Speed Racer  - diretores: Andy Wachowski e Larry Wachowski  - EUA/2008  - Crítica por Flabis

Antes de tudo, é bom deixar claro que não acompanhava o desenho quando era moleque, conhecia a história e os personagens, mas não via. Só assisti mesmo após o filme para comparar. Dito isso, vamos ao review.

O desenho Speed Racer foi um marco na infância de muita gente e introduziu o anime no ocidente, acho até que demoraram a filmá-lo devido a sua importância, claro que a demora só fez bem. Fãs confesso do anime, os irmãos Wachowski conseguiram a proeza de colocar na tela toda a essência de um desenho que nas mãos menos habilidosas seria mais um Velozes e Furiosos com Mach 5. E eles conseguiram graças a um simples elemento: respeito com o material original. Vamos falar sobre isso mais tarde.

A história é sobre a família Racer, apaixonados pelas corridas eles abandonam sua escuderia após a morte trágica do filho mais velho Rex. Anos mais tarde, eles tentam se reerguer com o filho mais novo, o agora adulto Speed Racer, que vem despertando a atenção de grandes corporações graças ao seu talento nas pistas. Alias, a família Racer é um dos pontos alto do filme. Os personagens são extremamente carismáticos e é muito agradável assistir o convívio entre eles. Tudo bem que segue o modelo classe média americana (mas isso só é ruim para os socialistas) a mãe preocupada, o pai rigoroso porém amoroso, o amigo da família, a namorada, o caçula hiperativo e o bichinho de estimação (no caso um macaco). É impossível não se sensibilizar com um pai que reconhece seu erro ao perceber que poderá perder o outro filho. Não tem como não torcer por personagens assim. Outro ponto forte do filme é a narrativa. Nos minutos inicias somos apresentados a todos os personagens principais e a tragédia da família de uma forma fantástica, através de uma mistura de flashbacks e tempo real que culmina na volta do Speed contra a volta que o irmão Rex fez anos atrás, como se estivesse perseguindo um fantasma. Genial.

É preciso deixar claro que Speed Racer é um filme infantil, mas não necessariamente para crianças. Não que tenha violência ou sexo, nada disso, mas não é um filme fácil de ver. Prova disso é o vilão explicando como são feitas as corridas de verdade, duvido que alguma criança consiga entender, me lembrou o Arquiteto de Matrix Reload. Além disso, tem a narrativa descrita acima, possivelmente os pequenos se perderão nela. Também tem os efeitos especiais, que são confusos em certas partes como os carros “lutando”, além de se tornarem cansativos como nas cenas das instalações da corporação Royalton. Mesmo com esses “problemas” nos efeitos, ainda acho uma decisão acertada usar essa estética psicodélica dos anos 60 e 70 por remeter a época de ouro do desenho. As corridas são fantásticas, com carros que expressam a personalidade do motorista, movimentos impossíveis (lógico, era um anime), batidas, explosões e trapaças. Destaque especial para a corrida de Casa Cristo. Em suma, Speed Racer é um filme para as crianças de 25\30 anos.

O sucesso do filme (artisticamente, não comercialmente) deve-se ao respeito que os irmãos Wachowski têm com o original. Dá para sentir isso em cada slow motion do Mach 5. Os narradores, que aparecem falando línguas diversas, representam as crianças ao redor do mundo que vibravam com o desenho, eles simplesmente enlouquecem narrando a corrida. Os Wachowski defecaram para o grande público e fizeram um filme para fãs, e não-fãs, mas que entendem o que o filme quer dizer. Em época de muitas adaptações bacanas (Dark Knight, Wachtmen, Punisher Warzone), duvidosas (Astro Boy, Wolverine) e merdas absolutas (Dragon Ball, Max Payne e Street Fighter-Lenda de Chun-li), Speed Racer chuta bundas com simplicidade infantil e sem medo de negar sua origem. Infelizmente, respeito não gera dividendo e por isso é considerado um filme ruim, com a terceira (se não me engano) pior bilheteria do ano passado o que é uma grande injustiça. Espero que no futuro, Speed Racer se transforme num filme Cult, daqueles que as pessoas se questionam porque ninguém viu na época certa. Go speed, Go.

 

Obs: Nos créditos finais, os Wachowski prestam uma ultima homenagem com uma versão da musica tema muito foda, que tem partes dos temas de vários países, inclusive o Brasil com uma voz parecida com a da Xuxa. Não é pra assistir por causa da Xuxa, mas sim porque a musica é foda.

 

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