Superman Returns  -  direção: Bryan Singer  - EUA 006 - crítica por Michel

 

Não vou fazer um simples review para esse filme, ele é dotado de algumas camadas que, se não forem levadas em consideração corretamente, podem gerar muitas interpretações quanto a sua qualidade. Então farei uma parva análise com spoilers, por isso, quem ainda não assistiu: CAI FORA DA MINHA COZINHA!

Bryan Singer e sua equipe anunciaram desde o principio que este filme seria uma homenagem ao original de 78, além de ser uma continuação dos dois primeiros filmes. Portanto, já começa com uma diferença dos últimos filmes de heróis de quadrinhos: este filme não adapta o Super-homem dos quadrinhos, mas sim atualiza o Super-Homem de Richard Donner.

Como grande amante dos filmes estrelados por Christopher Reeve, Singer não pode simplesmente começar uma nova franquia, então usou o seu conhecimento da antiga série para fazer um remake não oficial do primeiro filme. Assim temos todos os momentos do primeiro filme recriados, utilizando os melhores efeitos da atualidade e alguns em contextos novos. E a repetição do passado é ruim? Absolutamente NÃO.
Com a ousadia do “remake não oficial”, Singer faz um grande favor a todos: relembrar o publico das maravilhas do original, pois são poucos que vão procurar o original pra assistir de novo; e apresentar a uma nova geração os momentos tão marcantes da história do cinema, pois as novas gerações dificilmente vão se interessar por ver um filme “velho” como o original. E para aqueles que tem o primeiro filme decorado na mente, é uma viagem sem igual ver tudo aquilo que ficou tão mambembe com o passar dos anos refeito de forma tão grandiosa. Até diálogos do primeiro e segundo filmes estão presentes na integra!

Mas então, por que não fazer logo um simples remake? Oras, por que 1:o original é um marco que extrema qualidade, insubstituível; 2: É preciso começar uma franquia nova($_$)!

O filme trata da volta do herói após uma ausência de 5 anos, para se encontrar com um mundo novo, que aprendeu a viver sem o herói, ou não. Isso nos leva a outra camada do filme: o paralelo com a realidade: durante anos o publico viveu sem o Super-Homem no cinema, se enamorando por heróis descolados e modernos ,como Lois, que juntou trapos com o ciclope (James Marsden), chegando a desdizer e ignorar o herói, e agora com a volta do kryptoniano vamos lembrar das maravilhas de que ele é capaz. A seqüência do voou do casal Super e Lane serve como exemplo disso, nela Super-homem leva Lois para um passeio para que ela se lembre dos bons momentos juntos.
O roteiro do filme trata da solidão, sentimento que o herói sente nos primeiros filmes e que com sua ausência, acabou transportando para outros personagens. Tratando do tema, Singer carregou o filme com sentimentalismo, e acabou diminuindo o ritmo, causando a fúria de algumas pessoas. Realmente o filme é mais lento do que o habitual, mas isso é resultado da transposição do ritmo do inicio do filme de 78. Desde que começa até a parte em que Clark de torna Super-Homem, o longa original tem um ritmo grandioso e contemplativo que Singer transpõe para o novo filme inteiro. Possivelmente deve ser a parte do original que ele acha mais bonita. Em tempo, da primeira vez que assisti ao “Retorno” achei que essa lentidão era presente, mas da segunda vez a lentidão SUMIU e o filme se tornou muito mais ágil! Coisas da mente...

As performances dos atores variam entre si. Não havia duvidas de que Kevin Spacey teria mais um ótimo desempenho, já o que interessava mais era se Brandon Routh se sairia bem. E se sai. Não é um ator excelente, mas se dá bem no papel atingindo o ponto de ser o herói na tela. A decepção fica por conta de “Testa” Bosworth, que até engana como repórter e mãe, mas não é a Lois Lane, ainda mais por ser muito jovem pra ter tanta experiência como repórter. O que a salva é ser boa atriz. Meu deus, até o dedão dela é testudo!
A ultima camada do filme é o fato de Singer estar preparando terreno para o novo. Ele resolve discretamente os maiores conflitos dos primeiros filmes, fazendo as homenagens já citadas, e no fim não restam mais homenagens e referencias a serem feitas, deixando a franquia zerada para começar de verdade. Prova disso é a surpresa do filme, que acalma o conflito interno do herói e o fato de que parece que não poderá mais usar a fortaleza da solidão, com a imagem dele mandando pro espaço o passado, para se prender ao presente, e o final em que claramente Kal-el passa a mensagem de “prepare-se para o futuro".

Entre os grandes prazeres do filme está o de finalmente vermos o Planeta Diário em toda a sua magnitude, com o globo e letreiro giratório. Também Metrópolis se destaca por que é representada como uma cidade única e não é Nova York. Mas o que causa orgasmo mesmo é a abertura acompanhada do tema original, esse sim um remake declarado da melhor abertura do cinema.
“Super-Homem, o Retorno” não é o filme do Super-Homem que eu faria, mas é um espetáculo repleto de aspectos deliciosos que, eu repito, serve para preparar o terreno para um futuro promissor do último filho de krypton nas telonas.

PS: Christopher Reeve, Teri Hatcher, vocês são Super-Homem e Lois Lane, por que envelhecer ou morrer?

 

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