| V de Vingança - Direção: Dir.: James McTeigue - EUA/Alemanha 2006 - review por Thiago Vetromille |
Numa Inglaterra futurista, um
regime totalitário está no poder. Evey Hammond (Natalie Portman) é mais uma
cidadã que vive sob o punho de ferro do governo. Quando é salva de uma situação
de vida ou morte por um mascarado auto-intitulado ‘V’, ele a convida, junto com
toda a Inglaterra, a embarcar numa jornada em busca da liberdade.
“V de Vingança” começa na desvantagem por ser a adaptação de uma das melhores
graphic novels já feitas (talvez perdendo para Watchmen, também criada por Alan
Moore). Mas suas desvantagens acabam aí.
Os roteiristas de "V de Vingança", os famosinhos irmãos Wachowski (Matrix),
tomaram a decisão de transformar o 1997 da revista em uns dois mil e vinte
poucos. Partindo daí, podemos aceitar todas as modificações subseqüentes na
história. Só sendo muito purista para não aceitar bombas atômicas virando armas
biológicas, uma rádio se tornando uma emissora de televisão e A voz de um
computador se materializando em um âncora de expressão e força nacional.
Existem momentos em que a trama está tão perto da realidade que chega a
preocupar. O chanceler Sutler (John Hurt) é uma espécie de Bush inglês, com
postura lembrando discursos de George W. logo depois do 11/09. Além disso, temos
a BTN, rede de tv estatal que tem algo da CNN da Guerra do Iraque. Isso soa
radical? Vamos lembrar que o governo de Sutler é uma ditadura e o de Bush uma
“democracia”, daí a falta de sutileza do primeiro em relação ao segundo.
Todas as preocupações que passam por nossas cabeças atualmente são adaptadas
para entrar nessa história universal sobre um homem que não só defende, como
personifica, uma idéia. V é a Anarquia. Ele quer introduzir o Caos dentro de um
regime totalitário para lembrar que todos podem seguir com suas próprias pernas.
E é muito bem sucedido.
O filme também tem apelos
para os que não estão familiarizados com os quadrinhos, ou que não queiram
passar as 2 horas de filme pensando nas mazelas do mundo. Existem grandes
manobras de dublês, explosões, momentos de tensão e uma batalha de facas
meio Matrix, cortesia dos Wachowski. Tem até Natalie Portman em um
vestidinho rosa. Vale como aquele filme de ação bacana.
"V de Vingança" se sai muito bem em suas duas propostas: modernizar o
conceito original e ser um ótimo filme de ação. O fato do Alan Moore ter
vindo a público repudiar o roteiro e desencorajar os fãs de assistirem só
contribui com a idéia que eu tinha dele há algum tempo - ele é um purista e
fã dos próprios quadrinhos que faz. Se bem que ele tem todo o direito