme se segura com tomadas criativas e um ar vibrante para retratar a metrópole japonesa e sua agitada vida noturna.  Mas se ele fosse um pouco mais pé no chão e almejasse  um publico maior, quem sabe não teríamos um filme com uma história e personagens melhor adaptados. É uma pena, eu estava realmente ansioso para ver esse filme,  e acabou sedo uma bela oportunidade perdida, dói dizer mas nem os japoneses conseguem fazer um bom filme para seus bons jogos.

 

 

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