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Wall-E - Direção: Andrew Stanton - EUA/2008 - Crítica por evilgambit |
É até
engraçado, assim que a sala escurece e o projetor começa a veicular os trailers
das animações concorrentes, fica inegável a superioridade da Pixar perante tanta
diversidade enfadonha.
Qual o segredo da Pixar? O que torna Wall-E inegavelmente superior, com conteúdo
urgentemente importante e mesmo assim diversão garantida e que toca sem
distinção o coração de um cara de 30 e de uma garotinha de 9 anos na mesmíssima
intensidade?
A primeira cena de Wall-E trata de explicar qual é a do filme: A Terra num
futuro próximo se torna um gigantesco lixão, tão tóxico que a vida humana (e dos
restantes dos seres vivos deste planeta) torna-se impossível. A solução
megalomaníaca é viver em uma grande nave espacial e aguardar que robôs cuidem de
purificar nosso tão amado planetinha.
O problema é que se passaram 700 anos, e da força de limpeza sobrou apenas um
robô reciclador. O adorável Wall-E. Eu vou te dizer, desde Tonari no Totoro eu
não sinto tanta humanidade, ternura e amor (na propriedade original desta
comercial palavra, se é que isso existe.. enfim) em um personagem não-humano.
Wall-E segue sua rotina limpando toneladas de lixo acumulados por uma humanidade
que ele tenta entender coletando pequenos pedaços de reminiscências de sua
cultura, seja num brinquedo quebrado ou em um mero isqueiro. A rotina é quebrada
quando uma nave pousa na Terra e traz consigo um outro robô com uma nobre
missão. A rotina de 7 séculos do pequeno reciclador é alterada, e por que não
dizer, do destino da humanidade.
O segredo da Pixar é que ela mantém todo o foco nos personagens, a animação
sempre foi inventiva e muito bem cuidada, mas é nos personagens que ela sempre
depositou total confiança e a receita de sucesso se mantém quase intacta na sua
nona animação. O robozinho Wall-E tem tudo para se tornar o novo símbolo desta
empresa que criteriosamente produz seus filmes com tamanho carinho que isso fica
estampado e evidente a qualquer um que o assista.
E se o romance (à moda antiga, quase como num filme mudo dos anos 20) não lhe
convence a mergulhar nesta experiência cinematográfica, devo dizer que a
animação ostenta diversos temas de suma importância, a mais evidente é o meio
ambiente, mas não menos importante é o papel dos homens perante tamanho
problema. Não é difícil perceber, basta fazer as contas, quantas toneladas de
lixo uma cidade do tamanho de São Paulo produz? O que Wall-E alarma nesta obra
de ficção é uma realidade a ser definida se nada for feito. A Pixar faz a sua
parte, compõe uma brilhante animação carregada de carisma, humor, com um dos
personagens mais cativantes que já tive a oportunidade de conhecer e coloca a
molecada que vai curtir o cinema nas férias escolares, mais uma vez, a par deste
grande problema do presente e futuro.
E o melhor é que ela o faz de uma forma singela, quase paralela ao romance e a
aventura (com soberbas seqüências, Pixar como sempre é referencia técnica quando
se trata de animação CGI), mas que inegavelmente fica clara para qualquer um que
o assista. O melhor de tudo é sua mensagem positiva, isso é importante para que
as pessoas não saiam da completa ignorância para o inútil desespero.